Trump diz que EUA caminham para paralisação do governo; democratas e republicanos trocam acusações

Donald Trump — Foto: REUTERS/Ken Cedeno

Donald Trump — Foto: REUTERS/Ken Cedeno

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira (30) que o país está caminhando para uma paralisação administrativa.

“Provavelmente teremos uma paralisação. Podemos fazer coisas durante a paralisação que são ruins e irreversíveis para eles, como cortar um grande número de pessoas, cortar coisas que eles gostam, cortar programas que eles gostam”, disse Trump.

Caso isso não aconteça, vários serviços públicos terão de parar até um novo Orçamento.

Troca de acusações nas redes sociais

A Casa Branca usou seu perfil oficial nas redes sociais para reforçar o discurso de Trump. Na rede social X, postou o print de uma reportagem com declarações do presidente afirmando que seus adversários políticos “querem destruir o sistema de saúde da América dando milhões a imigrantes ilegais” e escreveu:

“Paralisação democrata: o presidente Trump coloca os americanos em primeiro lugar. Democratas? Eles colocam os americanos em último”.

O Partido Democrata rebateu. Em um primeiro post, compartilhou o vídeo do início de uma sessão na Câmara dos Representantes dos EUA e acusou os republicanos de impedir o funcionamento da casa para não haver negociação:

“Os republicanos acabaram de colocar a Câmara em sessão por um total de 2 minutos. Os democratas tentaram apresentar uma proposta para manter o governo funcionando, manter as crianças seguradas e evitar que os custos com saúde dobrassem, mas eles impediram. O Partido Republicano terá que se responsabilizar por essa paralisação”.

Em um segundo post, compartilhou uma fala da deputada Katherine Clark, defendendo que o partido quer apenas “manter os cuidados de saúde acessíveis” e estava lutando “para manter o governo aberto”.

Reunião na noite desta segunda (29) terminou sem acordo

Na noite de segunda-feira (29), Trump recebeu membros do Partido Democrata em uma reunião na Casa Branca, mas o encontro terminou sem acordo. Ambos os lados saíram da reunião afirmando que o oponente será o culpado caso o Congresso não conseguir prorrogar o financiamento do governo até esta noite.

“Acho que estamos caminhando para uma paralisação”, disse o vice-presidente JD Vance após o encontro.

Os democratas argumentam que só aprovarão o financiamento caso programas de benefícios de saúde que estão prestes a expirar sejam prolongados. Já os republicanos de Trump insistem que saúde e financiamento do governo devem ser tratados como questões separadas.

Risco de paralisação nos EUA: reunião na Casa Branca termina sem acordo para aprovação do Orçamento

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O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que os dois lados “têm diferenças muito grandes”.

Os impasses orçamentários se tornaram relativamente rotineiros em Washington nos últimos 15 anos e são geralmente resolvidos no último minuto. Mas a disposição de Trump de anular ou ignorar as leis de gastos aprovadas pelo Congresso injetou uma nova dimensão de incerteza.

Se o Congresso não agir, milhares de funcionários do governo federal poderão ser dispensados, desde a Nasa até os parques nacionais, e uma ampla gama de serviços será interrompida. Os tribunais federais podem ter de fechar, e os subsídios para pequenas empresas podem ser adiados.

Foto do Senado dos EUA, no Capitólio, em Washington, na madrugada de terça-feira, 8 de novembro de 2022 — Foto: J. Scott Applewhite/AP

Foto do Senado dos EUA, no Capitólio, em Washington, na madrugada de terça-feira, 8 de novembro de 2022 — Foto: J. Scott Applewhite/AP

Trump se recusou a liberar bilhões de dólares já aprovados pelo Congresso e ameaça ampliar sua ofensiva contra servidores públicos federais caso os parlamentares permitam uma paralisação do governo.

Até o momento, apenas algumas agências publicaram planos detalhando como procederiam no caso de uma paralisação.

A Casa Branca divulgou um decreto na noite de segunda estendendo o prazo de mais de 20 comitês consultivos federais até 2027. Porém, não deixou claro como esses comitês — que assessoram o presidente em áreas como comércio e segurança nacional — serão financiados em meio à incerteza da paralisação.

O que está em questão é US$1,7 trilhão (cerca de R$ 9 trilhões) em gastos discricionários que financiam as operações das agências, o que equivale a cerca de um quarto do orçamento total de US$7 trilhões (cerca de R$ 37 trilhões) do governo. O valor restante vai, principalmente, para programas de saúde e aposentadoria e pagamentos de juros sobre a crescente dívida de US$ 37,5 trilhões (cerca de R$ 199 trilhões).