Dólar opera em queda com mercado atento a projeções do Focus e cenário fiscal; bolsa avança

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar recuava nesta segunda-feira (24), com queda de 0,10% às 11h50, cotado a R$ 5,3958. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançava 0,54%, alcançando 155.612 pontos.

A semana começa com uma agenda carregada no Brasil e sinais importantes no exterior. Entre dados econômicos e eventos políticos, os investidores monitoram fatores que podem mexer com expectativas para inflação, contas públicas e juros.

▶️ O boletim Focus, divulgado antes da abertura, mostrou novo recuo nas projeções de inflação para 2025, mantendo as estimativas abaixo do teto do sistema de metas. Para o final deste ano, a previsão passou de 4,46% para 4,45%.

▶️ A política fiscal segue no radar com a entrevista sobre o relatório bimestral de receitas e despesas marcada para as 11h. O documento reduziu o bloqueio de gastos para R$ 4,4 bilhões e reabriu um contingenciamento de R$ 3,3 bilhões.

▶️ A agenda doméstica inclui ainda a divulgação da arrecadação federal de outubro e a participação de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, em evento da Febraban, onde investidores devem buscar sinais sobre condução da política monetária.

▶️ No exterior, a semana será encurtada pelo feriado de Ação de Graças, que fecha os mercados norte-americanos na quinta-feira e reduz a liquidez na sexta. Mesmo com divergências internas no Fed, o mercado mantém apostas em um possível corte de juros em dezembro.

Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: +1,97%;
  • Acumulado do mês: +0,32%;
  • Acumulado do ano: -12,60%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: -1,88%;
  • Acumulado do mês: +3,50%;
  • Acumulado do ano: +28,67%.

Arrecadação federal

Esse valor representa um aumento real de 0,92% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram arrecadados R$ 259,5 bilhões (corrigidos pela inflação).

Esse também foi o maior resultado para meses de outubro desde o início da série histórica, em 1995 — ou seja, um recorde em 31 anos. O desempenho foi impulsionado pelo aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), anunciado pelo governo em maio.

Outro fator que contribuiu foi a taxação das apostas online e loterias, que adicionou cerca de R$ 1 bilhão à arrecadação no mês.

Além disso, houve crescimento no Imposto de Renda sobre aplicações financeiras, favorecido pelos juros altos, e nos valores pagos como juros sobre capital próprio, enquanto vigorou a Medida Provisória que elevou tributos — depois derrubada pela Câmara.

Segundo a Receita, o IRRF sobre capital arrecadou R$ 11,57 bilhões, alta real de 28,01%. Esse resultado veio do aumento nas aplicações de renda fixa para pessoas físicas e jurídicas (+42,10%), nos fundos de renda fixa (+41,36%) e nos juros sobre capital próprio (+32,93%).

Agenda econômica

  • Boletim Focus

Na semana passada, pela primeira vez no ano, a expectativa para 2025 caiu para um nível abaixo do teto da meta de 4,5%. Veja como ficaram as projeções:

  • ➡️ 2025: passou de 4,46% para 4,45%
  • ➡️ 2026: caiu de 4,20% para 4,18%
  • ➡️ 2027: manteve-se em 3,80%
  • ➡️ 2028: permaneceu em 3,50%

Já a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB), que mede a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, não mudou: 2,16% para 2025 e 1,78% para 2026.

Em relação à taxa Selic, que influencia os juros cobrados em empréstimos e financiamentos, também segue estável para 2025, em 15% ao ano. Para 2026, a estimativa caiu de 12,25% para 12%, e para 2027 continua em 10,50%.

Bolsas globais

Os mercados americanos começaram a semana sem direção definida, refletindo a expectativa sobre um possível corte nos juros pelo banco central dos EUA.

A falta de dados recentes, causada pela paralisação do governo, aumentou a incerteza, enquanto investidores ainda avaliam se o entusiasmo com inteligência artificial pode ter gerado uma bolha.

Antes da abertura, os contratos futuros em Wall Street indicavam variações leves: Dow Jones caía 0,02%, enquanto S&P 500 subia 0,26% e Nasdaq avançava 0,47%.

As bolsas europeias operam sem uma tendência clara, influenciadas pelo otimismo global com a possibilidade de corte nos juros americanos.

A agenda local está esvaziada, mas no Reino Unido cresce a expectativa para o anúncio do Orçamento de Outono, que pode incluir aumento de impostos.

Além disso, investidores acompanham negociações entre Washington e Kiev sobre um plano de paz na Ucrânia, após críticas à proposta inicial.

Durante a manhã, os principais índices registravam: STOXX 600 com alta de 0,06%, DAX (Alemanha) +0,43%, FTSE 100 (Reino Unido) +0,09% e CAC 40 (França) em leve queda de 0,12%.

Já os mercados asiáticos fecharam em alta. No Japão, não houve negociação por conta de feriado nacional.

No fechamento, os índices mostraram ganhos: Shanghai (China) +0,05%, Hang Seng (Hong Kong) +1,97% e Nifty 50 (Índia) +0,04%. O Nikkei permaneceu fechado.

Dólar — Foto: Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo

Dólar — Foto: Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo