Dólar e Ibovespa avançam, com foco na indústria no Brasil e emprego nos EUA

Ibovespa opera em alta com emprego nos EUA no radar

Ibovespa opera em alta com emprego nos EUA no radar

O dólar opera em alta nesta quinta-feira (8) e subia 0,12% perto das 15h50, cotado a R$ 5,3921. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tinha avanço de 0,32% no mesmo horário, aos 162.498 pontos.

Os mercados acompanham uma agenda carregada de indicadores no Brasil e no exterior. Dados de atividade e inflação no cenário local dividem atenção com números do mercado de trabalho americano e novos desdobramentos da relação entre Estados Unidos e Venezuela.

▶️ Nos EUA, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego somaram 208 mil na semana encerrada em 3 de janeiro, alta de 8 mil em relação ao período anterior, segundo o Departamento do Trabalho. A previsão era de 210 mil solicitações.

  • 🔎 Os números divulgados hoje ajudam a compor o quadro do mercado de trabalho e sugerem uma desaceleração gradual da atividade, o que pode reforçar a avaliação de que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, tem espaço para manter o ciclo de cortes de juros.

Segundo Trump, o governo interino, assumido por Delcy Rodríguez, “está nos dando tudo o que consideramos necessário”.

▶️ No Brasil, a produção industrial ficou estável em novembro, segundo dados divulgados pelo IBGE. O resultado frustrou a expectativa de avanço de 0,2% no mês, após alta de 0,1% em outubro. Na comparação com novembro do ano passado, houve queda de 1,2%, mais intensa do que a projeção de recuo de 0,1%.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

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💲Dólar

  • Acumulado da semana: -0,70%;
  • Acumulado do mês: -1,87%;
  • Acumulado do ano: -1,87%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +0,92%;
  • Acumulado do mês: +0,55%;
  • Acumulado do ano: +0,55%.

EUA vão ‘administrar’ Venezuela

O líder norte-americano disse ainda que o governo interino da Venezuela, assumido pela vice-presidente de Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez, “está nos dando tudo o que consideramos necessário por enquanto”.

“Só o tempo vai dizer”, disse o presidente norte-americano, ao ser questionado sobre quantos anos a ingerência de Washington sobre Caracas vai durar.

“Mas vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo e vamos importar petróleo. Vamos baixar os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso”, afirmou Trump na entrevista.

Ao ser questionado por que preferiu apoiar a agora presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, no lugar de incentivar que a oposição tomasse o poder no país, o presidente dos EUA negou responder.

A declaração ocorre apenas alguns dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro.

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Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.

  • 🔎 A produção venezuelana despencou nas últimas décadas, afetada pela má gestão e pela escassez de investimentos estrangeiros após a nacionalização do setor nos anos 2000. Com a ação dos EUA, parte do mercado avalia que o petróleo do país possa voltar a circular, ampliando a oferta da commodity no mercado internacional.

Agenda econômica

  • Produção industrial no Brasil

A produção industrial no Brasil ficou estável em novembro, contrariando a expectativa de crescimento e reforçando a avaliação de que o setor teve pouco fôlego ao longo de 2025. O desempenho ocorre em um cenário marcado por política monetária restritiva e pelos efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo pesquisa da Reuters, economistas esperavam um avanço de 0,2% no mês, após alta de 0,1% registrada em outubro.

Na comparação com novembro do ano passado, a produção industrial recuou 1,2%, resultado mais negativo do que a projeção do mercado, que indicava queda de 0,1%.

O levantamento do IBGE mostra que, em novembro, 15 dos 25 ramos industriais pesquisados registraram queda em relação ao mês anterior. A principal influência negativa veio das indústrias extrativas, cuja produção recuou 2,6%.

O resultado foi impactado pela menor produção de óleos brutos de petróleo, gás natural e minérios de ferro. Também apresentaram retração os setores de veículos automotores, reboques e carrocerias (-1,6%), produtos químicos (-1,2%), produtos alimentícios (-0,5%) e bebidas (-2,1%).

Entre as categorias econômicas, a produção de bens de consumo duráveis caiu 2,5% em novembro, enquanto a de bens intermediários recuou 0,6%. Em sentido oposto, houve alta de 0,7% na produção de bens de capital e avanço de 0,6% nos bens de consumo semi e não duráveis.

  • Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA

O número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego aumentou de forma moderada na semana passada. O movimento indica que as demissões permaneceram relativamente baixas no fim de 2025, embora a demanda por mão de obra siga lenta.

Segundo o Departamento do Trabalho, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego subiram em 8 mil na semana encerrada em 3 de janeiro, totalizando 208 mil solicitações, em dado com ajuste sazonal. Economistas consultados pela Reuters previam 210 mil pedidos no período.

Nas últimas semanas, os números têm mostrado instabilidade, reflexo das dificuldades de ajustar os dados às flutuações sazonais típicas do fim de ano. Ainda assim, mesmo com essa volatilidade, as demissões continuam em níveis baixos na comparação com padrões históricos.

Na véspera, o governo informou que o número de vagas de emprego em aberto caiu para o menor nível em 14 meses em novembro. No período, havia 0,91 vaga disponível para cada pessoa desempregada — abaixo das 0,97 registradas em outubro e o menor patamar desde março de 2021.

Bolsas globais

Os principais índices de Wall Street abriram em baixa nesta quinta-feira, com os investidores cautelosos antes do relatório de emprego na sexta-feira, enquanto as empresas de defesa avançavam depois que o presidente Donald Trump pediu um orçamento militar de US$1,5 trilhão.

O Dow Jones Industrial Average caía 0,30% na abertura, para 48.850,17 pontos. O S&P 500 recuava 0,10%, a 6.914,11 pontos, enquanto a Nasdaq Composite tinha queda de 0,15%, para 23.548,884 pontos.

Os mercados europeus operavam com leve baixa, enquanto ações do setor de defesa atingiam recorde, impulsionadas por tensões geopolíticas que vão da Venezuela à Groenlândia. O índice europeu de defesa e aeroespacial subiu quase 2% no início do dia, acumulando cinco sessões de alta e ganhos expressivos no ano.

Durante a manhã, o índice Stoxx 600 recuava 0,35%. Entre as principais bolsas, o DAX (Alemanha) caía 0,16%, o FTSE 100 (Reino Unido) recuava 0,21%, o CAC 40 (França) perdia 0,17% e o FTSE MIB (Itália) tinha baixa de 0,21%.

Já as bolsas asiáticas fecharam em queda. Na China, investidores realizaram lucros em ações financeiras, enquanto em Hong Kong o pessimismo aumentou após recuos de fundos listados nos EUA.

No fechamento, os índices ficaram assim: Hang Seng -1,17% (26.149 pontos), Xangai SSEC -0,07% (4.082 pontos), CSI300 -0,82% (4.737 pontos), Nikkei -1,6% (51.117 pontos), Kospi +0,03% (4.552 pontos), Taiex -0,25% (30.360 pontos) e Straits Times -0,18% (4.739 pontos).

Dólar — Foto: freepik

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