Dólar opera em alta após inflação dos EUA marcar maior alta em três anos; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar opera em alta de 0,19% nesta terça-feira (12), cotado a R$ 4,9006 perto das 13h53. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tinha queda de 0,89%, aos 180.296 pontos.

▶️ Nos Estados Unidos, o principal destaque ficou com os novos dados de inflação. Segundo dados do Departamento do Trabalho americano, o índice de preços ao consumidor do país marcou o maior avanço em três anos, impulsionado pelo aumento de custos de alimentos e de energia, com a guerra no Irã. (entenda mais abaixo)

▶️ As tensões entre os EUA e o Irã no Oriente Médio também mexe com os mercados. Teerã pediu o fim do conflito e garantias contra novos ataques, enquanto o presidente Donald Trump classificou a resposta iraniana como “inaceitável” antes de viajar para a China para se reunir com Xi Jinping.

▶️ Já no Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a inflação oficial do Brasil em abril. O dado, calculado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou para 0,67% no mês. Os alimentos continuam sendo a principal pressão sobre os preços. (veja mais abaixo)

▶️ Por fim, o balanço financeiro da Petrobras também fica no radar. Na segunda-feira (10), a estatal reportou um lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre deste ano, queda de 7,2% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado ainda reflete apenas parte da alta do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -0,06%;
  • Acumulado do mês: -1,22%;
  • Acumulado do ano: -10,88%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: -1,19%;
  • Acumulado do mês: -2,89%;
  • Acumulado do ano: +12,90%.

Guerra no Oriente Médio afeta inflação americana

Os preços ao consumidor dos Estados Unidos subiram em ritmo acelerado em abril, pelo segundo mês consecutivo. O movimento foi impulsionado pelos custos mais altos de alimentos e de energia — este último como resultado da guerra no Irã.

Segundo dados do Departamento do Trabalho americano, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês), registrou um avanço de 0,6% no mês passado, após um aumento de 0,9% em março. A alta veio em linha com o esperado pelos analistas do mercado financeiro, segundo a Reuters.

Nos 12 meses até abril, o IPC subiu 3,8%. Esse foi o maior aumento anual desde maio de 2023 e seguiu uma alta de 3,3% em março.

Os preços do petróleo ultrapassaram os US$ 100 por barril em março, após os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. O movimento se refletiu imediatamente no aumento dos preços da gasolina, do diesel e da querosene de aviação.

Além disso, os preços de alimentos subiram 0,5% em abril nos EUA, após permanecerem estáveis em março. A inflação nos supermercados, por sua vez, avançou 0,7%, impulsionada por um aumento de 2,7% nos preços de carne bovina.

A forte alta do CPI reforça a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) deve manter os juros do país elevados por mais tempo. Em sua última reunião, o BC americano deixou as taxas inalteradas na faixa de 3,50% a 3,75%.

Inflação desacelera no Brasil

A inflação oficial do Brasil desacelerou em abril, mas os alimentos continuam pesando no bolso do consumidor. O índice ficou em 0,67% no mês, abaixo dos 0,88% registrados em março, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Mesmo com a desaceleração mensal, a inflação acumulada em 12 meses subiu de 4,14% para 4,39%.

Os maiores aumentos vieram dos grupos de alimentação e bebidas, que subiu 1,34%, e saúde e cuidados pessoais, com alta de 1,16%. Juntos, eles responderam por cerca de 67% da inflação de abril.

Entre os outros grupos, habitação avançou 0,63%, vestuário 0,52% e transportes teve alta mais leve, de 0,06%.

A Petrobras teve lucro de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 7,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

Apesar disso, o resultado mais que dobrou na comparação com o fim de 2025.

A alta do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, ajudou os resultados da empresa.

A petroleira também aumentou a produção de petróleo e as vendas de combustíveis, como diesel e gasolina.

💰Além disso, a estatal aprovou o pagamento de R$ 9 bilhões em dividendos aos acionistas, o equivalente a R$ 0,70 por ação.

Cessar-fogo no Oriente Médio “respira por aparelhos”

As chances de um cessar-fogo entre Irã e os EUA diminuíram após Donald Trump afirmar que a trégua está “respirando por aparelhos”.

O Irã rejeitou a proposta americana para encerrar o conflito e exigiu o fim da guerra, compensações pelos danos e o fim do bloqueio naval dos EUA.

  • 🔎A tensão também elevou o preço do petróleo: o barril do Brent ultrapassou US$ 107 com o temor de interrupções no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás.

Enquanto isso, os EUA anunciaram novas sanções contra empresas e pessoas acusadas de ajudar o Irã a vender petróleo para a China.

Trump deve chegar à China nesta quarta-feira (13) para se reunir com Xi Jinping, e a crise no Oriente Médio deve estar entre os temas discutidos

Mercados globais

Após dados de inflação nos EUA virem acima do esperado, as bolsas de Wall Street operavam em queda.

No início da tarde, o índice Dow Jones caía 0,18%. O S&P 500 recuava 0,98%, enquanto o Nasdaq tinha queda de 2,01%.

Na Europa, as bolsas fecharam em queda. O índice alemão DAX recuou 1,54%, enquanto o francês CAC 40 caiu 0,45%. Já o FTSE 100, de Londres, encerrou o dia perto da estabilidade, com leve alta de 0,04%.

As bolsas da Ásia fecharam mistas nesta terça-feira, com investidores atentos ao encontro entre Donald Trump e Xi Jinping nesta semana.

Na China, os índices recuaram após fortes altas recentes: Xangai caiu 0,25% e Hong Kong perdeu 0,22%. Já o Japão avançou 0,52%. A maior queda foi na Coreia do Sul, onde o índice Kospi recuou 2,29%.

Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025. — Foto: Tatan Syuflana/ AP

Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025. — Foto: Tatan Syuflana/ AP