Dólar opera em alta e vai a R$ 5,18, à espera de juros e de olho em quadro político brasileiro; Ibovespa cai
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar opera em alta nesta segunda-feira (14), em meio a uma maior aversão ao risco no mercado. A moeda subia 0,78% perto das 11h45, cotada a R$ 5,1651. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,1823. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tinha queda de 1,17% no mesmo horário, aos 185.024 pontos.
O mercado segue em compasso de espera pelas novas decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, além de continuar atento ao quadro político brasileiro, tanto em relação à crise do Supremo Tribunal Federal (STF), quanto em meio à proximidade das eleições presidenciais.
▶️ Investidores aguardam as novas decisões de juros do Banco Central do Brasil (BC) e do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), na chamada Superquarta. No Brasil, a previsão é que o Comitê de Política Monetária (Copom) promova mais um corte da Selic. Já para os EUA, o mercado aposta em uma nova alta de juros no país.
▶️ No Brasil, o foco fica com a crise no STF, com a suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A expectativa é que haja uma sessão nesta semana para determinar se Moraes será investigado no caso, após um relatório da Polícia Federal ter revelado mensagens trocadas entre os dois. (entenda mais abaixo)
▶️ Além disso, a proximidade das eleições presidenciais no Brasil também ficam no radar. Na última sexta-feira, uma pesquisa Datafolha, encomendada pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, indicou que o presidente Lula (PT) aparece com 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) tem 44% em eventual disputa de 2º turno. Eles estão empatados tecnicamente.
▶️ No exterior, novos ataques na Arábia Saudita e no Estreito de Ormuz voltaram a pressionar o petróleo. O oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita foi fechado temporariamente após um ataque com drones, segundo autoridades sauditas. A estrutura ajuda o país a contornar o Estreito de Ormuz e redirecionar suas exportações. Sua paralisação ameaça até 4% do abastecimento global de petróleo.
- Os ataques voltaram a levantar preocupações sobre a oferta global de petróleo e eventuais impactos na inflação de energia. Perto das 11h45, o barril do Brent, referência internacional, subia 4,04%, cotado a US$ 108,84. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançava 3,82%, a US$ 103,87 o barril.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
- Acumulado da semana: -0,10%;
- Acumulado do mês: -1,06%;
- Acumulado do ano: -6,63%.
📈Ibovespa
- Acumulado da semana: +1,11%;
- Acumulado do mês: +5,12%;
- Acumulado do ano: +16,19%.
De olho nos juros
As decisões de juros do BC e do Fed — ambas previstas para quarta-feira desta semana — são o principal destaque da sessão.
No Brasil, a expectativa é que o Copom faça mais um corte da taxa básica (Selic), de 0,25 ponto percentual (p.p.), levando os juros para o patamar de 13,75% ao ano, no menor nível desde janeiro do ano passado.
O movimento acompanha a desaceleração nos preços de inflação. Nesta semana, por exemplo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,32% em agosto, na maior queda de preços desde 2022.
Já nos EUA, a maioria do mercado estima que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) interrompa a manutenção e decida por uma nova alta de juros nesta semana, em meio às novas altas da inflação americana.
No final do mês passado, o presidente do Fed, Kevin Warsh, já havia sugerido que o BC poderia ter que aumentar os juros nos próximos meses para conter o avanço dos preços. Isso porque, segundo ele, mesmo com a melhora dos indicadores, ainda há a necessidade de cautela.
“Precisamos ter certeza de que a inflação subjacente está se movendo em direção ao nosso objetivo, de forma clara e em velocidade suficiente”, disse Warsh, durante conferência anual do Fed em agosto. “Caso contrário, temos trabalho a fazer”.
➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio.
Crise no STF deixa investidores cautelosos
Ainda no cenário doméstico, a crise no STF também tem aumentado a aversão ao risco por aqui. Na semana passada, o ministro Luiz Edson Fachin, presidente do Supremo, convocou uma sessão extraordinária para esta semana, voltada a analisar o relatório que revelou mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes.
Segundo o documento, foram 52 mensagens trocadas entre o ministro e o ex-banqueiro, entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025 — dia em que Vorcaro foi preso pela primeira vez. Na época, o Banco Master já era alvo de investigações.
Nas mensagens, Vorcaro pede orientação jurídica, marca encontros com Moraes e ajuda para se proteger de investigações.
Na semana passada, ao tornar público o relatório, André Mendonça pediu que o STF se reunisse em uma sessão aberta para analisar os novos elementos apresentados pela Polícia Federal. O relatório da PF mostra que, no dia 15 de novembro, a dois dias da prisão, Daniel Vorcaro consultou Moraes sobre deixar o país.
Uma sessão para discutir um relatório como esse — com menção a ministro do Supremo — é inédita na Corte. A sessão aberta está prevista para terça-feira (15) e será presidida por Fachin.
Nos bastidores, a sessão de amanhã tem sido tratada com apreensão. Segundo o blog da Andréia Sadi, os próprios ministros ainda não sabem exatamente o que será submetido ao plenário, e há uma articulação para que não haja uma decisão sobre o mérito das mensagens além de um cenário com pedido de vista no radar.
O cenário ainda se soma à proximidade das eleições, em outubro — o que também aumenta a cautela diante da disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Bolsas globais
Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street operavam em queda nesta segunda-feira, conforme investidores reavaliavam os papéis do setor de tecnologia e aguardavam novos sinais sobre os juros americanos.
Perto das 11h45, o Dow Jones caía 0,50%, enquanto o S&P 500 perdia 0,73% e o Nasdaq Composite recuava 1,11%.
Na Europa, a maioria dos mercados acionários opera em queda nesta segunda-feira, em meio às preocupações renovadas com a guerra no Oriente Médio e seus eventuais impactos nos preços de energia.
O índice DAX, da Alemanha, caía 0,79% na mesma hora, enquanto o CAC-40, da França, recuava 1%. O FTSE 100, do Reino Unido, ia na contramão e tinha alta de 0,38%.
Na Ásia, as bolsas chinesas caíram, em meio à desvalorização das ações dos setores de inteligência artificial (IA) e chips.
O SSEC, índice de Xangai, caiu 0,1%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, teve perdas de 0,7%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,45%.
Entre os demais mercados da região, o índice Nikkei, do Japão, recuou 0,81% e o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 3,26%.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
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Cédulas de dólar — Foto: bearfotos/Freepik
Cédulas de dólar — Foto: bearfotos/Freepik


