Lula diz que conversou com filho citado em CPMI do INSS: ‘Se você tiver alguma coisa, vai pagar o preço’

Lula contou que chamou Lulinha no Palácio do Planalto para uma conversa e que alertou o filho de que se ele tivesse algum envolvimento com os descontos indevidos, ele deveria “pagar o preço”.

“Quando saiu o nome do meu filho, chamei ele e disse: só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, vai pagar o preço, mas se não tiver, se defenda”, contou.

Em seguida, o presidente fez um paralelo com a sua prisão e afirmou ter “decidido ficar no Brasil para se defender”. As declarações foram dadas durante uma entrevista para o portal UOL.

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Convocação barrada

Ele entrou na mira de parlamentares da oposição após a publicação de reportagens que afirmaram que o filho de Lula teria recebido dinheiro de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

O presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), chegou a afirmar que Lulinha teria sido contratado para atuar como uma espécie de lobista em favor de Antunes.

Fábio Luís Lula da Silva não é investigado no esquema de descontos fraudulentos em aposentadorias e pensões.

Nova convocação

Em entrevista a jornalistas nesta quinta, o presidente da CPMI afirmou que pretende colocar em votação um novo requerimento pedindo a convocação de Lulinha para esclarecimentos.

“Está previsto não só do filho do presidente, mas também do próprio irmão, de pessoas ligadas à publicidade do Partido dos Trabalhadores. Eu vou trazer de volta”, pontuou Carlos Viana.

“Esses requerimentos vão ser colocados na primeira oportunidade. Cada parlamentar votará de acordo com a sua consciência”, prosseguiu.

Lula durante conversa com jornalistas em Brasília — Foto: Adriano Machado/Reuters

Lula durante conversa com jornalistas em Brasília — Foto: Adriano Machado/Reuters

CPMI do INSS

As investigações sobre fraudes no INSS se desenvolveram a partir da descoberta de descontos irregulares e operações não autorizadas que afetaram aposentados e pensionistas.

A CPMI do INSS busca esclarecer como esses descontos foram realizados sem consentimento e entender a atuação do órgão na fiscalização desses processos, ouvindo dirigentes e solicitando documentos para mapear a extensão das irregularidades e os mecanismos que permitiram que elas ocorressem.

Com o avanço das apurações, surgiram indícios de um esquema mais amplo, envolvendo irregularidades em contratos e falhas de controle, o que levou o colegiado a aprofundar a análise de reclamações de beneficiários, documentos apresentados para justificar cobranças e eventuais responsabilidades administrativas.