Departamento de Justiça dos EUA anuncia que divulgará arquivos de Epstein em 30 dias

Departamento de Justiça dos EUA anuncia que divulgará arquivos de Epstein em 30 dias

Departamento de Justiça dos EUA anuncia que divulgará arquivos de Epstein em 30 dias

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgará os arquivos de sua investigação sobre Jeffrey Epstein dentro de 30 dias, anunciou a procuradora-geral Pam Bondi nesta quarta-feira (19).

Em uma coletiva de imprensa, Bondi confirmou que o departamento fornecerá o material conforme exigido, mas que a divulgação pode não ser completa, já que a agência pode ter que reter material que poderia afetar as investigações ordenadas por Trump sobre figuras democratas associadas a Epstein.

A identidade de todas as vítimas de tráfico sexual cujos nomes constem nos documentos também será protegida, afirmou ela, acrescentando:

“Continuaremos a cumprir a lei e a incentivar a máxima transparência”.

A expectativa é que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sancione a lei assim que o texto chegar à Casa Branca, e isso pode acontecer ainda nesta quarta-feira (19).

Pam Bondi, procuradora-geral dos EUA, em coletiva de imprensa — Foto: AP Photo/Mark Schiefelbein

Pam Bondi, procuradora-geral dos EUA, em coletiva de imprensa — Foto: AP Photo/Mark Schiefelbein

Entenda o caso

▶️ Contexto: Epstein foi acusado de abusar de mais de 250 meninas menores de idade e de operar uma rede de exploração sexual nos anos 2000. O caso voltou a ganhar destaque neste ano com o vai e vem do presidente Donald Trump sobre a liberação dos arquivos.

  • Na semana passada, o Congresso dos EUA publicou mensagens que sugerem que Trump tinha conhecimento da conduta de Epstein.
  • Em um e-mail de 2018, o bilionário escreveu que o atual presidente “passou horas” em sua casa com uma das vítimas.
  • Epstein era conhecido por sua ampla rede de contatos com políticos, celebridades e executivos. Ele e Trump foram amigos entre a década de 1990 e o início dos anos 2000.
  • O bilionário foi preso em julho de 2019 e, segundo as autoridades, tirou a própria vida um mês depois, dentro da cela.

Nesta terça-feira, Câmara e Senado aprovaram rapidamente — e quase por unanimidade — o projeto que obriga o governo a liberar todos os arquivos da investigação. O movimento foi visto como uma derrota política para Trump. Entenda mais abaixo.

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Pelo texto, todos os documentos da investigação, incluindo informações sobre a morte de Epstein na prisão, deverão ser divulgados em até 30 dias após a sanção presidencial.

A lei permite que o Departamento de Justiça oculte informações pessoais das vítimas ou dados de investigações ainda em curso. Por outro lado, proíbe censuras com base em “constrangimento, dano à reputação ou sensibilidade política”.

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Derrota política

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante evento na Casa Branca em 6 de novembro de 2025 — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante evento na Casa Branca em 6 de novembro de 2025 — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

Durante a campanha de 2024, Trump prometeu várias vezes que, se voltasse à Casa Branca, tornaria públicos arquivos secretos sobre o caso. Em uma entrevista, ele chegou a dizer ser “muito estranho” que a lista de clientes de Epstein nunca tivesse sido divulgada.

  • Depois, no entanto, o Departamento de Justiça disse não ter encontrado provas da existência dessa relação.
  • A declaração frustrou apoiadores de Trump, muitos dos quais espalham teorias da conspiração sobre o caso — algumas impulsionadas pelo próprio presidente.
  • Desde então, ele passou a minimizar o tema e chegou a chamar de “idiota” quem ainda se importava com o assunto.

A postura de Trump aumentou a pressão política da oposição e até de membros do próprio partido do presidente para que todos os documentos fossem divulgados.

Nos últimos meses, Trump passou a chamar o movimento de “farsa” criada pela oposição para desviar a atenção de temas como o orçamento federal.

  • A Casa Branca e lideranças republicanas tentaram evitar que o projeto atingisse o número mínimo de assinaturas necessário para ser pautado na Câmara, mas não conseguiram.
  • O texto alcançou o mínimo exigido em 12 de novembro, com apoio inclusive de deputados republicanos.

Presidente citado em e-mails

Jeffrey Epstein, preso por crimes sexuais, em fotografia tirada pela Divisão criminal de justiça de Nova York — Foto: New York State Division of Criminal Justice Services/Handout/File Photo via REUTERS

Jeffrey Epstein, preso por crimes sexuais, em fotografia tirada pela Divisão criminal de justiça de Nova York — Foto: New York State Division of Criminal Justice Services/Handout/File Photo via REUTERS

No dia 12 de novembro, o Congresso dos EUA divulgou mais de 20 mil páginas de arquivos sobre a investigação de Jeffrey Epstein. Boa parte dos documentos contém e-mails que o bilionário trocou com parentes e amigos.

Em uma das mensagens, de janeiro de 2019, Epstein escreveu que Trump “sabia sobre as garotas”. No mesmo texto, aparecem o nome de uma vítima — que foi censurado — e uma menção a Mar-a-Lago, o resort do presidente na Flórida.

Em outro e-mail, de 2011, Epstein escreveu a Ghislaine Maxwell, sua parceira e confidente, sobre Trump.

“Quero que você perceba que o cachorro que não latiu é Trump”, afirmou. Em seguida, acrescentou que uma das vítimas “passou horas na minha casa com ele… e ele nunca foi mencionado uma única vez”.

Outro arquivo mostra Epstein refletindo sobre como deveria responder a perguntas da imprensa sobre sua relação com Trump, que à época começava a ganhar destaque como figura política nacional.

Para deputados democratas, as mensagens levantam novas dúvidas sobre a relação entre o presidente e o bilionário. Já o jornal The New York Times afirmou que Trump pode ter mais conhecimento da conduta de Epstein do que admitiu publicamente.

Trump, por sua vez, disse que a polêmica envolvendo os e-mails é uma “armadilha” criada pela oposição. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os arquivos mostram que o presidente “não fez nada de errado”.

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