Ministro da Fazenda defende revisão do cálculo da inflação no Brasil

Secretário executivo da Fazenda, Dario Durigan. — Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda

Secretário executivo da Fazenda, Dario Durigan. — Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, se mostrou favorável a discutir possíveis ajustes na forma como a inflação é calculada no Brasil, argumentando que estudiosos apontam uma defasagem na lista de itens usados para medis a alta de preços.

Em podcast produzido pela Warren Investimentos, Durigan afirmou que o modelo atual ainda dá mais importância a itens que perderam relevância, enquanto outros, que ganharam peso nos últimos anos, têm menor representação.

“O nosso modelo, por exemplo, dá peso para coisas que hoje não têm mais o peso que tinham anteriormente, e coisas que hoje têm peso, assinatura de streaming, serviço de nuvem às vezes já pesam muito mais do que algo que estava na metodologia há décadas”, afirmou.

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O ministro também disse ver com bons olhos o debate sobre aprimoramentos no boletim Focus, do Banco Central, para que a pesquisa ganhe mais transparência. O Focus é um relatório divulgado pelo BC que reúne projeções do mercado para inflação, juros e economia.

Na entrevista, Durigan afirmou que não mexeria na meta de inflação, atualmente em 3%, embora avalie que o modelo de meta de inflação contínua (em que a meta é válida o tempo todo, e não apenas em um período específico) adotado pelo governo ainda não tenha sido plenamente compreendido pela sociedade e por estudiosos.

Ao abordar o elevado nível de juros no país, Durigan apontou as oscilações no dólar e o baixo nível de poupança como fatores que impactam negativamente a política de juros do país.

“A questão da poupança é um elemento importante, a volatilidade no mercado de câmbio brasileiro é outro mecanismo que a gente ouve muito, ainda que não se diga muito isso, tem um prêmio de risco que o Brasil tem que pagar para garantir alguma estabilidade”, disse.

O ministro também reconheceu que a política fiscal influencia diretamente os juros da economia e defendeu conter o avanço das despesas obrigatórias para abrir espaço para investimentos.

Ele voltou a afirmar que o governo insistirá nas negociações para que o Congresso Nacional não aprove pautas-bomba, de elevado impacto fiscal, que poderiam afetar a inflação, a carga tributária e o nível dos juros.

Caso as medidas sejam aprovadas, segundo o ministro, o governo deverá vetá-las e poderá acionar o Supremo Tribunal Federal (STF).

A equipe econômica estimou na semana passada que propostas em tramitação no Congresso somam um custo extra estimado em R$ 111 bilhões por ano para as contas públicas, incluindo medidas como a renegociação de dívidas rurais, a elevação do teto do Simples Nacional e o aumento de pisos salariais de categorias profissionais.