‘Chegou a hora de agir’: serviço de inteligência de Israel cria grupos no Telegram para recrutar iranianos em meio à guerra
Mossad: entenda como funciona a agência secreta de Israel
Um dos canais foi criado em 24 de dezembro, poucos dias antes do início de uma onda de manifestações contra o regime dos aiatolás. A mensagem de boas-vindas diz: “Se você chegou até aqui, provavelmente deseja entrar em contato conosco. Ficamos felizes”.
O perfil, verificado pelo próprio portal da agência, orienta como falar com o Mossad por meio de um agente conversacional ou pelo site oficial.
Em 6 de março, após o início da guerra, o canal publicou um apelo: “Continuem enviando informações do terreno. Vocês são testemunhas da verdade”. Cerca de 48 mil usuários estão inscritos.
Outra conta, chamada “Mossad Oficial”, surgiu no início do mês. O perfil publica mensagens semelhantes e vídeos gerados por inteligência artificial. Em um deles, membros da milícia Basij aparecem assustados com um possível ataque. Em outro, um homem tira uma foto discretamente com o celular.
LEIA TAMBÉM
Recrutamento

Aplicativo Telegram — Foto: Carlos Henrique Dias/g1
Aplicativo Telegram — Foto: Carlos Henrique Dias/g1
Em meio à guerra, o Mossad intensificou os esforços nas redes sociais para recrutar iranianos. Enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, convoca iranianos a “assumirem o controle do próprio destino”, uma campanha mais discreta ocorre online há meses.
“Chegou a hora de agir. Uma breve conversa pode iniciar um novo capítulo para você. Entre em contato conosco por meio de uma linha segura”, diz uma das mensagens.
A presença do Mossad nas redes não é nova, mas ganhou força com a guerra. Antes dos canais no Telegram, a agência já havia ampliado a comunicação com iranianos em outras plataformas.
O Mossad “realiza esse tipo de operação há décadas, utilizando as ferramentas e tecnologias disponíveis”, afirma Yossi Melman, jornalista israelense especializado em defesa e inteligência.
“Assim como outros serviços de inteligência estrangeiros, a agência financiou publicações e estações de rádio em países inimigos”, disse o especialista à AFP.
“O Mossad não inventou nada de novo. A CIA faz isso há anos”, acrescentou.
‘Make Iran Great Again’

Carros passam por outdoor que mostra porta-aviões americano bombardeado no centro de Teerã, capital do Irã — Foto: ATTA KENARE / AFP
Carros passam por outdoor que mostra porta-aviões americano bombardeado no centro de Teerã, capital do Irã — Foto: ATTA KENARE / AFP
As primeiras publicações incluíram vídeos de Menashe Amir, radialista israelense nascido em Teerã, que passou mais de seis décadas transmitindo em persa para iranianos.
Amir confirmou à AFP que a conta era administrada pela agência, embora não conste na lista oficial divulgada pelo Mossad.
“A primeira mensagem (vídeo) que postaram comigo teve 2.200.000 visualizações”, disse, orgulhoso. A conta não foi autenticada oficialmente, mas é considerada ligada ao Mossad pela imprensa israelense.
O perfil publicou críticas sarcásticas a líderes iranianos e outros conteúdos, como oferta de consultas de telemedicina, uma sequência enigmática de números e uma enquete sobre quem deveria liderar o país para enfrentar a crise hídrica.
Também divulgou um vídeo com a frase “Make Iran Great Again” (Tornar o Irã grande novamente), adaptação do slogan de Donald Trump, “Make America Great Again”.
O tom das mensagens se intensificou após protestos em massa no Irã no fim de dezembro de 2025, que foram reprimidos com violência.
“Saiam às ruas juntos. Chegou a hora. Estamos com vocês. Não apenas à distância ou com palavras, estamos com vocês no terreno”, dizia uma das publicações.
Na terça-feira, poucas horas depois de Israel matar Ali Larijani, um dos principais líderes iranianos, e um comandante da Basij, a conta comentou: “Pessoas cruéis acabam morrendo”.
VÍDEOS: em alta no g1
Veja os vídeos que estão em alta no g1


