Ibovespa supera 166 mil pontos com mercado atento a pressões de Trump sobre a Groenlândia; dólar avança
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O Ibovespa opera em alta na última hora do pregão desta terça-feira (20), tendo renovado seu recorde intradiário, aos 166 mil pontos. Na máxima, foi aos 166.468 pontos. O dólar encerrou a sessão em alta de 0,30%, cotado em R$ 5,3802.
O aumento das tensões entre os Estados Unidos e a Europa voltou a ficar no centro das atenções. Embora declarações recentes do presidente Donald Trump tenham reforçado a cautela nos mercados por receio de novas retaliações comerciais, analistas avaliam que o atual cenário abre espaço para mercados emergentes — parte do que explica o forte avanço da bolsa nesta terça.
▶️ As tensões comerciais entre EUA e Europa seguem no radar. No final de semana, Trump anunciou uma tarifa de 10% contra países europeus que são contrários aos planos americanos de anexação da Groenlândia. Líderes da União Europeia, por sua vez, classificaram as taxas como “inaceitáveis” e indicaram que o bloco já avalia possíveis contramedidas.
▶️ O cenário acabou aumentando a aversão ao risco nos mercados globais, fazendo com que investidores reduzissem suas posições em Wall Street e redirecionassem recursos para os mercados emergentes — entre eles o Brasil, o que acabou impulsionando o Ibovespa acima dos 166 mil pontos.
- Trump deve discursar no fórum amanhã, e afirmou que pretende se reunir com “diversas partes” para defender sua posição sobre a importância estratégica da Groenlândia para os EUA.
▶️ Ainda na agenda, também está prevista a audiência da diretora do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Lisa Cook, na Suprema Corte dos EUA, após uma tentativa de demissão por parte de Trump. O caso é visto como um teste para a independência do banco central americano.
💲Dólar
- Acumulado da semana: +0,14%;
- Acumulado do mês: -1,98%;
- Acumulado do ano: -1,98%.
📈Ibovespa
- Acumulado da semana: +0,03%;
- Acumulado do mês: +2,31%;
- Acumulado do ano: +2,31%.
Tensão EUA-Europa
A tentativa do presidente dos EUA, Donald Trump, de incorporar a Groenlândia ao território americano abriu uma frente inédita de tensão entre Washington e a União Europeia.
As tensões chegaram ao ápice após o presidente americano anunciar, no último sábado (17), uma tarifa de 10% sobre oito países europeus contrários ao plano de anexação da ilha pelos EUA.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que esse tipo de estratégia não contribui para resolver disputas dentro de uma aliança e ressaltou que uma guerra tarifária não atende aos interesses de nenhuma das partes.
As críticas se estenderam a outros governos europeus. Ministros das Finanças que participaram de reuniões em Bruxelas falaram em decisões “irresponsáveis” e defenderam uma reação firme e coordenada do bloco.
“A soberania e a integridade territorial da Groenlândia e do Reino da Dinamarca são inegociáveis”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante discurso no Fórum Econômico Mundial nesta terça-feira.
“As tarifas propostas são um erro, especialmente entre parceiros de longa data”, completou.
A Alemanha, por sua vez, indicou que não aceitará chantagens e lembrou que a União Europeia dispõe de diferentes instrumentos de resposta.
Além disso, o presidente francês, Emmanuel Macron, enviou uma mensagem direta a Trump demonstrando perplexidade com a ofensiva contra a Groenlândia.
“Não entendo o que você está fazendo em relação à Groenlândia”, escreveu Macron.
Bolsas globais
Os principais índices de Wall Street caíram para uma mínima de quase três semanas nesta terça-feira.
O movimento acontece depois de Donald Trump renovar as ameaças de novas tarifas contra oito países europeus, vinculando o fim das medidas à compra da Groenlândia — proposta rejeitada pelas autoridades da ilha e da Dinamarca.
A aversão ao risco aumentou, levando investidores a buscar proteção no ouro, que avançava 3,03% durante a manhã, cotado a US$ 4.734,55 por onça-troy.
Na abertura, o Dow Jones Industrial Average caía 1,23%, para 48.752,19 pontos, enquanto o S&P 500 perdia 1,29%, a 6.850,39 pontos, e o Nasdaq Composite tinha queda de 1,56%, para 23.147,67 pontos.
Na Europa, os mercados acompanharam o tom negativo vindo do exterior, com as novas ameaças tarifárias dos EUA afetando diretamente o humor dos investidores.
No fechamento, o índice Stoxx 600 recuou 0,72%, aos 602,68 pontos. Em Londres, o FTSE 100 caiu 0,67%, para 10.126,78 pontos. Já o DAX, de Frankfurt, teve baixa de 1,08%, aos 24.689,67 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, cedeu 0,61%, para 8.062,58 pontos.
Na Ásia, os mercados encerraram o dia pressionados por medidas mais firmes das autoridades reguladoras chinesas contra práticas consideradas abusivas.
No fechamento, os principais índices tiveram desempenho variado.
Em Xangai, o SSEC caiu 0,01% para 4.113 pontos, enquanto o CSI300 recuou 0,33% para 4.718 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 0,29% para 26.487 pontos.
No Japão, o Nikkei perdeu 1,1% para 52.988 pontos. Já o Kospi, da Coreia do Sul, caiu 0,39% para 4.885 pontos. Em Taiwan, o Taiex subiu 0,38% para 31.759 pontos, e em Cingapura, o Straits Times recuou 0,23% para 4.823 pontos.

Dólar — Foto: freepik
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