Principais preocupações dos bancos são com as contas públicas e inadimplência, diz Banco Central

Sede do Banco Central em Brasília — Foto: Raphael Ribeiro/BCB

Sede do Banco Central em Brasília — Foto: Raphael Ribeiro/BCB

As principais preocupações das instituições financeiras envolvem o chamado “risco fiscal” — relacionado aos déficits sucessivos nas contas públicas e à trajetória da dívida do governo — e a alta da inadimplência, que bateu recorde, em um cenário de juros elevados.

As informações constam do Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do Banco Central, referente ao primeiro semestre deste ano.

Segundo o BC, os riscos identificados refletem a expectativa de desaceleração da atividade econômica, as incertezas sobre a sustentabilidade da dívida pública e o elevado endividamento de famílias e empresas.

Em pesquisa realizada pelo Banco Central com as instituições financeiras, “inadimplência”, “juros” e “inflação” estão entre os termos mais citados pelas instituições ao apontar os principais riscos à estabilidade financeira.

As respostas também mencionam a volatilidade dos mercados e a situação das contas públicas.

Agora no g1

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O relatório do BC foi divulgado após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo (25) e vencido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para governar o país até 2030.

O resultado foi seguido por uma forte turbulência nos mercados financeiros. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu mais de 10% nos primeiros minutos de negociação, o que levou ao acionamento do circuit breaker.

  • 🔎 O circuit breaker é um mecanismo utilizado pela bolsa para interromper temporariamente as negociações quando o mercado de ações registra quedas muito bruscas. O objetivo é dar tempo para que os investidores reavaliem suas decisões e reduzir o risco de movimentos desordenados de compra e venda. Após a interrupção, os negócios são retomados.

  • ▶️ Uma das principais preocupações dos investidores é a situação das contas públicas, que vêm registrando déficits sucessivos nos últimos anos. Entre os fatores que contribuíram para esse resultado estão o aumento dos gastos do governo e o reconhecimento de dívidas de gestões anteriores, como os precatórios.
  • ▶️ Analistas avaliam que os déficits fiscais recorrentes pressionam os juros e, consequentemente, aumentam o custo da dívida pública. Para reduzir essa pressão e conter o avanço do endividamento, defendem um ajuste mais forte nas contas do governo.

Apesar dos desafios econômicos e das incertezas externas, como a guerra no Oriente Médio, que pressiona os preços do petróleo e a inflação, o BC avaliou que não há “risco relevante” para a estabilidade financeira do país.

“O sistema financeiro nacional permanece com capitalização e liquidez confortáveis e com provisões adequadas ao nível de perdas esperadas. Os testes de estresse de capital e de liquidez corroboram a robustez do sistema bancário”, informou o BC.