Anfavea volta a criticar imposto menor para carros chineses e fala em ‘competição desigual’
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Fábrica da BYD em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador — Foto: Malu Vieira/ g1 BA
Fábrica da BYD em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador — Foto: Malu Vieira/ g1 BA
Segundo o executivo, as marcas de veículos com infraestrutura instalada há mais tempo no Brasil ficam em desvantagem na competição contra as marcas chinesas, que trazem veículos desmontados em grandes volumes e com menos impostos.
“Se é para simplesmente importar, a empresa faz isso com custo chinês, com logística e custo de capital mais baratos. Aí não há jeito de competir”, explica Calvet.
Carregador ultrarrápido da BYD vai até 97% em 9 minutos
Pela decisão do governo, os veículos montados no Brasil (chamados de CKD) e os semimontados no país (chamados de SKD) não pagarão imposto de importação pelos próximos seis meses.
O volume de importações que não pagarão imposto é de US$ 463 milhões durante seis meses, a partir de 1º de julho de 2026. A medida vale até janeiro de 2027.
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Como são montados os carros com partes importadas — Foto: Arte/g1
Como são montados os carros com partes importadas — Foto: Arte/g1
Critério ruim
Uma das reclamações da Anfavea junto ao Gecex é de que não houve discussão em postergar o incentivo. A decisão teria sido tomada sem consultar a entidade e seus associados.
Segundo Andrea Serra, diretora tributária e de comércio exterior da Anfavea, um dos critérios para usufruir do benefício é o cálculo do volume de importação. Essa conta leva em consideração as operações desde 2023, o que, segundo Serra, não reflete o mercado de hoje.
“Um dos nossos pedidos seria considerar somente os últimos seis meses para dividir essa cota com um retrato mais atual do mercado brasileiro”, explica a diretora.
Da maneira como está calculada a isenção, cerca de 80% dessa cota corresponde somente a BYD.
Mais desemprego
Segundo Calvet, se o Brasil mudasse toda a indústria automotiva para os regimes de CKD e SKD, seriam perdidos 70% dos empregos do setor. Isso aconteceria porque o processo de montagem é mais simples, tem menos etapas e demanda menos mão de obra.
Um estudo da Anfavea estima que, de cada 10 trabalhadores necessários para a produção de carros no Brasil, apenas 3 seriam necessários para montar o mesmo carro em regime de CKD ou SKD.
“Não adianta haver indicativo que o Brasil precisa caminhar para uma produção sofisticada e completa de carro eletrificados e, ao mesmo tempo, haver incentivo para importação de carros desmontados”, diz Calvet.
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Igor Calvet, presidente da Anfavea — Foto: Divulgação | Anfavea
Igor Calvet, presidente da Anfavea — Foto: Divulgação | Anfavea
Novas projeções
Se a estimativa se confirmar, será a primeira vez desde 2014 que o setor alcançará esse patamar. A expectativa da entidade é de que os emplacamentos cresçam 11,7% em relação a 2025, bem acima da previsão divulgada em janeiro, que apontava alta de apenas 2,7%.
Segundo a Anfavea, o desempenho é impulsionado principalmente pelo mercado de automóveis e comerciais leves, cuja projeção de crescimento foi elevada para 12,6%. Já os segmentos de caminhões e ônibus devem encerrar o ano em queda de 6%.
Apesar do aquecimento das vendas no mercado interno, a entidade afirma que a indústria nacional não consegue acompanhar o mesmo ritmo de crescimento por causa do aumento das importações e da redução das exportações.
A projeção para a produção de veículos também foi revisada para cima, passando de crescimento de 3,7% para 5,8% em relação ao ano passado. Com isso, o Brasil deve fabricar cerca de 2,8 milhões de veículos em 2026, o maior volume desde 2019.
“O mercado nacional segue muito aquecido, e isso tem contribuído para uma leve alta no nível de empregos. Por outro lado, parte dessa recuperação vem sendo capturada pelas importações”, afirmou Calvet.
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Linha de montagem da fábrica da Volkswagen em Taubaté (SP) — Foto: divulgação/Volkswagen
Linha de montagem da fábrica da Volkswagen em Taubaté (SP) — Foto: divulgação/Volkswagen
Melhor primeiro semestre desde antes da pandemia
Os números do primeiro semestre reforçam o bom momento do mercado automotivo brasileiro. Entre janeiro e junho, foram produzidos 1,372 milhão de veículos, alta de 8,8% em relação ao mesmo período de 2025.
Esse é o melhor resultado para o período desde 2019. As vendas de automóveis cresceram 23,7% no semestre, o equivalente a 208 mil unidades a mais do que no ano anterior.
De acordo com a Anfavea, cerca de 73 mil dessas vendas foram impulsionadas pelo programa Carro Sustentável, voltado aos veículos de entrada. Outros 130 mil veículos vendidos vieram do avanço dos modelos eletrificados — sendo aproximadamente 70 mil produzidos no Brasil e 60 mil importados.
Em junho, os veículos eletrificados alcançaram participação recorde no mercado brasileiro, representando 20,9% das vendas de veículos leves.
Já o mercado de pesados continua mais fraco. No acumulado do semestre, as vendas de caminhões caíram 10,5%, enquanto as de ônibus recuaram 11,6%, apesar de junho ter registrado o melhor desempenho do ano para ambos os segmentos.
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Veículos da Stellantis produzidos no Brasil para exportação — Foto: Divulgação / Stellantis
Veículos da Stellantis produzidos no Brasil para exportação — Foto: Divulgação / Stellantis
Exportações caem mais de 20%
Enquanto o mercado interno segue aquecido, as exportações continuam em retração. Em junho, os embarques de veículos ficaram 26,7% abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado. No acumulado do semestre, o Brasil exportou 216,6 mil veículos, queda de 21,2%.
Segundo a Anfavea, a principal razão é a redução da demanda da Argentina, tradicional destino das exportações brasileiras, além do avanço da concorrência de veículos produzidos na China e no México.
Diante desse cenário, a entidade passou a projetar queda de 12,8% nas exportações em 2026. Em janeiro, a expectativa era de crescimento de 1,5%.
O avanço das importações fez o setor automotivo brasileiro voltar a registrar déficit na balança comercial após vários anos.
Entre janeiro e junho, entraram no país 280,6 mil veículos importados, enquanto as exportações ficaram abaixo desse volume em cerca de 63 mil unidades.
A China respondeu por metade dos veículos importados no período. Em apenas um ano, o número de automóveis chineses vendidos no Brasil dobrou, passando de cerca de 70 mil para 140 mil unidades, segundo a Anfavea.



