Uvas crescem em meio ao calor e aos cafezais e viram de suco a biscoitos no Norte do ES
Produtor desafia calor e cultiva uvas no Norte do Espírito Santo
Longe das vinícolas italianas e dos vinhedos gaúchos, uma propriedade no Norte do Espírito Santo surpreende com parreirais cheios de cachos de uva crescendo em meio às lavouras de café e desafiando o clima quente típico da região.
Entre os cafezais de conilon e as altas temperaturas (acima dos 30 graus), o produtor Francisco Santiago apostou nesse cultivo pouco comum em sua propriedade que fica no interior de Jaguaré. A diversificação vai além do cultivo: as frutas se transformam em sucos e até biscoitos.
Essa experiência começou em 2018 e hoje já são mais de 400 árvores distribuídas em uma área de quase meio hectare.
A aposta surgiu depois que Francisco conheceu uma propriedade que já trabalhava com a cultura da uva por meio de uma iniciativa de incentivo à produção rural. “Gostei, achei bonito e decidi plantar”, relembrou. E a aposta deu certo.
No início, a falta de informações sobre o cultivo e a incerteza sobre o retorno financeiro que a produção daria foram os principais obstáculos.
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Uvas produzidas em Jaguaré, no Norte do Espírito Santo — Foto: Douglas Abreu
Uvas produzidas em Jaguaré, no Norte do Espírito Santo — Foto: Douglas Abreu
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Mas, com pesquisa e adaptação, além da insistência, o produtor conseguiu provar que a fruta poderia se desenvolver mesmo em um lugar inusitado.
“Eu pensei que poderia não dar tão certo, e isso me incentivou a fazer as pesquisas e mostrar que é possível. […] As variedades que eu tenho aqui deram bastante certo na nossa região”, contou Francisco.
Colheita e variedades
Em vez de depender de apenas uma única colheita, Francisco trabalha com duas podas anuais, geralmente nos meses de fevereiro e agosto.
Ele explicou que a quantidade de uva produzida varia conforme as condições climáticas de cada ano, mas o retorno é significativo: a cada safra, o produtor consegue colher de 2 mil a 5 mil quilos de uvas por planta.
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Três tipos de uvas são produzidos em meio ao calor e aos cafezais em Jaguaré, no Norte do Espírito Santo — Foto: Douglas Abreu
Três tipos de uvas são produzidos em meio ao calor e aos cafezais em Jaguaré, no Norte do Espírito Santo — Foto: Douglas Abreu
Três variedades são cultivadas na propriedade: Niágara Rosada, Isabel Precoce e Bordô. O consultor técnico Douglas Gasparetto, do programa estadual Arranjos Produtivos, explicou as diferenças entre elas.
A Niágara Rosada é voltada para o consumo in natura. Já a Isabel Precoce pode ser vendida “em banca”, mas é mais utilizada na produção de vinhos.
A Bordô, por sua vez, tem frutos menores, mas é doce e aromática, e pode ser usada em sucos e vinhos quando usada junto às outras variedades.
Gasparetto ressaltou ainda que o beneficiamento das uvas que não são vendidas diretamente para o consumidor final também ajuda o agricultor a aumentar a produtividade e o lucro.
“Isso potencializa o agroturismo local. O produtor não precisa vender só quando tem uva, mas também [pode vender os produtos beneficiados] durante o ano na feira, na merenda escolar, agregando também na renda da família”, explicou o consultor técnico.
Uvas movimentam o mercado
A diversificação de culturas também é incentivada pelo município para fortalecer a economia local e para que os produtores não dependam apenas do café.
A secretária de Turismo de Jaguaré, Vera Becker, contou que, nos últimos anos, a produção rural da cidade começou a se destacar. E parte desse novo cenário tem a ver com a diversificação das culturas nas roças.
O município, um dos maiores produtores do conilon do Brasil, já conta com cerca de 20 marcas de café e outros produtos agroartesanais derivados.
Agora, produtos como licor, geleia, biscoitos e até cocada feitos com as uvas se destacaram. O próprio Francisco também começou a fazer polpas para suco e garantiu que o produto faz sucesso.
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Biscoitos, polpas e até cocadas são feitos com uvas produzidas em Jaguaré, no Norte do Espírito Santo — Foto: Douglas Abreu
Biscoitos, polpas e até cocadas são feitos com uvas produzidas em Jaguaré, no Norte do Espírito Santo — Foto: Douglas Abreu
“Isso vai trazendo um estímulo maior aos pequenos empreendedores e agricultores a diversificar, inovar e automaticamente melhorar a qualidade de vida e renda das famílias”, ressaltou a secretária.
Na cidade, a empreendedora Lúcia Fernandes, que já fazia biscoitos artesanais com café, passou a utilizar a uva como ingrediente.
“Eu comecei para um auxílio de renda, mas foi evoluindo aos poucos. Graças a Deus, a procura está sendo cada vez maior. Estou me dedicando mais para conseguir atender a clientela que nós temos hoje, que são muitos, graças a Deus”, contou Lúcia.
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Plantação de uvas no meio dos cafezais em Jaguaré, no Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Plantação de uvas no meio dos cafezais em Jaguaré, no Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta



