Dólar abre sob impacto da guerra no Oriente Médio e escalada de tensão no Estreito de Ormuz
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar abre nesta terça-feira (17) de olho nos desdobramentos da guerra no Oriente Médio e nos impactos sobre o petróleo. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h.
▶️Países da Europa e da Ásia estão resistindo a um pedido do presidente dos EUA, Donald Trump, para enviar navios militares ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do petróleo mundial, em meio à guerra entre EUA, Israel e Irã. Apesar da pressão americana, governos como Alemanha, Itália, Espanha, Japão e Austrália recusaram participação, afirmando que o conflito não é deles.
▶️O petróleo voltou a subir com força, impulsionado pela escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente entre Estados Unidos e Irã. O risco de um ataque à Ilha de Kharg — responsável por cerca de 90% das exportações iranianas — e a instabilidade no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais da commodity, elevaram o temor de interrupção na oferta. Com isso, os preços do petróleo Brent avançaram quase 3%.
▶️A agenda econômica desta terça traz novos dados de inflação no Brasil, com a divulgação do IGP-10 de março pela manhã. Nos Estados Unidos, os destaques são os números de emprego da ADP, as vendas pendentes de imóveis e os estoques semanais de petróleo, além de um leilão de títulos de 20 anos do Tesouro. À noite, o Japão publica a balança comercial de fevereiro.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
- Acumulado da semana: -1,60%;
- Acumulado do mês: +1,86%;
- Acumulado do ano: -4,72%.
📈Ibovespa
- Acumulado da semana: +1,25%;
- Acumulado do mês: -4,72%;
- Acumulado do ano: +11,64%.
Petróleo na marca dos US$ 100
Desde o início do conflito, o Brent, padrão internacional já acumula alta superior a 40%, pressionando os mercados e aumentando os temores de inflação global.
Ele destacou que os EUA obtêm menos de 1% do seu petróleo pelo estreito, enquanto países como Japão, China, Coreia do Sul e algumas nações europeias dependem muito mais dessa passagem.
O presidente americano também afirmou que alguns desses países informaram que estão a caminho para ajudar, enquanto outros não se mostraram muito dispostos.
Para Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, a queda do petróleo trouxe alívio aos investidores, com a expectativa de que mais petroleiros atravessem o Estreito de Ormuz.
Ele destacou ainda que a liberação de reservas estratégicas por nações desenvolvidas ajudou a reduzir a pressão sobre os preços da commodity, que podem cair para abaixo de US$ 80 nos próximos meses, embora a volatilidade de curto prazo permaneça acima de US$ 100.
“Contudo, é importante destacar que, mesmo com algum alívio nos mercados caso o conflito não se agrave, qualquer recuperação nos investimentos de renda fixa e variável pode ser revertida devido à volatilidade e ao sentimento dos investidores diante dos impactos econômicos”, afirma o analista.
Guerra no Oriente Médio
O termo “operação limitada” também foi utilizado por Israel da última vez que tropas do país invadiram o território do Líbano, em outubro de 2024.
À época, o professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard Vitelio Brustolin explicou ao g1 que o termo significa uma incursão pontual, que não inclui uma ocupação completa do território que está sendo invadido.
A ofensiva ocorre em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, após a retomada do conflito entre Israel e Hezbollah no início de março, ligada à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Desde então, Israel intensificou bombardeios e ataques no território libanês, enquanto o Hezbollah também tem lançado ofensivas contra Israel. O confronto já deixou centenas de mortos no Líbano e provocou o deslocamento de centenas de milhares de pessoas.
Agenda econômica
- Boletim Focus
A expectativa é de redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 15% para 14,75% ao ano, após a guerra no Oriente Médio elevar os preços do petróleo e aumentar os riscos de pressão inflacionária.
Previsões do mercado:
- Selic (2026): corte para 14,75% nesta reunião
- Selic no fim de 2026: 12,25% ao ano
- Inflação (IPCA) 2026: 4,10%
- PIB 2026: 1,83% de crescimento
- Dólar no fim de 2026: R$ 5,40
Prévia do PIB
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,80% em janeiro na comparação com dezembro.
O resultado ficou ligeiramente abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,85%, de acordo com pesquisa da Reuters.
Na comparação com janeiro do ano passado, o indicador registrou crescimento de 1,0%. Já no acumulado em 12 meses, o avanço chegou a 2,3%, conforme dados sem ajuste sazonal.
Imposto de Renda
A Receita Federal informou que o prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda 2026 (ano-base 2025) começa em 23 de março e vai até 29 de maio. Quem enviar fora do prazo estará sujeito a multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido.
Devem declarar, entre outros casos:
- contribuintes que receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 em 2025;
- tiveram rendimentos isentos acima de R$ 200 mil;
- realizaram operações em bolsa acima de R$ 40 mil;
- ou possuíam bens superiores a R$ 800 mil no fim do ano.
As mudanças na faixa de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, conforme aprovado no ano passado, só terão efeito nas declarações a partir de 2027. (Veja quem mais é obrigado a declarar).
Mercados globais
A queda no preço do petróleo em meio à perspectiva de que o Estreito de Hormuz possa ser reaberto trouxe algum alívio aos mercados globais nesta segunda-feira.
Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam em alta, com investidores se posicionando para uma semana potencialmente decisiva para os mercados globais.
O Dow Jones avançou 0,83%, o S&P 500 subiu 1,01% e o Nasdaq teve ganhos de 1,22%.
Na Europa, os mercados fecharam em alta após a queda no preço do petroleo.
O DAX, da Alemanha, subiu 0,50%, enquanto o CAC 40, da França, avançou 0,31%. Na Itália, o FTSE MIB teve alta de 0,07%, e o FTSE 100, de Londres, também operou no campo positivo, subindo 0,55%.
Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única nesta segunda. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,45%, e o CSI300 avançou 0,05%. Já o índice de Xangai recuou 0,26% e o Nikkei, de Tóquio, caiu 0,1%.
O mercado foi parcialmente apoiado por notícias de avanços da China na produção de chips, mas a guerra no Irã continua mantendo os investidores cautelosos.

Notas de dólar. — Foto: Luisa Gonzalez/ Reuters
Notas de dólar. — Foto: Luisa Gonzalez/ Reuters
*Com informações da agência de notícias Reuters.




