Dólar cai e fecha a R$ 5,36 com mercado atento a tensões entre EUA e Europa; Ibovespa recua
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou em queda de 0,16% nesta segunda-feira (19), cotado a R$ 5,3640, em um dia de aversão ao risco no mercado global. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,03%, aos 164.849 pontos.
A sessão foi marcada por uma agenda mais enxuta, mas não livre de tensões. Projeções econômicas no Brasil, feriado nos Estados Unidos e novos ruídos geopolíticos moldaram o humor dos mercados, enquanto investidores acompanharam sinais vindos da política e das commodities.
▶️ Nos EUA, esta segunda-feira foi marcada pelo feriado de Martin Luther King Jr. Day. Com isso, o mercado à vista de ações permaneceu fechado, reduzindo a liquidez, com as negociações sendo retomadas amanhã.
▶️ As preocupações geopolíticas com o Irã e a sucessão no Federal Reserve (Fed, o banco central americano) seguem no radar. Nesse contexto, o preço do petróleo tipo Brent recuou 0,03%, a US$ 64,11, e o WTI avançou 0,15%, a US$ 59,43.
▶️ A queda superior a 0,60% nas ações da Vale (VALE3), em meio ao recuo dos preços do minério de ferro e ao cenário de instabilidade, contribuiu para levar o Ibovespa ao campo negativo. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) e a Gerdau (GOAU4) também operavam em baixa no pregão.
💲Dólar
- Acumulado da semana: -0,16%;
- Acumulado do mês: -2,27%;
- Acumulado do ano: -2,27%.
📈Ibovespa
- Acumulado da semana: +0,88%;
- Acumulado do mês: +2,28%;
- Acumulado do ano: +2,28%.
Ameaça de Trump à Groelândia
Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia passarão a pagar uma taxa adicional de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos EUA.
“A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos EUA. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%.”
Trump declarou ainda que essas cobranças permanecerão em vigor até que seja fechado um acordo para a “compra completa e total” da Groenlândia pelos EUA.
Ao mesmo tempo, os governos europeus buscam uma saída intermediária que evite um rompimento mais profundo na aliança militar ocidental. Autoridades avaliam que um desgaste prolongado nas relações com os EUA poderia representar uma ameaça séria à segurança da Europa.
Segundo o “Financial Times”, as tarifas de retaliação da União Europeia já estavam preparadas desde o ano passado, mas haviam sido suspensas até 6 de fevereiro. Com o novo anúncio de Trump, o tema voltou à mesa de negociações neste domingo.
Também entrou em discussão o uso do chamado “instrumento anticoerção”, um mecanismo que permitiria à União Europeia limitar ou dificultar a atuação de empresas americanas dentro do bloco como resposta a pressões econômicas externas.
Agenda econômica
- Boletim Focus
Para os anos seguintes, as expectativas permaneceram estáveis: o mercado projeta inflação de 3,80% em 2027 e de 3,50% tanto em 2028 quanto em 2029.
Depois de a taxa básica de juros da economia, a Selic, ter encerrado 2025 em 15% ao ano — o maior patamar em quase duas décadas, adotado pelo BC para tentar conter a inflação —, os analistas seguem apostando em uma redução dos juros ao longo deste ano.
Para o fim de 2026, a projeção foi mantida em 12,25% ao ano, o que indica uma queda de 2,25 pontos percentuais em relação ao nível atual.
A expectativa para 2027 também não mudou: o mercado continua projetando a Selic em 10,50% ao ano ao final desse período.
No campo da atividade econômica, a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 foi mantida em alta de 1,80%. Esse ritmo é menor do que os cerca de 2,25% estimados para 2025, indicando uma desaceleração da economia no próximo ano.
Já para o câmbio, os economistas mantiveram a projeção de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50.
Bolsas globais
Em dia de feriado nos EUA, os mercados em Wall Street permaneceram fechados nesta segunda-feira.
Na Europa, o clima foi marcado por tensão depois de o presidente Donald Trump ameaçar aumentar em 10% as tarifas sobre produtos de oito países europeus que se opõem à ideia de os EUA assumirem o controle da Groenlândia.
No fechamento, o índice pan-europeu STOXX recuou 1,23%. Entre as principais bolsas da região, o FTSE 100, de Londres, caiu 0,39%, enquanto o DAX, de Frankfurt, recuou 1,34%. Em Paris, o CAC 40 teve a maior queda do dia, com perda de 1,78%.
Na Ásia, o movimento foi misto, influenciado por novos números que mostraram um crescimento econômico mais fraco na China — o menor em três anos —, por causa da queda na demanda interna.
Os mercados também reagiram às medidas recentes do banco central chinês, que reduziu taxas específicas e sinalizou possíveis cortes adicionais para estimular a economia.
No fechamento, o índice de Xangai subiu 0,29% para 4.114 pontos, enquanto o CSI300 avançou 0,05% para 4.734 pontos. O Hang Seng caiu 1,05% para 26.563 pontos.
No Japão, o Nikkei recuou 0,6% para 53.583 pontos. O Kospi, da Coreia do Sul, subiu 1,32% para 4.904 pontos; o Taiex, de Taiwan, avançou 0,73% para 31.639 pontos; e o Straits Times, de Cingapura, caiu 0,51% para 4.824 pontos.

O dólar opera cotado acima de R$ 6,00 no mercado à vista na manhã desta quarta-feira, 9, estendendo ganhos frente ao real pelo quarto pregão consecutivo, diante do acirramento da guerra comercial entre os EUA e a China. — Foto: Adriana Toffetti/Estadão Conteúdo
O dólar opera cotado acima de R$ 6,00 no mercado à vista na manhã desta quarta-feira, 9, estendendo ganhos frente ao real pelo quarto pregão consecutivo, diante do acirramento da guerra comercial entre os EUA e a China. — Foto: Adriana Toffetti/Estadão Conteúdo



