De estrela de Cambridge a acusado de mentir e plagiar: entenda caso de professor inglês negro achado morto

Jason Arday carrega a chama olímpica no trecho do revezamento entre Sutton e Merton, em Londres, em 23 de julho de 2012 — Foto: Joe Giddens/AP

Jason Arday carrega a chama olímpica no trecho do revezamento entre Sutton e Merton, em Londres, em 23 de julho de 2012 — Foto: Joe Giddens/AP

No mês passado os questionamentos sobre suas qualificações e feitos ganharam repercussão pública após serem levantados por Nathan Cofnas, ex-pesquisador de filosofia de Cambridge.

A imprensa britânica levantou dúvidas sobre a afirmação do professor de que teria arrecadado 5,5 milhões de libras, cerca de R$ 38,8 milhões, para instituições de caridade por meio de desafios esportivos.

Arday dizia ter enfrentado dislexia, atrasos no desenvolvimento e autismo, condições que, segundo ele, fizeram com que permanecesse sem falar até os 11 anos e não soubesse ler e escrever até o fim da adolescência.

Além disso, ele dizia ter corrido 30 maratonas em 35 dias e percorrido cerca de 965 quilômetros em seis dias.

Em 24 de julho, o “The Times” chegou a publicar uma análise da tese de doutorado de Arday, apresentada em 2015. Segundo o jornal, o trabalho continha vários trechos “idênticos ou quase idênticos” aos de um artigo publicado anteriormente por outro pesquisador.

Dezenas de acadêmicos de Cambridge assinaram uma carta pedindo uma investigação independente sobre a contratação de Arday.

A saída de Cambridge

A Universidade de Cambridge, no Reino Unido — Foto: Reprodução

A Universidade de Cambridge, no Reino Unido — Foto: Reprodução

O professor havia renunciado na semana passada ao cargo de professor de sociologia da educação na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, devido às acusações.

A princípio, quando os questionamentos sobre a trajetória de Arday haviam começado, a universidade defendeu o professor e afirmou que as acusações de plágio já haviam sido investigadas pela Liverpool John Moores University, instituição que o concedeu o título de doutor.

Posteriormente, Cambridge mudou de posição e anunciou a abertura de uma investigação após receber “novas informações sobre as qualificações e nomeações honorárias do professor Arday”.

Nesta semana, Deborah Prentice, vice-reitora de Cambridge, também anunciou uma revisão dos processos de contratação da universidade.

A vice-reitora afirmou que os funcionários negros e de outras minorias étnicas de Cambridge são “altamente valorizados” pela produção acadêmica, pelas conquistas e pelas contribuições à universidade e à comunidade científica.

“Este caso específico é uma exceção e não deve ser usado para lançar dúvidas sobre o trabalho dessas pessoas ou sobre a legitimidade das funções que ocupam em Cambridge”, afirmou Prentice na quinta-feira (13).

  • Mais de 20 acadêmicos e políticos que apoiavam o ex-professor classificaram as acusações como uma “campanha difamatória” destinada a prejudicar Arday e outras pessoas negras que ocupam “posições de influência”.

Em comunicado divulgado pela editora Simon & Schuster do Reino Unido, a família de Arday disse estar “em choque por ter perdido esse pai, companheiro, irmão, tio e filho incrível”.

“A campanha de desinformação foi demais para Jason, que era um homem gentil e sempre queria enxergar o melhor nas pessoas”, afirmou a família.

Segundo os parentes, Arday foi alvo durante três anos de uma “campanha contínua de ataques” promovida por pessoas que “não deixariam pedra sobre pedra na tentativa de prejudicá-lo”.

*Com informações da AP

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