Bolsa opera acima da máxima histórica em meio à inflação nos EUA e apostas em corte de juros; dólar acompanha alta

Entenda a megaoperação que mira esquema bilionário do PCC

Entenda a megaoperação que mira esquema bilionário do PCC

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, opera em máxima histórica. Por volta das 15h45, registrava alta de 0,40%, alcançando 141.612 pontos — a única vez em que ficou acima desse patamar foi em 4 de julho deste ano, quando fechou aos 141.264 pontos. Enquanto isso, o dólar avançava 0,37%, negociado a R$ 5,4264.

Os investidores reagem à inflação dos Estados Unidos que veio em linha com as estimativas dos analistas. Embora a atividade econômica ainda esteja resiliente, as projeções de que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, dê início aos cortes de juros na reunião de setembro subiram.

▶️ Nesta sexta-feira, o Departamento de Comércio dos EUA divulgou o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE) — indicador inflacionário que o Fed acompanha de perto para ajustar a política monetária.

  • O resultado ficou em linha com as expectativas de analistas, apresentando um avanço mensal de 0,2% e, na base anual, em 2,6%.
  • O resultado não mostra uma desaceleração mais consistente da atividade econômica, mas os investidores aumentaram as expectativas de corte de juros americanos (entenda mais).

▶️ Falando em movimentações no câmbio, o Banco Central realiza a PTAX de fechamento de mês — usado para a liquidação de contratos futuros. Em meio à disputa entre comprados e vendidos, o dólar acaba operando com volatilidade.

▶️ No Brasil, o governo federal iniciou ontem o processo que pode levar à aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica contra os EUA pela aplicação de um tarifaço contra produtos brasileiros exportados para os americanos.

Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -0,36%;
  • Acumulado do mês: -3,47%;
  • Acumulado do ano: -12,52%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +2,23%;
  • Acumulado do mês: +6,00%;
  • Acumulado do ano: +17,26%.

Juíza analisa demissão de Lisa Cook por Trump

Uma juíza federal vai analisar nesta sexta se deve impedir temporariamente o presidente dos EUA, Donald Trump, de demitir a diretora do Federal Reserve, Lisa Cook.

A audiência está marcada para as 10h em Washington (11h em Brasília), e será conduzida pela juíza Jia Cobb, do Tribunal Distrital dos EUA.

Será a primeira audiência do caso envolvendo o presidente americano e a economista, que entrou com um processo na quinta-feira (28) para contestar a tentativa de Trump de removê-la do cargo.

No processo, Cook acusa o presidente dos EUA de violar a Lei do Federal Reserve, de 1913, que permite a demissão de um governador apenas por “justa causa”, e não por “alegações infundadas sobre pedidos de hipoteca privada apresentados por Cook antes de sua confirmação no Senado”.

Inflação dos EUA

Os gastos dos consumidores norte-americanos aumentaram em julho, enquanto a inflação subjacente acelerou visto que as tarifas sobre as importações aumentaram os preços de alguns produtos.

Segundo o Departamento de Comércio, os gastos do consumidor, que respondem por mais de dois terços da atividade econômica dos EUA, aumentaram 0,5% no mês passado — após um ganho revisado para cima de 0,4% em junho.

Veja os dados de julho do PCE:

  • O Índice de preços PCE subiu 0,2% no mês passado, após um aumento não revisado de 0,3% em junho.
  • Nos 12 meses até julho, o índice PCE avançou 2,6%, igualando o resultado de junho.
  • Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o índice teve alta de 0,3% no mês passado, mesma taxa de junho.
  • Nos 12 meses até julho, o chamado núcleo da inflação avançou 2,9%, de 2,8% em junho.

Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX, ressalta que a economia americana tem desafiado as projeções de economistas, se mostrando resiliente mesmo com o aperto monetário, pressionando a inflação.

Ele avalia que o Fed pode dar início à redução dos juros em setembro, conforme já foi sinalizado pelo dirigente, Jerome Powell, mas não da forma como os investidores esperam — o que está mantendo-os cautelosos.

“Uma economia americana ‘mais avançada’, no mínimo, sugere um ritmo mais lento para os cortes. Com juros elevados por mais tempo nos EUA, a taxa de câmbio no Brasil sofre pressões para cima, pois o valor global do dólar é favorecido”, acrescenta.

De acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group, as apostas dos investidores sobre um possível corte de juros nos EUA em setembro subiu com os dados do PCE. De ontem para hoje, as projeções subiram de 85,2% para 87,2%.

Vale lembrar que a perspectiva de corte de juros nos EUA também influenciam a economia e o mercado brasileiro. Isso porque uma menor taxa reflete na rentabilidade dos títulos americano (Treasuries) — considerados de baixo risco.

🔎 Quando os rendimentos dos títulos caem, investidores costumam migrar para mercados com maior potencial de retorno — como moedas de países emergentes (incluindo o real), commodities e ações negociadas em bolsas como o Ibovespa

Brasil inicia processo de Lei da Reciprocidade

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) enviou à Câmara de Comércio Exterior (Camex) um comunicado informando que o Brasil iniciou as consultas e medidas para aplicar a legislação contra os EUA. A Camex tem 30 dias para avaliar se é possível a aplicação da lei.

O Brasil vai notificar oficialmente o governo americano sobre o início do processo nesta sexta-feira (29).

  • A TV Globo apurou que os diplomatas acreditam na medida como uma forma de abrir um caminho de diálogo com os americanos, que têm evitado negociações sobre o tema.

Bolsas globais

Os principais índices acionários de Wall Street recuavam nesta sexta-feira, depois que um relatório de inflação nos Estados Unidos em linha com o esperado manteve as apostas de um corte na taxa de juros em setembro, mas fomentou as preocupações de que as tarifas influenciarão os preços.

O Dow Jones caía 0,47%, a 45.423,15 pontos. O S&P 500 tinha queda de 0,67%, a 6.458,19 pontos, enquanto o Nasdaq Composite recuava 1,04%, a 21.480,12 pontos

Já as bolsas europeias fecharam em baixa, com o mercado repercutindo preocupações de bancos britânicos sobre possíveis medidas mais rígidas da ministra das Finanças, Rachel Reeves, para fortalecer as contas públicas.

O índice pan-europeu STOXX 600 recuou 0,55%, enquanto o DAX, da Alemanha, cedeu 0,57%. No Reino Unido, o FTSE 100 teve baixa de 0,32%, e o CAC 40, da França, caiu 0,76%.

Na Ásia, as bolsas fecharam mistas. Na China, os índices avançaram, impulsionados pela liquidez abundante, apesar dos alertas de empresas de tecnologia após reajustes de preços. O CSI300 teve o maior ganho mensal desde setembro de 2024.

Em Xangai, o SSEC subiu 0,37% e o CSI300 avançou 0,74%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve alta de 0,32%, enquanto o Nikkei, em Tóquio, caiu 0,26%. Em Seul, o Kospi recuou 0,32%, o Taiex, em Taiwan, teve leve baixa de 0,01%, e o S&P/ASX 200, em Sydney, caiu 0,08%. Já o Straits Times, em Cingapura, avançou 0,37%.

Dólar — Foto: freepik

Dólar — Foto: freepik

*Com informações da agência de notícias Reuters