Trump diz que acordo com Irã deve sair ‘relativamente rápido’ e será ‘muito melhor’ que o de governos anteriores

Presidente Donald Trump em 16 de abril de 2026 — Foto: Andrew Leyden/NurPhoto/Reuters

Presidente Donald Trump em 16 de abril de 2026 — Foto: Andrew Leyden/NurPhoto/Reuters

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (20) que não está sob pressão para fechar acordo com Irã, mas que isso deve acontecer “relativamente rápido”.

“Li na imprensa fake news que estou sob “pressão” para fazer um acordo. ISSO NÃO É VERDADE! Não estou sob pressão alguma, embora tudo vá acontecer relativamente rápido”, afirmou em uma publicação na rede social Truth Social.

Também nesta segunda, Trump disse que o novo acordo será “muito melhor” do que o JCPOA, conhecido como acordo nuclear iraniano, fechado durante os governos de Barack Obama e Joe Biden.

“O ACORDO que estamos fazendo com o Irã será MUITO MELHOR do que o JCPOA, comumente chamado de ‘Acordo Nuclear com o Irã’, firmado por Barack Hussein Obama e Sleepy Joe Biden — um dos piores acordos já feitos no que diz respeito à segurança do nosso país. Era um caminho garantido para uma arma nuclear, algo que não vai, e não pode, acontecer com o acordo em que estamos trabalhando”, disse em uma publicação na rede social Truth Social.

As declarações de Trump acontecem em meio a incerteza sobre uma nova rodada de negociações entre os Irã e os EUA, que estavam previstas para começar nesta segunda-feira (20), no Paquistão.

As expectativas sobre negociações são grandes devido a uma escalada de tensões entre Irã e Estados Unidos, a poucos dias do prazo para o fim do cessar-fogo entre os dois países – nesta quarta-feira (22). O principal ponto de atrito envolve o tráfego de navios no Estreito de Ormuz.

No fim de semana, o ataque e a interceptação de um navio iraniano pelo bloqueio naval dos EUA colocou em risco o cessar-fogo (veja mais abaixo).

Também nesta segunda, Trump, disse à rede de TV Fox News que um acordo com o Irã pode ser assinado nesta segunda (20) no Paquistão.

Ao New York Post, Trump afirmou que Vance e a delegação americana estavam a caminho de Islamabad para as negociações. O Paquistão atua como mediador na guerra entre os EUA e Irã.

No mesmo dia, Trump disse à Bloomberg que é “altamente improvável” que ele estenda o cessar-fogo de duas semanas com o Irã se um acordo não for alcançado antes do seu término [na próxima quarta-feira].

O presidente dos EUA afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá bloqueado até que um acordo seja finalizado, segundo a reportagem.

Irã não confirma se vai negociar

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta segunda-feira (20) que ainda não tomou uma decisão sobre sua participação na próxima rodada de negociações com os Estados Unidos, após acusar Washington de não levar o diálogo a sério.

“Neste momento, enquanto falo, não temos nenhum plano para a próxima rodada de negociações e nenhuma decisão foi tomada a respeito”, declarou o porta-voz da diplomacia, Esmail Baqai, durante uma entrevista coletiva.

Uma nova rodada de negociações entre os dois países estava prevista para começar nesta segunda no Paquistão.

No domingo (19), o presidente Donald Trump anunciou que uma delegação americana viajaria ao Paquistão para reativar as negociações com o Irã, ameaçando destruir “todas as usinas elétricas e todas as pontes do Irã” se as conversas fracassarem.

O vice-presidente dos Estados Unidos chefiará a delegação americana, segundo um funcionário da Casa Branca. JD Vance liderou o grupo de negociadores americanos que viajou ao Paquistão para o primeiro ciclo de diálogo, junto com o enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner.

A imprensa iraniana destacou que a suspensão do bloqueio naval americano é uma condição prévia para as conversações.

Cargueiro iraniano é interceptado

Vídeo mostra militares americanos entrando em navio iraniano

Vídeo mostra militares americanos entrando em navio iraniano

O Comando Central do Exército dos Estados Unidos divulgou um vídeo do momento em que militares entram no navio cargueiro iraniano interceptado no Golfo de Omã no domingo (19). As imagens mostram militares descendo de rapel diretamente nos contêineres do navio cargueiro, conhecido como Touska.

Antes da entrada dos militares com o auxílio de um helicóptero, os EUA já havia interceptado o navio a partir de outra embarcação. Segundo o presidente norte-americano, Donald Trump, a embarcação tentou furar um bloqueio naval imposto pelos EUA no Golfo de Omã. Veja a ação no vídeo abaixo.

Navio de guerra dos EUA intercepta embarcação comercial iraniana

Navio de guerra dos EUA intercepta embarcação comercial iraniana

Trump afirmou que o navio foi atingido após desobedecer a uma ordem de parada das forças norte-americanas. De acordo com o presidente, um “buraco” foi aberto na casa de máquinas da embarcação.

Navio iraniano foi interceptado por um destróier norte-americano, em 19 de abril de 2026 — Foto: Centcom

Navio iraniano foi interceptado por um destróier norte-americano, em 19 de abril de 2026 — Foto: Centcom

Na sexta-feira (17), o Irã anunciou a reabertura total da do Estreito de Ormuz. Um dia depois, no entanto, voltou atrás e disse ter fechado a via por causa do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos a portos iranianos.

No sábado (18), a Guarda Revolucionária do Irã atirou contra dois petroleiros indianos que transitavam pela região. A ação foi criticada por Trump nas redes sociais.

“O Irã decidiu disparar tiros ontem no Estreito de Ormuz — uma violação total do nosso acordo de cessar-fogo!”, escreveu Trump em publicação na manhã de domingo. “Isso não foi nada legal, foi?”

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