Crise política no Paraguai se agrava, e base governista retira apoio a Peña e se declara a favor de impeachment
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Clientes do banco Ueno fazem protesto em Assunção, no Paraguai, em 5 de novembro de 2026. — Foto: Daniel Duarte/ AFP
Clientes do banco Ueno fazem protesto em Assunção, no Paraguai, em 5 de novembro de 2026. — Foto: Daniel Duarte/ AFP
Com apoio tanto da oposição quanto da base governista, o Congresso do Paraguai iniciou nesta quinta-feira (5) os primeiros passos para votar um impeachment contra o presidente do país, Santiago Peña, e seu vice por causa de uma crise bancária.
A imprensa paraguaia afirma que Peña já assinou uma carta de renúncia e que a apresentará ainda nesta quinta.
Todas as bancadas do Congresso anunciaram que votarão a favor de um processo de impeachment, que ganhou força após toda a base do governo e o próprio presidente da sigla do presidente, o Partido Colorado, retirarem o apoio a Peña, o que o deixou isolado.
Nesta manhã, o Congresso do Paraguai iniciou uma sessão extraordinária para debater o pedido de impeachment. A imprensa paraguaia afirma que há chances, também, de que Peña renuncie ao cargo antes de ser submetido ao processo de impeachment.
A sessão é o primeiro passo do processo do impeachment, e é necessária uma maioria de dois terços dos parlamentares presentes na sessão para dar início aos trâmites de um processo de impeachment. A sessão ainda ocorria até a última atualização desta reportagem.
👉 A iniciativa de impeachment ganhou força após o presidente do Congresso, Basilio Nuñez, e o líder do Partido Colorado, o ex-presidente Horacio Cartes, retiraram seu apoio a Peña. O presidente ainda não havia se manifestado após a retirada do apoio de sua base.
Conservador, Santiago Peña assumiu o governo do Paraguai em 2023.
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Santiago Peña, economista e ex-ministro da Fazenda durante o governo de Cartes, é o atual candidato presidencial do Colorado — Foto: REUTERS
Santiago Peña, economista e ex-ministro da Fazenda durante o governo de Cartes, é o atual candidato presidencial do Colorado — Foto: REUTERS
Acusação
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Deputado da oposição no Paraguai segura cartaz em ato que pede impeachment do presidente Santiago Peña após fechamento de banco virtual que gerou crise bancária no país, em 5 de novembro de 2026. — Foto: Cesar Olmedo/ Reuters
Deputado da oposição no Paraguai segura cartaz em ato que pede impeachment do presidente Santiago Peña após fechamento de banco virtual que gerou crise bancária no país, em 5 de novembro de 2026. — Foto: Cesar Olmedo/ Reuters
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada de oposição Rocío Vallejo durante a sessão, pouco antes da apresentação do pedido.
A acusação foi apresentada por 35 deputados, que pediram ao presidente da Câmara a convocação da sessão extraordinária.
👉 Peña, que também é economista, foi acionista do grupo proprietário do Ueno até março do ano passado. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
O Ueno, que pertence ao Grupo Vázquez, fechou as portas na terça-feira (3), depois que o banco central iniciou sua liquidação. A autoridade monetária identificou uma insuficiência de recursos para cobrir as obrigações do banco, relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à instituição.
Em uma publicação em suas redes sociais, o presidente paraguaio afirmou que os responsáveis pelas irregularidades responderão à Justiça, sem exceções. A declaração foi feita pouco antes de que ele promulgasse uma lei que permitirá aos clientes do Ueno recuperar seu dinheiro mais rapidamente.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou.
Agora no g1
Executivos do Ueno se entregaram às autoridades após a emissão de mandados de prisão pela Procuradoria, que também acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco. A Justiça ordenou ainda o bloqueio dos bens dos acusados.
Nesta quarta-feira, também circularam relatos de falhas em aplicativos de outros bancos, o que aumentou a preocupação com o sistema financeiro do país.
A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que as instituições financeiras trabalhavam para atender ao grande volume de clientes que estavam transferindo suas contas do Ueno. A entidade ressaltou que o sistema bancário continuava “operando normalmente”.
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Pessoas fazem fila para tentar retirar dinheiro em banco em Assunção, no Paraguai, diante de temor gerado por crise bancária no país, em 3 de novembro de 2026. — Foto: Daniel Duarte/ AFP
Pessoas fazem fila para tentar retirar dinheiro em banco em Assunção, no Paraguai, diante de temor gerado por crise bancária no país, em 3 de novembro de 2026. — Foto: Daniel Duarte/ AFP



