Em Davos, secretário do Tesouro dos EUA pede calma à Europa diante de ameaças sobre a Groenlândia

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, participa da 56ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, Suíça — Foto: Reuters

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, participa da 56ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, Suíça — Foto: Reuters

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, pediu nesta terça-feira (20) que os países europeus evitem qualquer tipo de retaliação diante da intenção do presidente Donald Trump de assumir o controle da Groenlândia e solicitou que os aliados “mantenham a mente aberta” sobre o tema.

“Digo a todos: acalmem-se. Respirem fundo. Não revidem. O presidente estará aqui amanhã e transmitirá sua mensagem”, afirmou Bessent em coletiva durante o Fórum Econômico Mundial, na Suíça.

Apesar da reação imediata de líderes europeus, que reforçaram o apoio à soberania dinamarquesa sobre a ilha, Bessent minimizou o risco de rompimento entre aliados e afirmou que o governo americano permanece comprometido com o diálogo.

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Segundo ele, as tarifas devem ser entendidas como um instrumento de negociação, e não como um ataque direto à Europa. “O uso de tarifas tem sido uma forma eficaz de levar países à mesa de negociação em temas estratégicos”, afirmou o secretário.

Questionado sobre o impacto das tensões na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Bessent afirmou que a aliança segue sólida, mas voltou a criticar os baixos gastos europeus com defesa.

Segundo ele, os EUA vêm arcando, há décadas, com uma parte desproporcional dos custos militares do bloco. “Desde 1980, os EUA gastaram cerca de US$ 22 trilhões (aproximadamente R$ 118 trilhões) a mais em defesa do que todos os demais países da Otan somados. Chegou o momento de os europeus contribuírem mais.”

O secretário também procurou afastar preocupações sobre possíveis impactos financeiros imediatos da disputa em torno da Groenlândia. Segundo ele, os movimentos recentes nos mercados globais refletem fatores locais e não estão diretamente ligados ao discurso do governo americano sobre o território ártico.

Trump e os líderes da França, da Alemanha, da Holanda e da Finlândia participarão ainda nesta semana do Fórum Econômico Mundial em Davos.

Caso Lisa Cook e a Suprema Corte

“Eu realmente acho que isso é um erro”, disse Bessent à CNBC. “Se a intenção é evitar a politização do Fed, a presença do presidente do banco central ali, tentando influenciar o processo, é um erro grave.”

A Suprema Corte deve analisar amanhã (21) os argumentos sobre a tentativa de Trump de destituir Lisa Cook. Até que a Justiça americana tome uma decisão definitiva, ela permanecerá no cargo.

Em agosto de 2025, Trump determinou a retirada do cargo da diretora do Fed, nomeada pelo ex-presidente Joe Biden. O governo acusou Cook de mentir para obter um financiamento a juros baixos para a compra de uma casa. Ela negou a acusação e recorreu à Justiça para impedir a demissão.

Powell planeja acompanhar pessoalmente os argumentos orais, em um gesto simbólico de suporte ao Fed em meio aos embates recentes com Donald Trump.