Dólar abre com petróleo em alta e tensão no Oriente Médio

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar iniciou a sessão desta segunda-feira (30) em alta, avançando 0,16% na abertura, aos R$ 5,2496. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h

A alta do petróleo voltou ao radar dos investidores neste início de semana. O movimento reflete as incertezas em torno do conflito no Oriente Médio e já começa a influenciar expectativas para inflação e juros no Brasil.

▶️ No mercado internacional, o petróleo registra nova rodada de alta nesta segunda-feira, em meio ao ceticismo sobre um possível cessar-fogo na guerra envolvendo o Irã, que já dura cerca de um mês.

Por volta das 9h10, avançava 2,07%, a US$ 114,90. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, subia 1,68%, para US$ 101,31.

▶️ No Brasil, o governo federal ainda tenta fechar um acordo com os Estados sobre a proposta de subvenção compartilhada na importação de diesel. A reunião realizada na sexta-feira terminou sem consenso entre as partes.

▶️ Já no cenário macroeconômico, o mercado voltou a elevar a projeção para a inflação oficial do país neste ano. De acordo com o boletim Focus, a estimativa para o IPCA subiu para 4,31%, ante 4,17% na semana anterior — o terceiro aumento consecutivo.

Diante desse cenário, também aumentam as apostas de que o Banco Central possa reduzir os juros em ritmo menor nos próximos meses.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -1,26%;
  • Acumulado do mês: +2,09%;
  • Acumulado do ano: -4,51%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +3,03%;
  • Acumulado do mês: -3,83%;
  • Acumulado do ano: +12,68%.

Petróleo perto dos US$ 115

O petróleo subia mais de 2% nesta segunda-feira (30) e passa a ser negociado próximo a US$ 115 por barril. Com isso, o produto caminha para encerrar o mês com uma valorização de 59%, a maior desde 1990.

  • 🔎 O petróleo Brent, referência global, chegou a US$ 116,5 o barril nas primeiras horas de negociação desta segunda-feira (ainda na noite de domingo no horário de Brasília). Por volta das 9h10, avançava 2,07%, a US$ 114,90. Já o WTI, referência nos EUA, subia 1,68%, para US$ 101,31.

O movimento ocorre em meio às tensões no Oriente Médio, que aumentaram a preocupação dos investidores com possíveis impactos sobre o fornecimento global de petróleo.

O receio é que o conflito provoque uma alta mais persistente dos preços de energia, pressionando a inflação e aumentando o risco de desaceleração econômica em várias partes do mundo.

Os investidores acompanham sinais contraditórios sobre o rumo do conflito.

O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a pressionar o Irã nas redes sociais nesta segunda-feira. Ele afirmou que o país deve reabrir o Estreito de Ormuz — uma passagem marítima estratégica entre o Golfo Pérsico e o oceano Índico — ou poderá enfrentar ataques a instalações de energia, como poços de petróleo e usinas.

A região é considerada vital para o comércio global de energia. Cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportados no mundo passa por esse estreito.

Ao mesmo tempo, o Paquistão afirmou que pretende sediar nos próximos dias negociações para tentar encerrar o conflito. Já o governo iraniano acusou os EUA de preparar uma possível ofensiva terrestre, enquanto reforça sua presença militar na região.

Boletim Focus

Analistas do mercado financeiro voltaram a elevar a estimativa para a inflação no Brasil em 2026. A revisão ocorre em meio à alta do preço do petróleo no mercado internacional, que nesta segunda-feira (30) opera acima de US$ 100 por barril.

O avanço da commodity — impulsionado pela guerra no Oriente Médio — pode pressionar a inflação brasileira, principalmente por meio do aumento no custo dos combustíveis.

As projeções constam no boletim Focus, relatório divulgado semanalmente pelo Banco Central (BC) com estimativas de mais de 100 instituições financeiras para indicadores da economia.

O mercado passou a prever que a inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), termine o ano em 4,31%. Na semana anterior, a projeção era de 4,17%.

Esse foi o terceiro aumento consecutivo na estimativa para o indicador.

O mercado financeiro manteve, na última semana, a previsão para a taxa Selic em 12,5% ao ano no fim de 2026. Esse cenário pressupõe que os juros comecem a cair ao longo do próximo ano.

Para 2027, a projeção também permaneceu estável: os analistas seguem estimando a Selic em 10,50% ao ano no fim daquele período.

No caso da atividade econômica, houve um ajuste pequeno na estimativa de crescimento do país. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,84% para 1,85% em 2026. Para 2027, a expectativa de expansão da economia foi mantida em 1,8%.

Já para o dólar, o mercado não fez mudanças nas projeções. A estimativa é que a moeda norte-americana encerre 2026 em R$ 5,40. Para 2027, a previsão também permaneceu estável, em R$ 5,45.

Mercados globais

Investidores continuam atentos ao conflito no Oriente Médio e aos possíveis efeitos sobre a economia global. A principal preocupação é que a guerra provoque uma alta prolongada nos preços da energia, o que tende a pressionar a inflação e pode reduzir o ritmo de crescimento econômico em diversos países.

Apesar desse cenário de cautela, os indicadores que antecipam a abertura das bolsas em Wall Street apontavam alta nesta segunda-feira.

Os contratos futuros mostravam o índice Dow Jones em alta de 0,4%, aos 45.625 pontos, enquanto os futuros do S&P 500 subiam 0,5%, para 6.445 pontos.

Na sexta-feira passada, porém, as bolsas em Nova York terminaram o dia em queda, e acumularam a quinta semana seguida de perdas — a sequência mais longa em quase quatro anos.

Na Europa, as bolsas operavam em alta no início do dia. O índice STOXX 600, que reúne empresas de vários países do continente, avançava 0,72%.

Na França, o CAC 40 subia 0,2%, para 7.716 pontos, enquanto o DAX, da Alemanha, ganhava 0,1%, aos 22.344 pontos. No Reino Unido, o FTSE 100 registrava alta de 0,8%, para 10.041 pontos.

Na Ásia, por outro lado, os mercados encerraram o pregão sem direção única.

O índice de Xangai subiu 0,2%, enquanto o CSI300 — que reúne grandes empresas listadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen — recuou 0,2%.

Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 0,8%. Já em Tóquio, o Nikkei registrou queda de 2,8%, encerrando aos 51.885 pontos.

Parte dessas perdas reflete a preocupação crescente no Japão e em outros países asiáticos com o acesso ao Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica por onde passa grande parte do petróleo transportado no mundo.

A região depende fortemente desse caminho para importar energia, e qualquer restrição à passagem de navios pode afetar o abastecimento e pressionar os preços.

* Com informações da agência de notícias Reuters.

Dólar vive disparada nos últimos dias — Foto: Cris Faga/Dragonfly/Estadão Conteúdo

Dólar vive disparada nos últimos dias — Foto: Cris Faga/Dragonfly/Estadão Conteúdo