Hamas diz que lista de reféns foi trocada com Israel e cita que ‘otimismo predomina’ nas negociações sobre paz em Gaza

Hamas diz que lista de reféns foi trocada com Israel

Hamas diz que lista de reféns foi trocada com Israel

O Hamas afirmou nesta quarta-feira (8), que entregou a Israel a lista de reféns israelenses que serão libertados caso haja um acordo de cessar-fogo na guerra na Faixa de Gaza. O lado israelense, por sua vez, também entregou uma lista de prisioneiros palestinos que seriam soltos.

A alta autoridade do Hamas Taher Al-Nounou também afirmou que o otimismo predomina nas negociações neste momento e que o grupo terrorista demonstrou a positividade necessária para chegar a um acordo com Israel.

“Os mediadores estão fazendo grandes esforços para eliminar todos os obstáculos à implementação das diferentes etapas do cessar-fogo, e o otimismo prevalece entre todos os participantes (…) As negociações indiretas, com a participação de todas as partes e dos mediadores, continuam”, afirmou Al-Nounou à AFP por telefone.

As negociações, com base em um plano apresentado pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump, ocorrem em Cairo, no Egito, e estão focadas nos termos para encerrar a guerra em Gaza, na libertação dos reféns, no desarmamento do Hamas e na retirada das forças israelenses do território palestino.

A fala de Trump ocorre em um momento em que negociadores de Israel e Hamas realizam negociações indiretas no Egito para finalizar o conflito nos moldes do plano de Trump. Israel concordou com a proposta, porém oferece certa resistência em alguns pontos. Já o Hamas disse que concorda em libertar todos os reféns, vivos e mortos, porém pediu mais discussões sobre os demais termos. (Leia mais abaixo)

Um alto funcionário do Hamas afirmou nesta terça que seus negociadores estão “trabalhando para superar todos os obstáculos para chegar a um acordo” para encerrar o conflito nas negociações no Egito, porém fez uma série de exigências. O Hamas também disse nesta terça que o ataque terrorista de 7 de Outubro de 2023 foi uma “resposta histórica” a Israel pelo que chamou de ocupação ilegal dos territórios palestinos —uma nova provocação ao governo Netanyahu.

Israel e Hamas começam a negociar implementação do plano de paz de Trump

Israel e Hamas começam a negociar implementação do plano de paz de Trump

Na manhã de 7 de outubro de 2023, terroristas do Hamas invadiram o sul de Israel e realizaram assassinatos em massa de israelenses. Cerca de 1.200 morreram, e 251 foram levados como reféns para a Faixa de Gaza. Segundo Israel, 48 deles continuam sob poder do Hamas, dos quais 20 estão vivos e o restante, morto.

Assim como faz em diversas ocasiões, o governo israelense relembrou nesta terça o horror do ataque terrorista de 7 de outubro. Centenas de autoridades mundiais voltaram a repudiar o ataque de 7 de Outubro e pedir a soltura dos reféns israelenses sob poder do Hamas.

Desde o início do conflito em Gaza, a ofensiva israelense gerou uma destruição generalizada do território, uma grave crise humanitária entre os palestinos, com a prática de genocídio e a situação de fome generalizada, segundo agências independentes ligadas à ONU. Mais de 67 mil palestinos foram mortos e quase 170 mil ficaram feridos, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas —essa contagem é chancelada pela ONU.

Guerra em Gaza está perto de acabar?

Palestinos olham para fumaça ao longe de ataque de Israel na Faixa de Gaza em 5 de outubro de 2025. — Foto: REUTERS/Mahmoud Issa

Palestinos olham para fumaça ao longe de ataque de Israel na Faixa de Gaza em 5 de outubro de 2025. — Foto: REUTERS/Mahmoud Issa

Ainda é cedo para dizer que a guerra está perto de acabar. Parte da comunidade internacional vê na proposta apresentada por Trump um sinal de esperança para, ao menos, um cessar-fogo no curto prazo. Mas ainda há obstáculos.

  • A resposta do Hamas ao plano, apesar de positiva, deixou várias questões em aberto.
  • O grupo terrorista não deixou clara sua posição sobre o desarmamento, um dos principais pontos do plano e objetivo declarado de Israel na guerra.
  • O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aprovou a proposta, mas rejeita a criação de um Estado palestino — algo para o qual o plano dos EUA abre caminho, ainda que de forma condicionada.
  • Outros impasses envolvem o cronograma de retirada das tropas israelenses de Gaza e a definição de um novo governo para o território.
  • Segundo a Reuters, especialistas enxergam as negociações como o início de um processo para o cessar-fogo, e não o fim.

Vale lembrar que o plano em discussão foi apresentado após outras tentativas de cessar-fogo: uma no início da guerra, em 2023, e outra no começo deste ano. Ambas duraram poucas semanas e não conseguiram trazer estabilidade ao Oriente Médio.

Na segunda-feira (6), delegações de Israel e do Hamas participaram do primeiro dia de negociações no Egito sobre o plano de Trump. As conversas tiveram mediação dos anfitriões, além de Estados Unidos e Catar. Uma nova rodada está marcada para esta terça-feira.

➡️ Os israelenses são cidadãos do Estado de Israel, criado no fim da década de 1940. Os palestinos são um povo etnicamente árabe, de maioria muçulmana, que habitava a região entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo. Já o Hamas é um grupo extremista islâmico armado que atua nos territórios palestinos e controla a Faixa de Gaza desde 2007.

Relembre no vídeo abaixo o ataque terrorista do Hamas em Israel.

Vídeos mostram sequência da invasão do Hamas na rave Universo Paralello

Vídeos mostram sequência da invasão do Hamas na rave Universo Paralello

Proposta de paz

A proposta prevê o território como uma zona livre de grupos armados. Integrantes do Hamas podem receber anistia, desde que entreguem suas armas e se comprometam com a convivência pacífica.

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, se encontra com Donald Trump na Casa Branca — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, se encontra com Donald Trump na Casa Branca — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

  • Se o plano for implementado, Gaza passaria a ser governada por um comitê formado por palestinos tecnocratas e especialistas internacionais.
  • O grupo atuaria sob supervisão de um novo órgão chamado “Conselho da Paz”, que seria presidido por Trump. Não está claro se Israel participaria do órgão.
  • Segundo a Casa Branca, o Hamas tem 72 horas para libertar todos os reféns mantidos desde o início da guerra, em 7 de outubro de 2023.
  • A proposta também prevê que Israel libere quase 2 mil prisioneiros palestinos. Além disso, a ONU e o Crescente Vermelho seriam responsáveis pela distribuição de ajuda na Faixa de Gaza.
  • O plano é vago sobre a criação do Estado da Palestina, mas indica um caminho que pode levar a esse reconhecimento no futuro.
  • Membros da comunidade internacional receberam a proposta de forma positiva. Por outro lado, moradores de Gaza disseram estar sem esperanças e temem uma piora no conflito.

Trump afirmou que, se o Hamas não aceitar o acordo, o grupo enfrentará um “inferno total”. Ele disse ainda que apoiará Israel em ações militares para eliminar o grupo de forma definitiva. Na mesma linha, Netanyahu afirmou que avançará na ofensiva em Gaza caso o acordo não seja fechado.