Crise do BRB: Durigan nega ‘inércia’ da União e diz que reclamação do governo do DF prejudica acordo

Prédio-sede do BRB em Brasília, em imag — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Prédio-sede do BRB em Brasília, em imag — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, contestou nesta quinta-feira (6) a reclamação do governo do Distrito Federal sobre uma suposta “inércia” do governo federal nas tratativas do empréstimo de R$ 6,6 bilhões para socorrer o Banco de Brasília (BRB).

“[A acusação de inércia] Gerou profunda insatisfação nas equipes do governo federal que vêm viabilizando o acordo. Parece bastante estranho quando a gente lembra que o problema do BRB tem origem crimonosa no BRB e no governo do DF”, rebateu Durigan.

O ministro afirmou que as equipes envolvidas nas tratativas ficaram “profundamente incomodadas”, e que as informações pendentes para a conclusão do acordo devem ser prestadas pelo próprio governo do DF.

“E eu aqui gostaria de rechaçar: não há nenhuma inércia. Inclusive, há contribuição da União com algo que não tem a ver com a União, é todo do DF. Estarei na audiência pública para levar, inclusive, essa fala de indignação das equipes. Essa insatisfação atrapalha o andamento”, emendou.

DF criticou União e FGC em ofício

No ofício enviado ao ministro Luiz Fux, o governo do Distrito Federal reclama da “inércia” da União e do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no cumprimento do acordo homologado em maio.

“Decorridos mais de dois meses da celebração do acordo […] não há concessão, não há recusa, não há proposta, não há indicação de condições, de cronograma ou dos elementos que o Fundo repute necessários à análise nem há pela União o cumprimento das disposições contratuais”, diz a reclamação feita pelo governo do DF ao Supremo.

Pela decisão de Fux, devem participar da audiência representantes do governo do DF, do BRB, da Advocacia-Geral da União, do Ministério da Fazenda, do Banco Central, do FGC e do Ministério Público Federal.

O Banco do Brasil também deverá enviar um representante, em nome do consórcio de bancos que estuda a concessão do empréstimo de até R$ 6,6 bilhões.

Presidente do BRB explica modelagem do empréstimo que pode salvar o banco

Presidente do BRB explica modelagem do empréstimo que pode salvar o banco

➡️O governo do DF tem pressa para finalizar a contratação do empréstimo e recompor o patrimônio do BRB, danificado pelas transações malsucedidas com o Banco Master.

➡️O BRB não divulga seu balanço patrimonial desde novembro de 2025, justamente em razão da fragilidade deixada por essas operações. O governo do DF, como acionista controlador do banco, é o ente responsável por sanear o quadro.

Que crise é essa?

Plano ainda não deu frutos

O documento foi apresentado em 6 de fevereiro como um “plano de capital preventivo”. O material incluía uma série de providências para reforçar, se necessário, o patrimônio do BRB após a sequência de transações malsucedidas com o Banco Master.

O empréstimo segue pendente, aguardando sinal verde dos principais bancos públicos e privados do país. É essa a etapa que deve ser discutida na audiência de conciliação convocada por Fux.

O plano preventivo de capital do BRB segue sob sigilo, 180 dias após a apresentação. Por isso, não é possível saber exatamente quantas e quais medidas foram incluídas nele.

Desde fevereiro, o BRB anunciou outras ações para tentar reverter parte do prejuízo:

Como não divulga seus balanços patrimoniais desde 2025, no entanto, o BRB ainda não conseguiu detalhar o benefício gerado por essas medidas – e nem quanto ainda falta para equalizar o patrimônio.

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