Falhas atrasam eleição no Peru e votação é reaberta
Eleição no Peru: peruanos vão às urnas em disputa com recorde de candidatos
Os eleitores peruanos terão que esperar pelo menos até segunda-feira (13) para conhecer o resultado da eleição presidencial, depois que o processo foi prejudicado por problemas logísticos que deixaram milhares de pessoas no país e no exterior sem conseguir votar neste domingo (12).
Os problemas levaram as autoridades eleitorais a permitir que 63.300 moradores da capital, Lima, votem na segunda-feira. A extensão, anunciada após o início da contagem de votos no domingo à noite, também inclui peruanos registrados para votar em Orlando, na Flórida, e em Paterson, em Nova Jersey.
O voto é obrigatório para peruanos entre 18 e 70 anos. O não comparecimento pode resultar em multa de até US$ 32 (cerca de R$ 160,71)
Um ex-ministro, um comediante e uma herdeira política estão entre os 35 candidatos que disputam a presidência do Peru.
Mais de 25% das urnas foram apuradas nesta madrugada desta segunda. Esse resultado preliminar colocou Rafael López Aliaga na lidera com 19,3%, seguido por Keiko Fujimori, em segundo lugar, com 17,2%. Porém, a margem para o terceiro colocado é curta. Jorge Montesinos está com 15% dos votos.
Um segundo turno é praticamente certo, devido ao eleitorado profundamente dividido e ao grande número de candidatos — o maior da história do país andino.
Um candidato precisa obter mais de 50% dos votos para vencer no primeiro turno.
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A eleição ocorre em meio ao aumento da criminalidade e à corrupção, que têm alimentado o descontentamento generalizado entre os eleitores, que em grande parte veem os candidatos como desonestos e despreparados para a presidência.
Muitos concorrentes responderam às preocupações com a segurança com propostas amplas, incluindo a construção de megaprisões, restrições de alimentação para presos e o restabelecimento da pena de morte para crimes graves.
Mais de 27 milhões de pessoas estão registradas para votar. Destas, cerca de 1,2 milhão votam no exterior, principalmente nos Estados Unidos e na Argentina.
Os eleitores também estão sendo chamados a escolher os membros de um Congresso bicameral pela primeira vez em mais de 30 anos, após reformas legislativas recentes que concentram poder significativo na nova câmara alta.
Os 3 principais candidatos, todos da direita, são:

Keiko Fujimori, Carlos Álvarez e Rafael Lopez Aliaga — Foto: Reuters/Angela Ponca; Reuters/Leslie Moreno; Reuters/Angela Ponce
Keiko Fujimori, Carlos Álvarez e Rafael Lopez Aliaga — Foto: Reuters/Angela Ponca; Reuters/Leslie Moreno; Reuters/Angela Ponce
- Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, aparecia com 15% das intenções de voto, segundo a pesquisa da Ipsos-Peru 21. É sua quarta tentativa de chegar ao poder, e essa persistência revela que tem uma base eleitoral fiel, mas também mostra a incapacidade do fujimorismo de produzir alternativas.
- Logo atrás surgiu Carlos Álvarez, com 8%. Humorista e roteirista, ele é o modelo de “outsider” levado ao extremo: define-se simultaneamente como “de direita, de esquerda e de centro” e propõe medidas como a pena de morte, além da retirada do país da Convenção Americana de Direitos Humanos.
- Em seus calcanhares está Rafael López Aliaga, com 7%. Ex-prefeito de Lima e representante de uma direita ultraconservadora. Católico fervoroso, ele próprio diz que se autoflagela com um cilício para não cair na tentação sexual e ele próprio diz que não tem relações sexuais desde 1981.
Mas, para fazer o cenário mais intrincado ainda, está o empresário e ex-prefeito de Lima, Ricardo Belmont, de 80 anos, que estaria em empate técnico entre Álvarez e Aliaga, segundo alguns levantamentos.
E devido à essa atomização dos votos, o Parlamento que despontar destas eleições também será composto por pequenos grupos, o que fará que o próximo presidente não conte com maioria própria.
Histórico de crises políticas
O Peru teve 9 presidentes nos últimos 10 anos: três eleitos e sete interinos. O presidente que será eleito será o décimo em uma década.
Todos os presidentes eleitos neste século foram para a prisão por escândalos de corrupção e um por ter tentado um autogolpe de Estado.
E um dado de realismo fantástico: os retratos oficiais do penúltimo presidente, José Jerí, ficaram prontos justamente na semana de sua destituição. Foram entregues nos ministérios minutos depois de o Congresso votar o impeachment dele. Os quadros mal chegaram, e o presidente já tinha ido embora.
*Com informações da Associated Press.




