EUA incluem Brasil em investigação por ‘práticas comerciais desleais ligadas a trabalho forçado’ e medida pode criar nova tarifas

O presidente dos EUA, Donald Trump, em 11 de março de 2026 — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque
O presidente dos EUA, Donald Trump, em 11 de março de 2026 — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque
O escritório do Representante Comercial dos EUA informou na noite de quinta-feira (12) que iniciou investigações sobre práticas comerciais desleais contra 60 países, incluindo o Brasil. A ideia é entender se os países falharam em tomar medidas contra o trabalho forçado.
🔍 A medida pode ser usada pela Casa Branca para criar novas tarifas, após derrota do tarifaço na Suprema Corte em fevereiro. A nova investigação se baseia na Seção 301, instrumento da Lei de Comércio Americana, que permite ao governo dos EUA agir quando identifica ações que prejudicam o comércio americano.
“Essas investigações determinarão se governos estrangeiros tomaram medidas suficientes para proibir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado e como a falha em erradicar essas práticas abomináveis impacta os trabalhadores e as empresas dos EUA”, disse o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, em um comunicado.
O Brasil já tinha sido incluído em outras investigações relacionadas às tarifas no ano passado. Pouco depois do anúncio do tarifaço de 50% em julho, desmatamento, violação de direitos autorais e até a ferramenta de pagamento digital Pix se tornaram alvo da gestão Trump.
Setores agrícolas americanos já tinham acusado os brasileiros de usarem mão de obra forçada ou em condição análoga à escravidão. Com isso, o agronegócio brasileiro pode se tornar o principal alvo da nova investigação.
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A lista de 60 países e economias inclui alguns dos principais parceiros comerciais e aliados dos EUA, como Austrália, Canadá, União Europeia, Reino Unido, Israel, Índia, Catar e Arábia Saudita. China e Rússia também aparecem na relação.
Após a decisão da Suprema Corte, Trump impôs uma tarifa de 10% por 150 dias com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. Na quarta-feira (11), o governo também anunciou novas investigações comerciais sobre excesso de capacidade industrial em 16 grandes parceiros comerciais.
Os Estados Unidos já adotaram restrições a painéis solares e outros produtos vindos da região de Xinjiang, na China, com base na Lei de Prevenção do Trabalho Forçado Uigur, sancionada pelo ex-presidente Joe Biden.
O governo dos EUA acusa autoridades chinesas de manter campos de trabalho para integrantes da minoria étnica uigur e outros grupos muçulmanos. Pequim nega as acusações de abusos.
Greer afirmou que espera que outros países passem a aplicar proibições semelhantes contra produtos feitos com trabalho forçado, como as previstas em uma lei comercial americana criada há quase um século.
Segundo Greer, a expectativa é concluir as investigações da Seção 301 — incluindo possíveis medidas de resposta — antes que as tarifas temporárias impostas por Trump expirem, em julho.
“Apesar do consenso internacional contra o trabalho forçado, os governos não conseguiram impor e aplicar efetivamente medidas que proíbam a entrada em seus mercados de produtos fabricados com trabalho forçado. Por muito tempo, trabalhadores e empresas americanas foram forçados a competir com produtores estrangeiros que podem ter uma vantagem de custo artificial obtida com o flagelo do trabalho forçado”, disse Greer.
Também citada na lista, a China criticou a medida nesta sexta (13) e disse que o país se reserva o direito de tomar todas as medidas necessárias e defender seus direitos e interesses legítimos. O Ministério do Comércio da China afirmou que os EUA não têm o direito de determinar “unilateralmente” se um parceiro comercial tem “excesso de capacidade” e tomar medidas restritivas unilaterais
Confira a lista dos países investigados
1. Argélia
2. Angola
3. Argentina
4. Austrália
5. Bahamas
6. Bahrein
7. Bangladesh
8. Brasil
9. Camboja
10. Canadá
11. Chile
12. China, República Popular da China
13. Colômbia
14. Costa Rica
15. República Dominicana
16. Equador
17. Egito
18. El Salvador
19. União Europeia
20. Guatemala
21. Guiana
22. Honduras
23. Hong Kong, China
24. Índia
25. Indonésia
26. Iraque
27. Israel
28. Japão
29. Jordânia
30. Cazaquistão
31. Kuwait
32. Líbia
33. Malásia
34. México
35. Marrocos
36. Nova Zelândia
37. Nicarágua
38. Nigéria
39. Noruega
40. Omã
41. Paquistão
42. Peru
43. Filipinas
44. Catar
45. Rússia
46. Arábia Saudita
47. Singapura
48. África do Sul
49. Coreia do Sul
50. Sri Lanka
51. Suíça
52. Taiwan
53. Tailândia
54. Trinidad e Tobago
55. Turquia
56. Emirados Árabes Unidos
57. Reino Unido
58. Uruguai
59. Venezuela
60. Vietnã




