Governo Trump ameaça presidente interina da Venezuela com acusações criminais, diz agência

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque / Wendys Olivo/Palácio Miraflores/Divulgação via REUTERS

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque / Wendys Olivo/Palácio Miraflores/Divulgação via REUTERS

O governo Trump está ameaçando a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, com um possível processo criminal para pressioná-la a continuar acatando as ordens dos Estados Unidos, afirma a agência de notícias Reuters.

Segundo quatro pessoas familiarizadas com o assunto, que falaram sob condição de anonimato, procuradores federais americanos reuniram possíveis acusações de corrupção e lavagem de dinheiro contra Delcy e estão usando essas informações para obrigá-la a continuar cumprindo as exigências de Trump.

A Reuters diz que não teve acesso à versão escrita das acusações contra Rodríguez, mas que é o Ministério Público dos EUA em Miami que está preparando a minuta da acusação, e que o documento vem sendo elaborado nos últimos dois meses.

A investigação se concentra no suposto envolvimento de Rodríguez na lavagem de dinheiro da estatal petrolífera venezuelana PDVSA, disseram três das fontes, e abrange atividades entre 2021 e 2025, disseram duas das fontes.

Ainda de acordo com as fontes, além da minuta de acusação, as autoridades americanas apresentaram a Rodríguez uma lista com pelo menos sete ex-dirigentes do partido, associados e seus familiares que o governo americano deseja que ela prenda ou mantenha sob custódia venezuelana para possível extradição.

O Departamento de Justiça se recusou a comentar a matéria, assim como o Ministério das Comunicações da Venezuela. Após a publicação de um resumo da reportagem no podcast matinal Reuters World News, o vice-procurador-geral Todd Blanche escreveu no X:

“Completamente FALSO. Não sei como notícias falsas desse tipo chegam à publicação”.

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A notícia sobre o uso das acusações contra Delcy como moeda de troca ocorrem dois meses após a captura de Nicolás Maduro, que segue preso em Nova York, pelos EUA.

Após revelar que estava planejando visitar a Venezuela – mas ainda sem data marcada -, ele foi questionado pela Reuters se reconheceria Rodríguez como representante oficial do governo, Trump respondeu:

“Sim, já fizemos isso. Estamos lidando com eles e, na verdade, neste momento eles estão fazendo um ótimo trabalho. Eu diria que a relação que temos agora com a Venezuela é nota 10”.

“As relações entre a Venezuela e os Estados Unidos têm sido, para dizer o mínimo, extraordinárias! Estamos lidando muito bem com a Presidente Delcy Rodríguez e seus representantes. O petróleo está começando a fluir e grandes quantias de dinheiro, não vistas há muitos anos, em breve ajudarão muito o povo da Venezuela”, escreveu.

Já Delcy Rodríguez, em entrevista para a NBC News, disse ter sido convidada para ir aos Estados Unidos durante a visita do secretário de Energia americano, Chris Wright, a Caracas e que estava considerando aceitar o convite:

“Fui convidada para os Estados Unidos. Estamos considerando ir para lá assim que estabelecermos essa cooperação e pudermos avançar com tudo”.

“Chega de ordens de Washington sobre os políticos na Venezuela. Deixemos que a política venezuelana resolva nossas diferenças e conflitos internos. Chega de potências estrangeiras”, declarou Rodríguez durante um discurso a trabalhadores do setor petrolífero no estado de Anzoátegui, no leste do país.

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