Como fundos da Reag foram usados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master
Relações do Banco Master com Reag estavam na mira do BC desde 2024
👉 A PF apura se a Reag teria atuado na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro com o Banco Master,
Entenda como BC identificou uso dos fundos da Reag no aumento do patrimônio do Master.
O Mecanismo da fraude
- 🏦Captação: O Banco Master oferecia ao mercado Certificado de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos acima do mercado para atrair novos investidores e, assim, captar recursos para o banco.
- 💳 Empréstimo e triangulação via Reag: Em 22 de abril de 2024, o Banco Master concedeu um empréstimo de R$ 459 milhões à empresa Brain Realty Consultoria. Dois dias depois, a Brain Realty transferiu quase todo o valor (R$ 450 milhões) para um fundo próprio, o Brain Cash, administrado pela Reag.
- 🌀Circulação entre fundos: No mesmo dia, o dinheiro passou rapidamente por outros fundos também administrados pela Reag, como D Mais e High Tower, em operações realizadas em questão de minutos.
- 💰 Compra de “Títulos Podres” e superavaliação dos ativos: O fundo High Tower usou os recursos para comprar títulos antigos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Embora esses títulos tenham custado cerca de R$ 850 milhões, o fundo registrou em seu balanço que eles valiam mais de R$ 10 bilhões, inflando artificialmente seu patrimônio e a rentabilidade.
- 💸Revenda entre fundos e fragmentação do dinheiro: Parte desses títulos supervalorizados foi revendida a outros fundos da Reag, como o D Mais, por valores bilionários, ampliando ainda mais a distorção contábil. Os R$ 450 milhões iniciais foram pulverizados entre vários outros fundos da Reag (como Anna, Astralo 95 e Growth 95) ao longo do mesmo dia.
- 🤑 Retorno do capital ao Master: Cerca de três horas depois, os fundos aplicaram praticamente todo o valor em CDBs do próprio Banco Master.
🔎 Na prática, o dinheiro circulou por vários fundos e voltou ao próprio banco em poucos dias. Segundo a investigação, o objetivo era inflar o patrimônio e transmitir uma falsa sensação de solidez e liquidez. Embora, no papel, a consultoria apareça como responsável pelo empréstimo, as apurações indicam que o banco acabou financiando a si mesmo, sem um tomador final real e independente.
“O objetivo financeiro desse desenho seria criar uma aparência de boa performance (liquidez e solidez) dos fundos, além de confundir e dificultar o rastreamento do dinheiro, que passaria por várias camadas de fundos e operações, perdendo o vínculo direto com sua origem e dificultando a identificação de quem se beneficia ao final”, afirma o especialista em finanças, investimentos e mercado internacional Beny Fard.
Em alguns casos, o dinheiro retorna ao próprio banco, agora “maquiado” e com “cara de investimento legítimo”, numa lógica em que o capital “sai como empréstimo, gira por fundos e volta” ao sistema financeiro.

INFOGRÁFICO – Como funcionou o esquema entre Banco Master e Reag — Foto: Arte/g1
INFOGRÁFICO – Como funcionou o esquema entre Banco Master e Reag — Foto: Arte/g1
A liquidação da CBSF (Reag Trust)
A medida atinge a instituição, mas não os fundos sob sua gestão, que seguem ativos e deverão buscar novos administradores.
Segundo o BC, a decisão foi tomada em razão do descumprimento de “regras legais e prudenciais”, o que comprometeu a capacidade da empresa de operar de forma segura.
A autoridade monetária afirmou ainda que “continuará adotando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades” e que o resultado das apurações “poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e ao encaminhamento de comunicações às autoridades competentes”.
“Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”, conclui a nota. A APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo Ltda. foi nomeada pelo Banco Central como liquidante da Reag.
Segundo a PF, a Reag foi utilizada para desviar recursos do Banco Master e os filhos de Mansur “foram utilizados para a prática dos crimes”. No caso do Master, o pai de Daniel Vorcaro, Henrique, além da irmã e do cunhado, foram alvos da operação. O Master teve sua liquidação extrajudicial decretada em novembro do ano passado pelo Banco Central. (relembre aqui)
Em documento citado na investigação, a Polícia Federal afirma que “tais fatos restaram muito bem elucidados na representação do Banco Central, por meio de fluxograma que demonstra o uso de diversos FIDIC’s para a operacionalização das fraudes no Banco Master, de modo similar ao verificado na representação policial inaugural”.

Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2025 — Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2025 — Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil





