Dólar abre em queda após reunião entre Lula e Trump e com expectativa de acordo entre EUA e China

Após encontro, Trump chama Lula de 'vigoroso'

Após encontro, Trump chama Lula de ‘vigoroso’

O dólar abriu nesta segunda-feira (27) em queda de 0,58%, cotado a R$ 5,3608. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h.

▶️ Trump chegou ao Japão nesta segunda, encerrando sua viagem de cinco dias pela Ásia. Durante o percurso, ele firmou acordos comerciais com países do sudeste asiático e busca agora uma trégua na guerra comercial com a China, negociando com o presidente Xi Jinping na Coreia do Sul.

▶️ Após o IPCA-15 apontar alívio na inflação, a mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação oficial brasileira em 2025 recuou de 4,70% para 4,56%, na quinta queda seguida, segundo o relatório Focus, do Banco Central (BC), divulgado nesta segunda-feira.

▶️A semana também traz a expectativa de um novo corte de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. Analistas projetam amplamente uma redução de 25 pontos-base na taxa básica americana, com a decisão prevista para 29 de outubro.

Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -0,24%;
  • Acumulado do mês: +1,31%;
  • Acumulado do ano: -12,74%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +1,93%;
  • Acumulado do mês: -0,04%;
  • Acumulado do ano: +21,52%.

Encontro entre Lula e Trump

No encontro, Lula destacou que o Brasil tem déficit comercial com os EUA, questionando a aplicação das tarifas de 50% impostas por Trump em agosto deste ano a produtos brasileiros, e pediu a suspensão temporária das taxas durante o período de negociação.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a reunião marca o início de um cronograma de negociações, abrangendo os setores afetados, inclusive minerais críticos e terras raras.

Além do comércio, os presidentes trataram de temas políticos e internacionais: a situação de Jair Bolsonaro, a tensão com a Venezuela, e a importância de o Brasil manter relações equilibradas com diferentes países. Lula reforçou que o país não aceita uma nova Guerra Fria entre EUA e Rússia.

Trump elogiou Lula, demonstrando empatia com o tempo em que ele esteve preso, e ambos mostraram interesse em visitas recíprocas futuras — Trump ao Brasil e Lula aos EUA.

Os presidentes demonstraram otimismo com a possibilidade de um acordo comercial ser fechado nas próximas semanas, após a entrega de uma lista de reivindicações brasileiras

A reunião também estabeleceu que o Brasil pode atuar como interlocutor entre EUA e Venezuela, embora detalhes da mediação ainda não tenham sido definidos.

Além da expectativa de acordo entre os EUA e o Brasil, o mercado também acompanha de perto as negociações entre o presidente Trump e o presidente chinês Xi Jinping.

“Tenho muito respeito pelo presidente Xi e acho que chegaremos a um acordo”, disse Trump aos repórteres no avião presidencial Força Aérea Um, vindo da Malásia. “A China está chegando e será muito interessante.”

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que os dois países têm “uma estrutura muito bem-sucedida para os líderes discutirem na quinta-feira”.

Bessent disse que o acordo poderia adiar os controles de exportação da China e evitar novas tarifas de 100% sobre produtos chineses.

Também foram acertados os detalhes de um acordo para transferir a propriedade do aplicativo chinês de vídeos curtos TikTok para o controle dos EUA. A expectativa, segundo Bessent, é que Trump e Xi consigam concluir a transação na próxima semana.

Bolsas globais

As ações chinesas fecharam nesta segunda-feira em máximas de mais de 10 anos, impulsionadas pela expectativa de um acordo comercial entre EUA-China.

O índice de Xangai subiu 1,18%, o CSI300, que reúne as maiores companhias de Xangai e Shenzhen, avançou 1,19%, e o Hang Seng, de Hong Kong, teve alta de 1,05%.

Segundo Kenny Ng, estrategista da Everbright Securities, o mercado reagiu positivamente às negociações, mas ainda aguarda confirmação de que os termos finais do acordo não trarão surpresas.

Dólar atinge a segunda maior cotação da história: R$ 5,86 — Foto: Reprodução/TV Globo

Dólar atinge a segunda maior cotação da história: R$ 5,86 — Foto: Reprodução/TV Globo

*Com informações da agência de notícias Reuters.