Campanha publicitária de US$ 220 milhões está por trás de demissão da ‘Barbie do ICE’ de Trump; entenda
Ex-secretária de Trump fez vídeo pedindo que estrangeiros não entrassem nos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu na quinta-feira (5) a sua então secretária de Segurança Interna, Kristi Noem – o rosto das duras operações de busca e detenção de imigrantes pela Agência de Imigração e Fronteiras do EUA (ICE, na sigla em inglês).
As operações angariaram uma chuva de críticas até da base de Trump, alavancaram uma onda de manifestações e deixaram dois cidadãos norte-americanos mortos. Mas a “cereja do bolo” para a demissão de Noem foi uma campanha publicitária feita pelo Departamento de Segurança Interna durante sua gestão.
👉 Ao custo total de US$ 220 milhões (cerca de R$ 1,15 bilhão), a campanha consistia na divulgação de peças publicitárias tentando convencer imigrantes em situação irregular nos Estados Unidos a deixar o país e dissuadir estrangeiros de entrarem nos EUA.
Noem estrela grande parte delas. Em um dos vídeos, por exemplo, ela aparece com um chapéu de cowboy, montada em um cavalo, e diz: “Se você tentar entrar nos Estados Unidos ilegalmente, nós te encontraremos” (veja abaixo).

A ex-secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, em imagem durante vídeo de campanha publicitária anti-imigração. — Foto: Reproudação/ Departamento de Segurança Interna dos EUA
A ex-secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, em imagem durante vídeo de campanha publicitária anti-imigração. — Foto: Reproudação/ Departamento de Segurança Interna dos EUA
Em outro vídeo, a ex-secretária aparece em telões de aeroportos pedindo a autodeportação. As propagandas foram divulgadas nos EUA por meio de cartazes, anúncios em rádio, na TV e pela internet.
Deputados questionaram contrato
Deputados da oposição e também da base de Trump consideram o custo total da campanha extremamente alto. Os parlamentares questionaram Noem durante o depoimento que ela prestou ao Congresso norte-americano na quinta (5) e manifestaram desconfiança com relação à natureza do contrato fechado com as empresas que produziram os anúncios.
O deputado democrata Joe Neguse disse na audiência que o Departamento de Segurança Interna dos EUA ofereceu o contrado a apenas quatro empresas, em vez de fazer um processo de licitação padrão.

Cartaz divulgado pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA ao longo de 2025 pedia que pessoas denunciem imigrantes. — Foto: Reprodução/ Departamento de Segurança Interna dos EUA
Cartaz divulgado pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA ao longo de 2025 pedia que pessoas denunciem imigrantes. — Foto: Reprodução/ Departamento de Segurança Interna dos EUA
Duas dessas empresa, segundo revelou uma reportagem da agência de notícias norte-americana Associated Press, são ligadas a operadores do Partido Republicano.
Uma delas, a Safe America Media, foi aberta em Delaware apenas uma semana antes de ganhar o contrato. A empresa recebeu US$ 143 milhões, segundo registros do governo. A segunda, a empresa People Who Think, com sede na Louisiana, recebeu US$ 77 milhões.
O Departamento de Segurança Interna alegou que a concorrência limitada era justificada pela ameaça urgente representada pela imigração ilegal. Já Noem afirmou, no depoimento, que o processo foi “competitivo” e “feito corretamente”.
O estopim para a demissão
No depoimento, Kristi Noem alegou que Donald Trump aprovou o valor do contrato.
“O presidente aprovou antecipadamente o gasto de US$ 220 milhões em anúncios de TV em todo o país, nos quais a senhora aparece com destaque?”, perguntou o senador norte-americano John Kennedy.
“Sim, senhor. Seguimos os trâmites legais e fizemos tudo corretamente”, respondeu Noem.
Mais tarde, no entanto, questionado pela agência de notícias Reuters, o presidente norte-americano disse não ter dado aval para o valor.
“Eu nunca soube de nada disso”, disse o presidente republicano à Reuters em uma entrevista por telefone.
Trump demite secretária de Segurança Interna e escolhe senador de Oklahoma
Trump anunciou na quinta (5) que Noem foi demitida do cargo de secretária de Segurança Interna e já revelou quem será seu substituto: o senador americano Markwayne Mullin, republicano de Oklahoma.
A nomeação depende de aprovação do Senado, de maioria republicana, que não deve oferecer entraves a Trump.
“Tenho o prazer de anunciar que o altamente respeitado Senador dos Estados Unidos pelo grande Estado de Oklahoma, Markwayne Mullin, assumirá o cargo de Secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), a partir de 31 de março de 2026”, afirmou.
O anúncio foi feito através de um post na rede Truth Social. Nele, Trump disse que agora Noem será enviada especial do governo e elogiou as ações dela, principalmente na fronteira do país.
“A atual Secretária, Kristi Noem, que nos serviu muito bem e obteve inúmeros e espetaculares resultados (especialmente na fronteira!), passará a ser Enviada Especial para o Escudo das Américas, nossa nova Iniciativa de Segurança no Hemisfério Ocidental, que anunciaremos no sábado em Doral, Flórida. Agradeço a Kristi por seu serviço”.
Mullin é senador por Oklahoma desde 2023 e foi lutador de MMA antes de decidir migrar para a política.
“Kristi é uma amiga, e ainda não tive tempo de ligar para ela. Ela recebeu a tarefa de realizar um trabalho muito difícil, e acho que ela se saiu da melhor maneira possível dadas as circunstâncias”, declarou Mullin.
Noem é a primeira secretária de gabinete a deixar o cargo durante o segundo mandato de Trump.

Kristi Noem e Markwayne Mullin — Foto: g1; Reuters
Kristi Noem e Markwayne Mullin — Foto: g1; Reuters
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