Alvo da Polícia Federal, Reag tem queda de 13,8% nas ações após megaoperação contra o PCC

PF faz megaoperação para combater envolvimento do crime organizado no setor de combustíveis

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  • Listada na B3 sob o código REAG3, a gestora viu suas ações caírem 13,83% no pregão desta quinta-feira, por volta das 15h45, refletindo a reação imediata do mercado à operação.

Em comunicado ao mercado divulgado nesta manhã, a gestora confirmou ser alvo da operação da PF, afirmando: “Trata-se de procedimento investigativo em curso.”

Fundada em 2013, a Reag Investimentos é uma das maiores gestoras independentes do Brasil, sem vínculo com bancos, administrando R$ 299 bilhões de pessoas físicas, empresas, fundos de pensão e investidores institucionais. A empresa foi a primeira gestora de patrimônio listada na bolsa brasileira.

A Reag é controlada pela Reag Capital Holding S/A, que também administra a CiabraSF (ADMF3), outra holding independente citada na operação.

“As companhias manterão seus acionistas e o mercado informados sobre o desenvolvimento dos assuntos objeto deste fato relevante”, diz o comunicado enviado ao mercado.

Quem é a Reag Investimentos?

Fundada por João Carlos Mansur, a Reag Investimentos afirma oferecer “soluções financeiras sofisticadas e personalizadas”, com foco em investimentos alternativos.

A Reag ganhou visibilidade ao patrocinar o Cine Belas Artes, um dos cinemas mais tradicionais de São Paulo. Com a aquisição dos direitos de nomeação, o espaço passou a se chamar REAG Belas Artes.

Nos últimos anos, a gestora fez diversas aquisições que ampliaram sua presença no mercado. Entre as empresas incorporadas estão Hieron, Berkana, Rapier, Quadrante e Quasar.

Em 2024, a Reag adquiriu a Empírica Investimentos, especializada em crédito estruturado e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), posicionando-se entre as três maiores do setor, com cerca de R$ 25 bilhões sob gestão.

Em 2025, a empresa viveu um novo capítulo: em janeiro, realizou a incorporação reversa da plataforma de serviços GetNinjas, usando sua estrutura já listada na B3 para se transformar em uma holding aberta.

  • Com essa reorganização, a GetNinjas deixou de existir como empresa independente, e suas ações passaram a ser negociadas sob o código REAG3.

Menos de dois meses após a estreia na bolsa, a Reag Capital Holding anunciou um novo passo: a listagem da Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (CiabraSF), também do grupo, sob o código ADMF3.

A CiabraSF iniciou as operações com um portfólio robusto, administrando mais de 700 fundos e patrimônio líquido de cerca de R$ 240 bilhões.

PCC usava fundos e fintechs para lavar dinheiro

Segundo a investigação, o grupo deixou de pagar mais de R$ 7,6 bilhões em impostos, e foram identificadas irregularidades em várias etapas da produção e distribuição de combustíveis no país.

O esquema utilizava ao menos 40 fundos de investimento e diversas fintechs — empresas de serviços financeiros digitais — para lavar dinheiro, mascarar transações e ocultar patrimônio.

As investigações da PF apontam que, além da lavagem de dinheiro do crime organizado, o esquema também gerava grandes lucros na cadeia de combustíveis. Para viabilizar isso, centenas de empresas eram abertas para ocultar a origem e o destino dos recursos.

A Polícia Federal identificou que as transações eram realizadas por fintechs, em vez de bancos tradicionais, com o objetivo de dificultar o rastreamento dos valores ligados ao PCC.

As fintechs exploravam brechas na regulamentação, o que permitia que o dinheiro ilícito do esquema nos postos de combustíveis fosse integrado ao sistema financeiro.

A Receita Federal constatou que uma dessas fintechs atuava como um “banco paralelo” da facção, movimentando mais de R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024. Os mesmos operadores também controlavam fintechs menores, formando uma segunda camada de ocultação.

  • “Conta-bolsão”

Outra brecha na regulação das fintechs, que dificulta rastrear os recursos e identificar os clientes individualmente, é a “conta-bolsão”, uma conta da própria fintech em um banco comercial que mistura recursos de todos os clientes sem segregação.

Por ela passavam pagamentos entre distribuidoras, postos de combustíveis, fundos de investimento do grupo e despesas pessoais dos operadores do esquema.

Assim, sem a fiscalização detalhada, as fintechs funcionavam como um núcleo financeiro central da organização criminosa, mas invisível para fiscalização.

Infográfico: Como funcionava o esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis — Foto: Arte/g1

Infográfico: Como funcionava o esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis — Foto: Arte/g1

  • Blindagem de patrimônio

Parte significativa desses recursos sem lastro foi usada para adquirir usinas sucroalcooleiras e fortalecer o grupo, que incorporou à sua estrutura criminosa distribuidoras, transportadoras e postos de combustíveis.

Os lucros e valores lavados eram então aplicados em fundos de investimento, com várias camadas de ocultação para esconder os verdadeiros beneficiários.

A Receita Federal identificou ao menos 40 fundos (multimercado e imobiliários) com patrimônio de R$ 30 bilhões, controlados pelo grupo. Muitos são fundos fechados com único cotista.

Entre os bens adquiridos estão:

  • 1 terminal portuário;
  • 4 usinas de álcool (mais 2 em parceria ou aquisição);
  • 1.600 caminhões para transporte de combustíveis;
  • Mais de 100 imóveis, incluindo 6 fazendas no interior de SP (R$ 31 milhões) e uma residência em Trancoso/BA (R$ 13 milhões).

Segundo a PF, as administradoras dos fundos estavam cientes do esquema, inclusive deixando de cumprir obrigações fiscais para esconder a movimentação de recursos da fiscalização.

Reag Belas Artes — Foto: Reprodução/Google

Reag Belas Artes — Foto: Reprodução/Google

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