Sicupira, Saggioro e filho de Lemann: quem são os alvos da PF no caso de fraude nas Americanas

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Veja a lista de alvos

  • Carlos Alberto da Veiga Sicupira, acionista de referência das Americanas;
  • Paulo Alberto Lemann, acionista de referência das Americanas e filho de Jorge Paulo Lemann;
  • Eduardo Saggioro Garcia, conselheiro das Americanas e apontado como operador direto dos sócios da 3G Capital;
  • José de Castro Araújo Rudge Filho e Gustavo Balassiano, executivos do Itaú Unibanco;
  • Carlos Henrique Villela Pedras, diretor executivo do Bradesco e membro do conselho de administração da Alelo S.A.;
  • André Juaçaba de Almeida, sócio e vice-presidente executivo do Santander; e
  • Alexandre Lian Abdo, chefe de Banking e Corporate Finance do Santander.

Quem é Paulo Alberto Lemann?

Paulo Alberto Lemann é filho de Jorge Paulo Lemann, um dos empresários mais ricos do país, com uma fortuna estimada em US$ 20,2 bilhões (R$ 105,2 bilhões) segundo a Forbes. Jorge Paulo, no entanto, não está entre os investigados na operação deflagrada nesta quinta-feira.

Paulo Alberto foi conselheiro de administração das Americanas e deixou o cargo em setembro de 2024, após acionistas indicarem novos nomes para a composição do conselho.

O empresário Beto Sicupira. — Foto: Janete Longo/Estadão Conteúdo/Arquivo

O empresário Beto Sicupira. — Foto: Janete Longo/Estadão Conteúdo/Arquivo

Um dos sócios fundadores da 3G Capital e parte do trio de investidores de referência das Americanas, Beto Sicupira, como é conhecido no mercado, tem uma fortuna estimada em US$ 6,9 bilhões (R$ 35,9 bilhões), segundo a Forbes.

A maior parcela da fortuna de Beto Sicupira vem de suas ações na cervejaria AB InBev, com cerca de 3% de participação, de acordo com a Forbes.

Filho de uma dona de casa e um funcionário público que fez carreira no Banco do Brasil, Sicupira nasceu no Rio de Janeiro, em 1º de maio de 1948. Ainda adolescente, começou a empreender com venda de carros usados. Ele cursou administração de empresas na UFRJ e também tem especialização na Universidade de Harvard.

Em 2000, criou a Fundação Brava, que investe em projetos de melhoria da gestão pública e de organizações sem fins lucrativos. Ele também é um dos investidores da Fundação Estudar, entidade que oferece bolsas de estudo para estudantes talentosos nas melhores universidades do mundo.

Quem é Eduardo Saggioro Garcia?

Eduardo Saggioro Garcia foi apontado na operação da PF como um operador direto do trio de sócios do 3G Capital, Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles.

Garcia é sócio da LTS, holding do trio de investidores, e faz parte do conselho de administração das Americanas, tendo sido reconduzido ao cargo em 2024 como um dos representantes dos acionistas de referência após a reestruturação do conselho.

O que diz as Americanas?

Em nota, as Americanas afirmou que não foi alvo de mandados de busca e apreensão da Operação da Polícia Federal e reiterou que a ação se refere às fraudes contábeis reveladas em 2023.

Veja a nota das Americanas na íntegra:

“A Americanas informa que não foi alvo de mandados de busca nesta manhã e que a Operação Disclosure realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal se refere à fraude revelada em 2023. A Companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos.”

O que dizem os acionistas de referência?

Em nota, os acionistas de referência se disseram “surpreendidos” pela operação da PF, reiterando que as investigações ao longo dos últimos anos indicam que a antiga diretoria da companhia continuamente os enganou e induziu a erro. Veja a nota na íntegra:

“Os acionistas de referência foram surpreendidos pela operação deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira, 25.

As investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal ao longo dos últimos anos, inclusive com base em acordos de colaboração premiada, indicam que o Conselho de Administração e os acionistas de referência foram continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da Companhia.

Os acionistas de referência entendem que a operação integra o curso regular das apurações em andamento e reiteram seu compromisso de colaborar plenamente com as autoridades competentes para o esclarecimento dos fatos, como vêm fazendo desde 11 de janeiro de 2023, quando tiveram conhecimento das fraudes contábeis.

Até o momento, as defesas não tiveram acesso à íntegra da decisão judicial que fundamentou a medida, razão pela qual aguardam mais informações para eventual manifestação complementar.”