Sem negociação à vista, Trump e Irã sinalizam para guerra prolongada; entenda em que pé está o conflito

EUA e Israel bombardeiam Irã pelo quarto dia

EUA e Israel bombardeiam Irã pelo quarto dia

O mundo observa uma escalada no Oriente Médio: enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descarta qualquer conversa e fala em uma nova onda de ataques, do lado do Irã há ameaças para atacar os centros econômicos da região e atingir também o fluxo de energia global com o fechamento do Estreito de Ormuz.

As falas indicam que o conflito, iniciado no último fim de semana, não tem data para acabar. Os dois lados – Estados Unidos, com o apoio de Israel, e Irã – lançaram importantes ataques nesta terça-feira (3):

  • O prédio da Assembleia dos Peritos do Irã, responsável por escolher o próximo líder supremo do país, foi bombardeado pelo Exército de Israel. Segundo a imprensa israelense, todos os 88 aiatolás estavam presentes. Porém, ainda não se sabe se eles foram mesmo atingidos.
  • Já o Irã afirmou ter atacado o consulado dos Estados Unidos em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Washington não confirmou se o prédio foi, de fato, atingido, mas disse ter controlado um incêndio nas proximidades.

Mulher caminha por rua após ataque, em meio ao conflito das duas nações com o Irã, em Teerã — Foto: Majid Asgaripour/WANA via Reuters

Mulher caminha por rua após ataque, em meio ao conflito das duas nações com o Irã, em Teerã — Foto: Majid Asgaripour/WANA via Reuters

🪖 O conflito começou após bombardeios dos EUA e de Israel em Teerã que mataram o líder supremo Ali Khamenei e autoridades iranianas de alto escalão no sábado (28). Desde então, o Irã tem retaliado contra Israel e países do Oriente Médio que abrigam bases norte-americanas.

No Irã, 787 pessoas morreram, com base em informações do Crescente Vermelho, braço da Cruz Vermelha que atua no Oriente Médio. Pelo menos seis soldados americanos também morreram.

🚨 Veja, a seguir, as principais falas e eventos desta terça:

EUA descartam diálogo com o Irã

Trump diz que 'praticamente tudo foi destruído no Irã'

Trump diz que ‘praticamente tudo foi destruído no Irã’

“A defesa aérea, a Força Aérea, a Marinha e a liderança deles acabaram. Eles querem conversar. Eu disse: ‘Tarde demais!'”, afirmou Trump em publicação na rede social Truth Social.

O embaixador iraniano na ONU em Genebra, Ali Bahraini, demonstrou ceticismo sobre diálogos. “Agora, a única linguagem para dialogar com os Estados Unidos é a linguagem da defesa. Por enquanto, estamos focados em defender nosso país”, afirmou à repórter da TV Globo Bianca Rothier.

“A maior parte das pessoas que tínhamos em mente (para assumir) morreu”, afirmou o presidente americano.

Ataques de Israel miram a sucessão iraniana

Com base em fontes do governo israelense, o jornal “The Jerusalem Post” também afirmou que todos os 88 aiatolás que compõem a assembleia estavam presentes, mas disse não ter informação sobre se eles foram atingidos.

👉 Desde a Revolução de 1979 no Irã, quando os aiatolás tomaram o poder, um colégio de clérigos, constituído por aiatolás, é quem escolhe o líder supremo do país.

INFOGRÁFICO: bombardeios atingem sede de conselho que escolheria novo líder supremo do Irã; petróleo dispara. — Foto: Arte/g1

INFOGRÁFICO: bombardeios atingem sede de conselho que escolheria novo líder supremo do Irã; petróleo dispara. — Foto: Arte/g1

Irã aumenta cerco a edifícios dos EUA no Oriente Médio

Vídeo mostra momento em que drone atinge consulado dos EUA em Dubai, diz agência iraniana

Vídeo mostra momento em que drone atinge consulado dos EUA em Dubai, diz agência iraniana

Este pode ser o terceiro ataque a representações diplomáticas do país no Oriente Médio:

  • Um drone direcionado ao consulado dos EUA em Erbil, no Iraque, teria sido interceptado pelos iraquianos nesta terça;
  • Drones atingiram a embaixada americana em Riad, na Arábia Saudita, na segunda-feira. O local estava fechado, e não houve feridos.

Além disso, os EUA anunciaram o fechamento de sua embaixada em Amã, na Jordânia. O Irã, no entanto, não assumiu a autoria nestes casos.

O general Ebrahim Jabari, da Guarda Revolucionária iraniana, alertou que as retaliações focarão nos polos financeiros do Oriente Médio caso a ofensiva contra o Irã persista.

“Dizemos ao inimigo que, se decidir atacar nossos principais centros, nós atacaremos todos os centros econômicos da região”, afirmou.

“Temos capacidade para resistir e realizar uma defesa ofensiva por mais tempo do que o previsto [pelo inimigo] para esta guerra imposta”, declarou o porta-voz, general Reza Talai-Nik.

Infográfico mostra cerco dos EUA ao Irã — Foto: Arte g1

Infográfico mostra cerco dos EUA ao Irã — Foto: Arte g1

Impasse em Ormuz

Com o Estreito de Ormuz bloqueado, o regime persa prevê que o barril do petróleo salte para US$ 200, explorando a crise energética como arma de guerra.

Na segunda-feira (2), o governo iraniano anunciou o fechamento do estreito e afirmou que poderá atacar embarcações que tentem atravessar a rota.

🚢 O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Ele conecta os grandes produtores do Golfo — como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos — ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. A passagem é responsável pelo transporte de cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.

“Se necessário, a Marinha dos Estados Unidos começará a escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz o mais rápido possível. Aconteça o que acontecer, os Estados Unidos garantirão o LIVRE FLUXO DE ENERGIA para o MUNDO”, escreveu em publicação na rede Truth Social.

Além do suporte militar, Trump também determinou que a Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos (DFC) ofereça um seguro contra risco político e garantias financeiras para todo o comércio marítimo que transite pelo Golfo, especialmente o transporte de energia.