Bloqueio do Estreito de Ormuz pode pressionar petróleo e afetar preços de combustíveis no Brasil; entenda

Posto de gasolina posto de combustível bomba de gasolina — Foto: RPC

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O bloqueio do Estreito de Ormuz pelos Estados Unidos nesta segunda-feira (13) voltou a preocupar analistas do mercado financeiro, diante dos possíveis efeitos nos preços do petróleo e de eventuais riscos para os combustíveis no Brasil.

  • 🔎 O estreito é uma das principais vias marítimas para o comércio global de petróleo, e a interrupção do transporte pelo canal pode limitar a oferta e pressionar os preços da commodity no mercado mundial.

De acordo com a CEO da Magno Investimentos, Olívia Flôres de Brás, o aumento da tensão entre os Estados Unidos e o Irã deixou de ser um fator secundário e passou a “influenciar diretamente a formação de preços globais”, principalmente por atingir um ponto crítico da cadeia de energia.

“Como uma parcela relevante do petróleo global passa por essa região que, agora, está sob risco, o mercado passa a lidar com maior incerteza sobre oferta, o que se traduz em juros mais pressionados”, diz.

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Ainda segundo a executiva, esse cenário também se reflete nas expectativas para os preços do petróleo.

“O Brent [referência internacional] vinha sendo projetado entre US$ 75 e US$ 85 ao longo de 2026. Esse era o cenário de normalidade: crescimento moderado, oferta ajustada e sem grandes rupturas. Mas esse cenário não existe mais”, afirma.

“Com o aumento da tensão envolvendo Irã e o Estreito de Ormuz, o mercado passa a precificar a possibilidade de interrupção. Quando o risco entra, o preço sobe antes do problema acontecer. Hoje, as revisões já começam a apontar para um intervalo mais próximo de US$ 85 a US$ 95 neste ano”, completa.

Bloqueio ao Estreito de Ormuz — Foto: Editoria de Arte/g1

Bloqueio ao Estreito de Ormuz — Foto: Editoria de Arte/g1

E os impactos para o Brasil?

Segundo especialistas consultados pelo g1, apesar de não haver projeção de desabastecimento de combustíveis no Brasil, o aumento dos preços do petróleo no mercado internacional já começa a pressionar a inflação — cenário que pode piorar caso a guerra se estenda.

“Entendemos que não haverá desabastecimento, mas, conforme mostram os preços atuais, cresce a expectativa de um petróleo mais caro por mais tempo”, avalia Felipe Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos.

“O IPCA [inflação oficial do país] já mostrou impacto da guerra, especialmente com o aumento dos preços dos combustíveis. Esse efeito tende a se intensificar se o conflito perdurar, devido ao impacto indireto da alta do diesel sobre a cadeia de distribuição no Brasil”, completa.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na última semana, indicaram que a inflação de março subiu 0,88% em relação ao mês anterior, acima do esperado por economistas (0,7%).

O principal impacto veio do grupo Transportes (1,64%), pressionado pela alta dos combustíveis, de 4,59%.

“A combinação entre restrições de oferta no mercado internacional e repasses domésticos acabou se refletindo nos preços ao consumidor e já aparece nos dados da inflação de março”, disse o gerente do IPCA do IBGE, Fernando Gonçalves, durante a divulgação do índice.

Segundo Brás, da Magno Investimentos, o impacto sobre os preços dos combustíveis tende a depender mais da duração do conflito do que das oscilações diárias do petróleo.

“Se o petróleo sobe em um dia, nada acontece. Se permanece alto, tudo muda”, diz a executiva.

“No curto prazo, pode haver estabilidade, com ajustes contidos e comunicação mais cautelosa. Já no médio prazo, entre um e três meses, o repasse começa a aparecer, primeiro de forma parcial e depois de maneira mais direta. No longo prazo, o repasse é inevitável, seja via preço na bomba ou via inflação”, conclui.

Preços elevados

Desde que os bombardeios começaram, na madrugada de 28 de fevereiro, as incertezas sobre a duração e a intensidade do conflito fizeram o preço do barril do petróleo subir de forma acentuada e já se refletiram no Brasil.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostraram que o preço do diesel ao consumidor subiu R$ 0,05 na primeira semana de março, para R$ 6,08. No dia 14 do mesmo mês, o valor já havia alcançado R$ 6,80.

Na última sexta-feira, dados da agência indicaram que os preços médios do diesel na bomba caíram pela primeira vez desde o início do conflito, mas seguem em patamares elevados. De acordo com a ANP, o recuo foi de 0,2%, para R$ 7,43. Na gasolina, a redução foi de apenas R$ 0,01, para R$ 6,77.