El Niño pode provocar perdas de R$ 33 bilhões na safra de soja do Brasil; entenda os riscos
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Produção de soja é marcada por expectativas e desafios em 2026 — Foto: Divulgação/Aprosoja
Produção de soja é marcada por expectativas e desafios em 2026 — Foto: Divulgação/Aprosoja
A estimativa faz parte de um estudo divulgado nesta terça-feira (27) pela Serasa Experian, que analisou os possíveis impactos do fenômeno climático nas principais regiões produtoras do país.
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de soja. Segundo o estudo, a projeção considera uma expansão de 900 mil hectares na área plantada, alta de 1,8% em relação à safra anterior, chegando a 49,9 milhões de hectares.
Mesmo com a expansão da área plantada, porém, a falta de chuva e as temperaturas elevadas poderiam reduzir a produtividade das lavouras.
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As maiores perdas se concentrariam no Centro-Oeste. Segundo a Serasa, Mato Grosso poderia perder 9,7 milhões de toneladas de soja, enquanto Goiás teria uma redução de 4 milhões de toneladas na produção.
O levantamento foi divulgado enquanto o plantio da safra avança rapidamente em várias regiões do país. No Sul, porém, o excesso de chuva tem dificultado os trabalhos no campo.
Dados divulgados nesta segunda-feira (26) pela AgRural mostram que 40% da área prevista para o cultivo de soja no Brasil já havia sido plantada até quinta-feira (22).
Risco climático vai do plantio ao desenvolvimento da lavoura
Segundo Daniel de Oliveira, gerente de geoprocessamento agro da Serasa Experian, os riscos associados ao El Niño entram em uma nova fase. A preocupação deixa de se concentrar apenas nas condições para o plantio e passa a envolver também a distribuição das chuvas durante o desenvolvimento das lavouras.
“Quando começa a olhar para regiões relevantes, o risco deixa de ser para a implantação, mas como as chuvas vão ser distribuídas… para que o produtor não enfrente redução da produtividade tal como vimos na 2023/24”, disse ele.
Oliveira afirmou que os produtores aproveitaram a segunda quinzena de outubro para acelerar o plantio, fazendo com que o ritmo dos trabalhos voltasse à “normalidade” em Mato Grosso.
“Mas o risco ainda não desapareceu, ainda não conseguimos dizer que a safra 26/27 está livre dos impactos que a gente está discutindo nesse estudo”, afirmou.
Segundo ele, as condições climáticas ainda precisarão ser favoráveis ao florescimento das plantas e à formação dos grãos, etapas que ocorrerão em novembro e dezembro em importantes estados produtores.
Na última ocorrência de El Niño forte, em 2024, a produtividade média da soja brasileira caiu mais de 8%, para 3.282 quilos por hectare, na comparação com 2023, quando houve um episódio fraco de La Niña. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Perdas podem chegar a R$ 33 bilhões
Se a produtividade cair conforme o cenário projetado, as perdas para o setor podem chegar a R$ 33 bilhões, segundo a Serasa. A estimativa considera os preços de agosto.
A empresa ressalta, porém, que a redução da oferta de soja tende a elevar os preços do grão, o que pode mudar as condições de venda e o impacto financeiro para os produtores.
Os efeitos do El Niño seriam diferentes entre as regiões do país. No Rio Grande do Sul, a produção poderia crescer 5,5 milhões de toneladas, já que o estado costuma registrar mais chuvas durante episódios do fenômeno.
No pior cenário projetado pela Serasa, 13 estados brasileiros registrariam queda de produtividade, enquanto outros quatro poderiam ter pequenos ganhos.
Além de Mato Grosso e Goiás, a projeção aponta queda de produtividade no Paraná, em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia e Maranhão, entre outros estados.


