Dólar opera em queda no primeiro pregão de 2026; Ibovespa também cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

No primeiro pregão de 2026, o dólar opera em queda de 1,29% nesta sexta-feira (2), cotado a R$ 5,4175 por volta das 15h20. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, também recua, com perdas de 0,48% no mesmo horário, aos 160.347 pontos.

Trata-se de um dia de altos e baixos no mercado, já que o volume de negócios segue bastante reduzido em razão da emenda do feriado de Ano Novo.

O dólar, portanto, mantém a tendência de desvalorização vista nos últimos dias do ano passado. A moeda americana encerrou 2025 com desvalorização superior a 10%, como mostrou o g1. Este foi o pior desempenho anual do dólar em quase uma década.

Sem grandes eventos previstos para esta sexta-feira, o mercado já direciona a atenção para a próxima semana.

▶️ Na sexta, será divulgada mais uma edição do payroll, o principal relatório sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos. O nível de emprego passou a ser um dos principais fatores avaliados pelo Federal Reserve, o banco central dos EUA, na decisão sobre novos cortes de juros.

O mercado espera dois cortes de juros neste ano. No entanto, a força do mercado de trabalho pode pressionar a inflação americana e levar os dirigentes do Fed a manter os juros em patamar mais alto para promover uma desaceleração mais gradual da economia.

▶️ O mercado também acompanha a escolha do próximo presidente do Fed. O mandato de Jerome Powell termina em maio, e o presidente dos EUA, Donald Trump, deve anunciar o novo nome ainda neste mês. O favorito é Kevin Hassett, assessor econômico da Casa Branca.

▶️ No exterior, a China reafirmou a meta de crescer 5% em 2025. A meta ousada demanda investimentos elevados, especialmente em infraestrutura e indústria, o que amplia a demanda por matérias-primas.

  • 🔎 O Brasil é justamente um dos principais fornecedores desses insumos. A manutenção da meta chinesa reforça a expectativa de demanda firme por produtos como o minério de ferro, o que favorece empresas do setor e dá suporte ao Ibovespa neste início de ano.
  • ❌ Em contrapartida, as novas cotas e tarifas da China sobre a carne pressionam o setor de proteína animal e reforçam um cenário de comércio global mais complicado para 2026.

▶️ No mais, a situação das contas públicas no Brasil segue no radar. Os avanços do déficit e da dívida pressionam os juros e limitam o apetite dos investidores por ativos de risco.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -0,99%;
  • Acumulado do mês: +2,88%;
  • Acumulado do ano: -11,18%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +0,14%;
  • Acumulado do mês: +1,29%;
  • Acumulado do ano: +33,95%.

Bolsas globais

Em 2025, o índice MSCI World, que reúne ações de grandes mercados, subiu mais de 20%, no melhor desempenho desde 2019. Para 2026, analistas projetam crescimento dos lucros das empresas em torno de 12%.

Com vários mercados ainda operando em ritmo lento por causa dos feriados — Japão e China, por exemplo, permaneceram fechados —, o volume de negociações foi baixo. Ainda assim, as bolsas globais começaram 2026 em alta.

Nos Estados Unidos, os índices futuros de Wall Street avançaram no primeiro pregão do ano. S&P 500, Dow Jones e Nasdaq acumulam três anos consecutivos de ganhos, impulsionados principalmente pelas ações ligadas à inteligência artificial.

No entanto, o mercado encerrou 2025 com perda de fôlego, especialmente no setor de tecnologia, que passa por revisões de projeções dos analistas.

O desempenho do primeiro dia do ano não costuma ser um bom termômetro para o restante do período. Mas o foco segue claro: juros, política monetária e o impacto das decisões do governo Trump.

Na Europa, o clima foi mais animado. O índice STOXX 600 subiu 0,7%, para 596,14 pontos, ficando a apenas quatro pontos da marca simbólica de 600, com o retorno dos investidores após as celebrações de Ano Novo. O indicador também registrou a terceira semana consecutiva de ganhos.

O índice encerrou 2025 com o melhor desempenho desde 2021, apoiado pela queda das taxas de juros, por estímulos fiscais na Alemanha e por uma rotação de investimentos, com a migração de recursos das ações de tecnologia dos EUA — consideradas caras — para outros mercados.

Setores ligados à defesa, bancos, energia e commodities lideraram os ganhos. Já o setor imobiliário ficou para trás. Mesmo com sinais de enfraquecimento da indústria na zona do euro, investidores seguem apostando que o continente pode atravessar 2026 em situação mais estável.

Na Ásia, o destaque ficou com Hong Kong. O índice Hang Seng subiu forte e atingiu o maior nível em cerca de um mês e meio, embalado pelo otimismo renovado com o setor de inteligência artificial da China.

A divulgação de novas tecnologias mais baratas para o desenvolvimento de IA reacendeu o interesse dos investidores. Além disso, a estreia forte de uma empresa chinesa de chips de IA na bolsa reforçou a percepção de que o setor pode ser um dos principais motores do mercado em 2026.

Outros mercados asiáticos, como Taiwan, Coreia do Sul e Singapura, também alcançaram recordes. Já Japão e China continental permaneceram fechados e só voltam a operar nos próximos dias.

🪙 Ouro segue como porto seguro

Os metais preciosos continuam em alta. O ouro subiu mais de 1% no primeiro pregão do ano, ampliando um movimento histórico: em 2025, o metal registrou a maior valorização em 46 anos. Prata e platina também tiveram os maiores ganhos de sua história.

Esse movimento reflete a busca por proteção diante da fraqueza do dólar, das tensões geopolíticas e da expectativa de juros mais baixos nos EUA. Bancos centrais e grandes investidores seguem ampliando suas posições em ouro.

Já o petróleo iniciou 2026 tentando se recuperar após um ano difícil. Em 2025, os preços registraram a maior queda anual desde 2020.

No primeiro dia útil do ano, o Brent e o petróleo americano oscilaram pouco, com leves altas ou quedas, em meio a dúvidas sobre o crescimento global e a demanda por energia.

Notas de dólar. — Foto: Luisa Gonzalez/ Reuters

Notas de dólar. — Foto: Luisa Gonzalez/ Reuters