Papa Leão XIV se compromete a acabar com abusos cometidos por padres, diz Vaticano

Papa pede que Igreja reconheça próprios erros

Papa pede que Igreja reconheça próprios erros

A informação foi divulgada em uma nota divulgada pelo Vaticano.

O papa “agradeceu-lhes por seus dolorosos testemunhos e reafirmou seu compromisso de garantir que o sofrimento que vivenciaram não se repita com outras pessoas”, dizia o comunicado.

Papa Leão XIV visita monastério carmelita em Lourdes, na França — Foto: Maurizio Brambatti/Reuters

Papa Leão XIV visita monastério carmelita em Lourdes, na França — Foto: Maurizio Brambatti/Reuters

Leão está em uma visita relâmpago de quatro dias a três cidades da França. No sábado (26), ele atraiu cerca de 800 mil pessoas para uma missa ao ar livre na avenida Champs-Élysées, em Paris.

Líderes locais da Igreja esperam que ele ajude a recuperar a reputação da instituição após um relatório de 2021 apontar que cerca de 330 mil crianças francesas foram vítimas de abusos cometidos por membros do clero e líderes leigos católicos ao longo de sete décadas.

Em uma reunião anterior, realizada a portas fechadas com bispos franceses, Leão se referiu diretamente ao “flagelo doloroso dos abusos cometidos contra menores por membros do clero”, de acordo com um texto fornecido pelo Vaticano.

O papa agradeceu aos bispos pelas “medidas corajosas” que, segundo ele, foram tomadas para enfrentar os escândalos e os incentivou a reforçar as ações de proteção e a “continuar no caminho trilhado, mantendo a maior vigilância”.

Sobreviventes de abusos cobram mudanças da Igreja

Leão já pediu desculpas diretamente pelos escândalos de abuso que prejudicaram a credibilidade da Igreja em todo o mundo. Durante uma viagem à Espanha, em junho, ele disse aos bispos locais que deveriam ouvir as vítimas e oferecer reparações.

O papa deverá se reunir, a portas fechadas, com sete vítimas francesas de abusos cometidos por membros do clero ainda neste domingo (27). Alguns sobreviventes disseram duvidar que o encontro resulte em mudanças rápidas por parte da Igreja.

“Estou bastante cética de que o papa vá resolver a questão, pelo menos não imediatamente”, disse à Reuters Michèle Le Reun-Gaigné, copresidente de uma associação de sobreviventes no oeste da França.

“As coisas estão se movendo muito lentamente”, disse ela. “Não vai acontecer da noite para o dia”, completou.

Papa Leão XIV visita a França — Foto: Benoit Tessier/Reuters

Papa Leão XIV visita a França — Foto: Benoit Tessier/Reuters

O bispo Pierre-Antoine Bozo, porta-voz dos bispos franceses, afirmou que o desejo do papa de realizar o encontro “mostra que não podemos ignorar essa questão e que ela deve sempre permanecer entre as nossas preocupações”.

Lourdes ligada a escândalo no Vaticano

O itinerário do papa na França inclui seis eventos em Lourdes, cidade aos pés dos Pirineus que recebe cerca de 3 milhões de peregrinos por ano. Eles visitam um santuário dedicado à Virgem Maria e as supostas águas termais com propriedades curativas.

O local também está ligado a um escândalo que tem afetado o Vaticano nos últimos anos. A fachada do santuário apresenta uma série de mosaicos do padre Marko Rupnik, um proeminente artista religioso com ligações com o Vaticano que foi acusado de abuso sexual.

Rupnik, acusado por mais de 20 mulheres, não se pronunciou publicamente sobre as denúncias. Na quinta-feira (24), cinco de suas supostas vítimas escreveram uma carta aberta ao papa, na qual criticaram duramente o julgamento do clérigo em andamento no Vaticano.

Os mosaicos, que ocupam vários andares, foram cobertos com grandes lonas amarelas para a visita do papa. Ao chegar para a missa de domingo, Leão foi levado em seu papamóvel conversível próximo à fachada do santuário e aos mosaicos cobertos.

Na sexta-feira (25), o papa reiterou veementemente a oposição da Igreja Católica às iniciativas de morte assistida, dois meses depois de a França ter criado o direito legal à morte para pessoas com doenças incuráveis. Em Lourdes, ele voltou a defender a posição da Igreja em favor da vida.

Ele afirmou que a acolhida do santuário aos peregrinos doentes que esperam encontrar um milagre em suas águas se opõe às “tendências atuais que buscam redefinir o valor da vida humana na doença”.