Guerra EUA-Irã: governo comemora cessar-fogo, pede menos ‘retórica’ e defende extensão para o Líbano

Bombardeio israelense destrói área residencial em Beirute

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O posicionamento do governo brasileiro foi emitido um dia após o governo de Donald Trump e o regime dos aiatolás chegarem a um consenso, de duas semanas, sobre o Estreito de Ormuz, região controlada pelo Irã por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo.

Trump havia dito em uma rede social que uma civilização inteira iria “morrer”.

“Expressa satisfação com a perspectiva de negociações para estabelecimento de acordo de paz abrangente”, diz a nota do governo.

“A fim de resguardar um ambiente que conduza à redução de tensões e evite nova escalada, o Brasil conclama as partes a não se engajarem em ações de natureza militar ou retórica”, acrescentou.

O anúncio do governo faz parte de uma onda de manifestações da comunidade internacional ao anúncio de cessar-fogo na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

No entanto, cresceram os apelos para que a trégua também inclua o Líbano, algo que no momento está sendo contestado pelo governo israelense.

O Brasil também pediu a inclusão do Líbano no acordo. O país tem sido alvo de ataques do governo de Israel em razão da guerra entre o governo de Benjamin Netanyahu e o grupo terrorista Hezbollah.

Nesta quarta, Israel atacou o Líbano alegando ter atingido somente alvos ligados ao grupo terrorista. Diversos feridos no ataque foram levados a hospitais em Beirute.

“Em decorrência dos intensos ataques israelenses, [o Líbano] vive grave crise humanitária, assolado por centenas de mortes, incluindo de civis, assim como por deslocamento forçado de parte significativa de sua população”, acrescentou o governo brasileiro.

➡️ Contexto: o conflito entre Israel e Hezbollah foi retomado no início de março, após o grupo terrorista (que é apoiado por Teerã) lançar ataques aéreos contra o território israelense, em retaliação a bombardeios de Israel a alvos no Irã. As ações mergulharam o Líbano em uma crise humanitária.

Da esquerda para a direita: embaixador Maurício Carvalho Lyrio, sherpa do Brasil no Brics; ministro Mauro Vieira; e embaixador Ricardo de Souza Monteiro — Foto: Itamaraty/Divulgação

Da esquerda para a direita: embaixador Maurício Carvalho Lyrio, sherpa do Brasil no Brics; ministro Mauro Vieira; e embaixador Ricardo de Souza Monteiro — Foto: Itamaraty/Divulgação

Embaixadas emitem alertas

Nos últimos dias, embaixadas do Brasil em países como Emirados Árabes e Bahrein emitiram alertas para que cidadãos brasileiros nesses países tomem alguns cuidados, em razão do aumento da tensão no Oriente Médio.

“O conflito regional dá sinais de escalada e não há como prever sua evolução. […] Nesse contexto, a embaixada recomenda aos nacionais brasileiros avaliar, em caráter individual, a conveniência de deixar o país”, publicou em uma rede social a embaixada brasileira no Bahrein, por exemplo.

Além disso, o Irã prometeu “punir” Israel pelos “ataques ao Hezbollah que violaram a trégua”, e as Forças Armadas iranianas já estão “identificando alvos para responder aos ataques desta quarta”, segundo fontes ouvidas pelas agências estatais Tasnim e PressTV.

Por que o Líbano faz parte da guerra?

O país tem sido alvo de constantes ataques israelenses desde os primeiros dias da guerra, iniciada em 28 de fevereiro. Israel afirma ter como alvos o grupo extremista Hezbollah, aliado do Irã que atua no país que lançou ataques contra o território israelense.

Alegando a proteção de seu território, Israel invadiu o sul do Líbano, tomando o controle militar de todo o território do país vizinho até o rio Litani. Ataques aéreos também foram realizados contra a capital, Beirute, e o Vale do Beqaa, no leste do país.

Segundo o governo libanês, mais de 1.500 pessoas morreram em ataques israelenses no país desde o início do conflito, e outras 4.800 ficaram feridas.

– Esta reportagem está em atualização.