IPCA: inflação desacelera para 0,67% em abril, mas alimentos seguem como principal pressão

IPCA: inflação desacelera para 0,67% em abril

IPCA: inflação desacelera para 0,67% em abril

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,67% em abril, segundo dados divulgados nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mostra uma desaceleração em relação a março, quando os preços haviam avançado 0,88%.

  • 🎯 Mesmo com esse resultado, o índice segue dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2026, o objetivo é manter o IPCA em 3%, com limite máximo de 4,5%. Desde o ano passado, essa meta passou a ser contínua — isso significa que o cumprimento é acompanhado mês a mês com base na inflação acumulada em 12 meses.

O grupo Alimentação e bebidas foi o que mais pressionou a inflação de abril, respondendo sozinho por 0,29 ponto percentual do IPCA. Na sequência, apareceu Saúde e cuidados pessoais, com impacto de 0,16 ponto percentual.

Juntos, os dois grupos concentraram a maior parte da alta dos preços no mês e foram responsáveis por cerca de dois terços (67%) do resultado do índice.

Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE, a pressão dos alimentos refletiu uma combinação de menor oferta de alguns produtos e aumento nos custos de transporte.

“Os combustíveis sendo mais caros acabam influenciando o preço do frete. E, chegando no transporte, obviamente isso chega para o consumidor final no preço que ele vai pagar lá no balcão.”

Veja o resultado dos grupos do IPCA:

  • Alimentação e bebida: 1,34%;
  • Habitação: 0,63%;
  • Artigos de residência: 0,65%;
  • Vestuário: 0,52%;
  • Transportes: 0,06%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 1,16%;
  • Despesas pessoais: 0,35%;
  • Educação: 0,06%;
  • Comunicação: 0,57%.

🍽️ Alimentação segue pressionando inflação

O grupo Alimentação e bebidas subiu 1,34% em abril e acumula alta de 3,44% nos quatro primeiros meses de 2026, mantendo-se como o principal fator de pressão sobre a inflação no período.

Dentro de casa, os preços dos alimentos consumidos no domicílio avançaram 1,64%. As maiores altas foram registradas em produtos bastante presentes no dia a dia dos brasileiros:

Alimentos que mais encareceram em abril, em relação a março de 2026. — Foto: Arte/g1

Alimentos que mais encareceram em abril, em relação a março de 2026. — Foto: Arte/g1

Nem todos os itens, porém, ficaram mais caros no mês. Alguns produtos tiveram queda de preço:

Alimentos que mais baratearam em abril, em relação a março de 2026. — Foto: Arte/g1

Alimentos que mais baratearam em abril, em relação a março de 2026. — Foto: Arte/g1

Já a alimentação fora do domicílio — que inclui gastos com restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos semelhantes — teve alta de 0,59% em abril.

Os lanches continuaram subindo, mas em ritmo um pouco menor, passando de 0,89% em março para 0,71% em abril. No caso das refeições, como almoços e jantares, a variação foi de 0,49% para 0,54% no mesmo período.

O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 1,16% em abril, tornando-se o segundo principal fator de pressão sobre a inflação no mês.

A alta foi puxada principalmente por itens bastante presentes no dia a dia dos consumidores:

  • 💊 Produtos farmacêuticos: 1,77%
  • 🧴 Artigos de higiene pessoal: 1,57%
  • 🌸 Perfumes: 1,94%

No caso dos medicamentos, o avanço dos preços ocorreu após a autorização para reajustes de até 3,81%, em vigor desde 1º de abril.

Já os produtos de higiene pessoal também contribuíram para elevar o índice, com destaque para os perfumes, que registraram a maior alta dentro dessa categoria.

✈️ Queda das passagens aéreas reduz pressão dos transportes

O grupo Transportes praticamente ficou estável em abril, com alta de apenas 0,06%, após ter avançado 1,64% em março. A desaceleração foi provocada principalmente pela forte queda das passagens aéreas, que ficaram 14,45% mais baratas no período.

Também contribuíram para aliviar a inflação as reduções nas tarifas de ônibus urbanos e de metrô, refletindo a adoção de gratuidades e descontos em domingos e feriados em diversas capitais do país.

Por outro lado, os combustíveis continuaram em alta e impediram uma queda mais acentuada do grupo. Os principais movimentos foram:

  • Gasolina: 1,86%
  • 🚛 Óleo diesel: 4,46%
  • 🌽 Etanol: 0,62%
  • 🚗 Gás veicular: -1,24%

Mesmo com alta menor do que a registrada em março, a gasolina continuou sendo o item com maior impacto individual sobre o IPCA de abril, respondendo sozinha por 0,10 ponto percentual do índice.

Outros serviços de transporte também ficaram mais caros, como o ônibus intermunicipal e as corridas de táxi, influenciados por reajustes tarifários em algumas cidades.

Consumidores estão sentindo no bolso o aumento no preço dos alimentos em supermercados. — Foto: Rede Amazônica

Consumidores estão sentindo no bolso o aumento no preço dos alimentos em supermercados. — Foto: Rede Amazônica