Com veto de China e Rússia, Conselho de Segurança da ONU rejeita uso da força para reabrir o Estreito de Ormuz

Sessão no Conselho de Segurança da ONU que votou e rejeitou resolução permitindo uso da força no Estreito de Ormuz, em 7 de abril de 2026. — Foto: Jeenah Moon/ Reuters

Sessão no Conselho de Segurança da ONU que votou e rejeitou resolução permitindo uso da força no Estreito de Ormuz, em 7 de abril de 2026. — Foto: Jeenah Moon/ Reuters

Com vetos da China e da Rússia, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) rejeitou nesta terça-feira (7) uma resolução que previa o uso da força no Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã em meio à guerra com Israel e os Estados Unidos.

➡️ A resolução estipulava que países poderiam usar “todos os meios defensivos necessários” para proteger a navegação comercial no estreito, um dos grandes pontos de tensão da guerra no Oriente Médio (leia mais abaixo).

No entanto, a medida já enfrentava oposição da China, Rússia e França, três dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança — os membros permanentes têm o poder de vetar qualquer medida em votação no conselho da ONU.

A França acabou cedendo após o Bahrein, que propôs a resolução, retirar o caráter obrigatório do texto original. China e Rússia, no entanto, mantiveram a oposição inicial e vetaram a medida. Os embaixadores dos dois países anunciaram, no entanto, que proporão ao Conselho de Segurança uma nova resolução para tentar destravar o bloqueio no Estreito de Ormuz.

➡️ O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas estratégicas do planeta: cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo passa por ali. O Irã praticamente fechou a passagem, o que desencadeou repercussões nos preços mundiais do petróleo e do gás.

Pequim justificou o veto argumentando ser contra o uso da força — embora venha adotando uma postura neutra na guerra, a China costuma mostrar alinhamento pragmático com o Irã, de quem é o principal comprador de petróleo.

O embaixador chinês também disse achar que não seria bom aprovar a resolução no mesmo dia em que Donald Trump prometeu extinguir “toda uma civilização” no Irã. A votação ocorreu ainda em um dia decisivo no conflito, por conta do ultimato dado por Donald Trump para a reabertura do Estreito de Ormuz. EUA e Israel também intensificaram ataques nesta terça (leia mais abaixo).

Já o embaixador da Rússia na ONU criticou a resolução, que disse condenar ataques de apenas um dos lados, o do Irã. E disse ver “elementos desequilibrados, imprecisos e confrontadores no texto”.

O embaixador do Irã na ONU, Amir-Saeid Iravani, durante votação da resolução que autorizava o uso da força no Estreito de Ormuz, em 7 de abril de 2026. — Foto: Jeenah Moon/ Reuters

O embaixador do Irã na ONU, Amir-Saeid Iravani, durante votação da resolução que autorizava o uso da força no Estreito de Ormuz, em 7 de abril de 2026. — Foto: Jeenah Moon/ Reuters

A votação, que inicialmente ocorreria na semana passada, foi adiada para tratativas entre diplomatas para tentar desbloquear os vetos. O esboço final autoriza o uso da força “por um período de pelo menos seis meses (…) e até que o Conselho decida de outra forma”.

A França concordou em apoiar a medida após as negociações, mas Rússia e China se negaram a apoiá-la mesmo após a flexibilização.

O que previa o texto da resolução:

  • A última versão do projeto de resolução condena os ataques iranianos contra navios e “encoraja fortemente os Estados” envolvidos a “coordenar esforços, de natureza defensiva e proporcionais às circunstâncias, para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, inclusive escoltando navios mercantes e comerciais”.
  • O texto também exige que o Irã “cesse imediatamente todo ataque contra os navios” que transitam por essa via marítima e “toda tentativa” de impedir a livre navegação.
  • Além disso, indica que o Conselho poderá “considerar outras medidas” contra aqueles que a comprometam.

Dia decisivo

Irã sob bombardeio intenso em dia crucial da guerra

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A guerra no Oriente Médio entrou em um dia decisivo nesta terça-feira. A manhã foi marcada por intensos ataques na região, a poucas horas do fim do prazo dado por Trump para o Irã reabrir totalmente Ormuz.

Em meio à escalada militar, tanto Trump quanto o Irã dobraram suas apostas e renovaram ameaças. O presidente dos EUA afirmou que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, caso o regime iraniano não reabra a via marítima. Já o Irã manteve o tom desafiador.

Veja, abaixo, o que ocorreu nesta terça:

  • Donald Trump renovou o ultimato que deu ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. Na tentativa de pressionar Teerã, disse, em uma postagem em sua rede social Truth Social, que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, em referência a ataques que promete fazer caso o prazo não seja atendido;
  • Antes mesmo de o ultimato expirar, os EUA já atacaram a estratégica ilha de Kharg, no Irã, segundo o vice-presidente J.D. Vance. Kharg, que estoca cerca de 90% de todo o petróleo produzido no Irã, foi atacada pela 2ª vez na guerra, mas sua infraestrutura petrolífera foi poupada novamente;
  • Israel também não esperou o prazo e anunciou ter feito “amplos ataques” ao redor do território iraniano nesta terça, atingindo pontes, trens, aeroportos e edifícios. Entre os alvos estão uma ponte em Qom, uma das maiores cidades do país. Uma petroquímica em Shihaz, também foi atingida;
  • Várias explosões atingiram Teerã, e uma delas matou 9 pessoas, segundo a mídia local. Israel pediu que iranianos não viajassem em trens, e ataques a ferrovias já foram registrados;
  • O Irã revidou. Convocou a população a formar escudos humanos ao redor de usinas e anunciou que a época ‘de boa vizinhança’ com países do Golfo acabou e que abandonará qualquer contenção em novos ataques.
  • O regime iraniano manteve o tom desafiador. Em entrevista à agência Reuters, uma autoridade iraniana afirmou que o país não vai reabrir Ormuz em troca de “promessas vazias” e ameaçou fechar também a via marítima de Bab el-Mandeb, “se a situação sair do controle”. A fonte da agência Reuters iraniana ameaçou ainda deixar “todo o Oriente Médio no escuro” se os EUA atacarem as usinas de energia do Irã.

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