Parlamento Europeu deve congelar acordo comercial com EUA em retaliação às ameaças de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 14 de janeiro de 2026 — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 14 de janeiro de 2026 — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein
A expectativa é que a suspensão do tratado seja formalizada na quarta-feira (21).
(CORREÇÃO: O g1 errou ao informar que o Parlamento Europeu congelou o acordo comercial com os EUA. Na verdade, legisladores informaram que houve um acordo na Casa para a realização da votação formal, prevista para esta quarta-feira (21). A informação foi corrigida às 15h20 de 20 de janeiro de 2026.)
“A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos Estados Unidos da América. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%”, disse o presidente em uma publicação no Truth Social.
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Também nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, classificou a estratégia americana como “chantagem” e afirmou que ameaças tarifárias estão sendo usadas para forçar “concessões injustificáveis”.
Barrot declarou apoio à suspensão do acordo e disse, ainda, que a Comissão Europeia dispõe de “instrumentos muito poderosos” para responder às ações de Washington.
O acordo, no entanto, só começaria a vigorar entre março e abril deste ano, após a aprovação formal do Parlamento Europeu e dos governos do bloco.
Com a suspensão do acordo, a UE volta a colocar na mesa uma possível imposição de tarifas retaliatórias aos EUA — que chegariam ao montante de 93 bilhões de euros (cerca de R$ 580 bilhões) — e uma possível restrição do acesso de empresas americanas ao bloco europeu.
Nesta terça-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e alertou que eventuais tarifas ou pressões entre EUA e UE seriam um erro estratégico.
Nas últimas semanas, o presidente americano intensificou as iniciativas para anexar a Groenlândia.
“Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!”, escreveu o republicano em uma publicação nas suas redes sociais na semana passada.
Em comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda afirmaram estar comprometidos com a defesa da Groenlândia e com o fortalecimento da segurança do Ártico no âmbito da Otan.
O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu.
A crise também provocou protestos populares. Milhares de pessoas foram às ruas da Groenlândia e de Copenhague no sábado para criticar a intenção de Trump de anexar o território.

Pessoas participam do protesto “Tirem as mãos da Groenlândia”, realizado após a Casa Branca afirmar que os EUA estavam considerando uma série de opções para adquirir a ilha. — Foto: Ritzau Scanpix/Emil Helms via Reuters
Pessoas participam do protesto “Tirem as mãos da Groenlândia”, realizado após a Casa Branca afirmar que os EUA estavam considerando uma série de opções para adquirir a ilha. — Foto: Ritzau Scanpix/Emil Helms via Reuters



