Em julgamento, filha de Maradona diz que família sofreu ‘manipulação total’ pela equipe médica do pai
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Fãs de Maradona seguram uma faixa que diz ”Justiça para Deus” — Foto: REUTERS/Agustin Marcarian
Fãs de Maradona seguram uma faixa que diz ”Justiça para Deus” — Foto: REUTERS/Agustin Marcarian
“A manipulação foi total e horrível, eu me sinto como uma idiota”, declarou Gianinna, de 36 anos.
Segundo o jornal local Clarín, ela apontou para três dos acusados julgados em San Isidro, perto de Buenos Aires, por negligências potencialmente fatais: o neurocirurgião Leopoldo Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov e o psicólogo Carlos Díaz.
“Eu confiei nessas três pessoas e tudo o que fizeram foi nos manipular e deixar meu filho sem avô”, disse durante a audiência.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Sete profissionais de saúde (médico, psiquiatra, psicólogo e enfermeiros) estão sendo julgados por sua possível responsabilidade na morte de Maradona.
O jogador faleceu aos 60 anos em decorrência de uma crise cardiorrespiratória e de um edema pulmonar, sozinho em sua cama em uma residência alugada, onde estava em recuperação após uma neurocirurgia sem complicações.
No depoimento, Gianinna disse que a internação domiciliar intensiva de Maradona foi uma recomendação de Luque.
“Ele explicou que, se isso não funcionasse, tinha outra opção, mas que primeiro deveríamos tentar a internação domiciliar, que naquele momento era a melhor opção. Não foi uma decisão tomada da noite para o dia. Com a perspectiva que tenho hoje, ouvindo as gravações, não consigo imaginar que estivessem planejando algo diferente”, afirmou.
Gianinna relatou as últimas vezes que viu seu pai, nos dias 17 e 18 de novembro, uma semana antes de sua morte.
Segundo ela, o psicólogo Díaz pediu para que Maradona não recebesse visitas, para que não fosse “sobrecarregado” e para “lhe dar espaço”.
No final do relato, a filha do jogador contou como foi o período após a morte do pai.
“Eles tentaram me culpar, até mesmo outro dia, quando ouvi na imprensa que estavam tentando me culpar por não ter encontrado um médico, e a cada momento, quando os áudios vieram à tona, havia tantas pessoas tentando transferir a culpa para nós, nos responsabilizar”, disse.
“Além do que conversamos, eles tinham toda uma estratégia em andamento em paralelo, e naquela época eu não conseguia entender como alguém poderia ser uma pessoa má ou pensar tão rápido que estava fazendo tudo errado. Eles estavam com medo”, concluiu Gianinna.
Primeiro julgamento anulado
Justiça argentina anula julgamento de equipe médica acusada de negligência na morte de Diego Maradona
O depoimento faz parte de um novo julgamento sobre a morte de Diego Maradona. O primeiro foi anulado em maio de 2025, após a revelação de que a juíza Julieta Makintach participou de um documentário não autorizado sobre o caso.
A juíza renunciou ao cargo epois que um vídeo veio à tona mostrando-a sendo entrevistada por uma equipe de filmagem nos corredores do tribunal e em seu escritório, violando as regras judiciais.
No julgamento inicial, os promotores argumentaram que os profissionais da área médica violaram os protocolos de tratamento e que a casa onde Maradona estava se recuperando de uma cirurgia se assemelhava a um “teatro de horror”, onde os cuidados necessários não foram prestados.
As acusações de negligência surgiram em 2021, depois que os promotores nomearam uma junta médica para investigar a morte de Maradona. O painel concluiu que sua equipe médica agiu de forma “inadequada, deficiente e imprudente”.
São réus:
- a psiquiatra Agustina Cosachov;
- o neurocirurgião Leopoldo Luque;
- o psicólogo Carlos Ángel Díaz;
- a médica Nancy Edith Forlini;
- o enfermeiro Ricardo Almirón;
- o enfermeiro-chefe Mariano Ariel Perroni;
- o médico Pedro Pablo Di Spagna.
Se condenados, eles podem pegar penas de prisão que variam de 8 a 25 anos.
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