Master: Haddad defende atuação do BC e diz que país pode estar diante da ‘maior fraude bancária’ do país

Haddad defende atuação do BC sobre fraude no Master

Haddad defende atuação do BC sobre fraude no Master

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a defender a atuação do Banco Central (BC) na liquidação do banco Master, que ele classificou como o que pode ser a “maior fraude bancária” do país.

Ele afirmou que tem conversado diariamente com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que determinou liquidação da instituição financeira.

A liquidação ocorreu após investigadores descobrirem negócios de venda de carteiras de crédito com suspeitas de fraudes do Master para o Banco de Brasília (BRB) num valor de R$ 12,2 bilhões (leia mais abaixo).

“Tenho falado com o presidente do BC quase que diariamente, dando todo respaldo institucional da Fazenda. Penso que temos feito um trabalho conjunto muito importante, porque envolve a Fazenda também, o caso Reag [fundos envolvidos com a operação Carbono Oculto]. Tem uma conexão que está sendo apurada entre os dois casos”, disse o ministro a jornalistas.

🔎 A operação Carbono Oculto foi deflagrada em 28 de agosto de 2025 pela Polícia Federal, envolvendo 1.400 agentes em dez estados, com o objetivo de desarticular um amplo esquema de fraude tributária, lavagem de dinheiro, e atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis

Vital do Rêgo se reuniu com o presidente do Banco Central nesta segunda (12) para “encontrar uma forma de conciliar o poder de fiscalização do TCU com a autonomia do BC”, que questionava a possibilidade de inspeção técnica em suas dependências (entenda a seguir).

“Falei com o presidente do TCU algumas vezes ao telefone na semana passada. Eu penso que houve uma convergência como ajudar, como fazer o melhor para o país conhecer a verdade, apurar responsabilidades, eventualmente obter ressarcimento dos prejuízos causados. Penso que as coisas vão caminhar para o lado certo. “, acrescentou o ministro da Fazenda.

“O caso inspira muito cuidado, podemos estar diante da maior fraude bancária do país. Temos que tomar todas cautelas devidas, com as formalidades, garantindo todo espaço para a defesa se explicar, mas ao mesmo tempo sendo bastante firmes em relação àquilo que tem de ser defendido pelo interesse público”, declarou o ministro da Fazenda.

Fernando Haddad durante coletiva sobre megaoperação contra o PCC — Foto: Jorge Silva/Reuters

Fernando Haddad durante coletiva sobre megaoperação contra o PCC — Foto: Jorge Silva/Reuters

Inspeção no BC

Ao blog, integrantes do Banco Central disseram considerar que os embargos cumpriram sua função. Eles afirmam que, após a apresentação do recurso, ficou claro que o TCU respeita a prerrogativa exclusiva do BC de fazer a liquidação do Master. E que não haverá invasão de competência pela Corte de Contas.

Defesa do BC

No entanto, integrantes do governo não têm se manifestado publicamente sobre o assunto nas últimas semanas.

“Toda transparência [com a atuação do TCU] pode ajudar. Se a intenção for boa, a transparência vai ajudar. Estou absolutamente seguro do trabalho que o Galípolo e equipe fizeram”, ponderou Haddad.

Atuamos conjuntamente quando o assunto era da Fazenda. Tivemos conversas com o procurador-geral da República. Tivemos o melhor aconselhamento possível pra chegar até aqui. Eu acredito realmente que o trabalho que foi feito pelo BC é tecnicamente muito robusto”, concluiu o ministro.

🔎 A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de um banco que não tem mais condições de operar. Um liquidante assume o controle, fecha as operações, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei, até extinguir a instituição.

Liquidação

Com a liquidação, as atividades do banco foram interrompidas, a diretoria foi afastada e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado para ressarcir investidores dentro do limite legal.

Contas do governo em 2025

O ministro Fernando Haddad também afirmou que números preliminares do Tesouro Nacional indicam que a meta das contas do governo em 2025 será cumprida pelo terceiro ano seguido. O resultado será divulgado no fim deste mês.

“O numero é preliminar, mas devemos ter terminado o ano com 0,1% de déficit. Se considerarmos o que o Congresso ou a Justiça excepcionalizou, estamos falando de alguma coisa como 0,17% de déficit. E considerados os precatórios, vamos fechar o ano em 0,48% de déficit. Isso significa que os precatórios estão sendo incorporados no cálculo para dar mais segurança que o resultado não é maquiado”, afirmou, a jornalistas.

➡️Pelas regras do arcabouço fiscal, entretanto, o governo pode ter um déficit de até 0,25% do PIB sem que o objetivo seja formalmente descumprido, o equivalente a cerca de R$ 31,3 bilhões. Essa é uma banda existente em relação ao objetivo central.

➡️Para fins de cumprimento da meta fiscal, também poderão ser excluídos outros R$ 44,5 bilhões em precatórios, ou seja, decisões judiciais.

➡️Na prática, portanto, o governo poderá registrar um resultado negativo de até R$ 75,8 bilhões sem que a meta seja formalmente descumprida.