FGC começa a ressarcir 377 mil credores do banco Master a partir desta segunda
Credores do Banco Master serão ressarcidos a partir desta segunda, diz FGC
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) começa a ressarcir nesta segunda-feira (19) cerca de 377 mil credores que compraram Certificados de Crédito Bancário (CDBs) do banco Master.
Os valores serão pagos à vista. Se, por exemplo, um investidor tem R$ 200 mil em CDBs do banco Master, ele receberá em uma parcela única.
🔎 O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um investimento de renda fixa em que o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Essa remuneração pode ser pré-fixada (definida no momento da aplicação) ou pós-fixada (atrelada a indicadores como o CDI).
Segundo dados desta segunda-feira (19), cerca de 569 mil pedidos de ressarcimento de garantias dos credores que compraram CDBs do Master foram registrados.
Desses, aproximadamente 377 mil finalizaram o processo de solicitação de garantia e seguiram para o processo de pagamento, que começa nesta segunda.
O FGC também informa que credores tentaram realizar a validação da biometria usando um documento sem CPF, o que tem gerado recusas na avaliação da identidade. “É importante seguir as orientações que constam no site e no aplicativo do FGC”, alerta a instituição.
Segundo o FGC:
- o número de credores da garantia, inicialmente estimado em 1,6 milhão, é da ordem de 800 mil.
- o valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões, contra a estimativa inicial de R$ 41,3 bilhões.
➡️O FGC informou que possui liquidez de R$ 125 bilhões, conforme dados de novembro de 2025.
Fundo Garantidor de Créditos começa a receber pedidos de ressarcimento de quem investiu no Banco Master
Aplicativo funciona normalmente
“O aplicativo opera normalmente. Estão sendo processados cerca de 9 mil pedidos por hora, o que corresponde a aproximadamente 2,5 solicitações por segundo. Pontualmente, volumes anormais de acessos simultâneos ainda causam alguma lentidão”, informou o FGC.
FGC alerta para tentativas de golpes
➡️O FGC também alertou para possíveis tentativas de golpe envolvendo o pagamento de garantia.
O órgão reforçou que os canais oficiais de atendimento e divulgação de informações são o app do FGC, telefone, email e redes sociais.
“O FGC não cobra nenhum tipo de taxa para efetuar o pagamento da garantia, não antecipa, não transfere créditos garantidos e não utiliza intermediários. Nenhum contato é feito por meio do WhatsApp ou SMS”, informou.
Segundo o presidente do FGC, Daniel Lima, é importante que as pessoas estejam atentas para não serem enganadas.
“Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos”, acrescentou Daniel, Lima, do FGC.
Quem está protegido pelo FGC?
➡️Os saldos de correntistas e investidores são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.
No caso dos investidores, a cobertura varia conforme o tipo de aplicação. Estão dentro das regras do FGC:
- CDB e Recibo de Depósito Bancário (RDB);
- Letra de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs).
O FGC só atua em casos de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil.
⚠️ EXEMPLO: Quem tinha R$ 180 mil investidos e R$ 100 mil para receber em rendimentos terá acesso a até R$ 250 mil. O valor que exceder esse limite deve ser solicitado no processo de liquidação conduzido pelo BC.
Quem não está protegido pelo FGC?
Não têm direito à cobertura do FGC os investidores que aplicaram em produtos sem garantia do fundo, como:
- Debêntures;
- Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs),;
- Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs);
- Fundos de investimento;
- Títulos emitidos fora do sistema de proteção.
Nesses casos, não há indenização automática: todo o valor investido entra integralmente na fila da liquidação e só poderá ser recuperado se houver recursos suficientes após o pagamento das obrigações prioritárias.
Liquidação do banco Master
A instituição de Daniel Vorcaro foi liquidada no dia 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição já operava sob risco de falência por causa do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.
Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.
O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição.

