Trump diz que EUA estão perto de atingir seus objetivos na guerra do Irã e que não precisa reabrir o Estreito de Ormuz

Trump faz discurso a nação sobre a guerra contra o Irã — Foto: Alex Brandon/Pool via Reuters

Trump faz discurso a nação sobre a guerra contra o Irã — Foto: Alex Brandon/Pool via Reuters

O presidente dos EUA, Donald Trump, fez um pronunciamento em rede de TV nesta quarta-feira (1º) sobre a Guerra do Irã, dizendo que os objetivos militares do país estão perto de serem atingidos.

“Tenho o prazer de informar que esses objetivos estratégicos fundamentais estão quase concluídos. Nós vamos terminar o trabalho, e vamos terminar logo”, ele declarou, de pé em frente a um púlpito na Casa Branca.

Veja os principais pontos do discurso de Trump:

  • Segundo o presidente dos EUA, os objetivos eram destruir a capacidade de Teerã realizar um ataque contra os EUA e impossibilitar que o regime exercesse seu poderio militar fora de seu território.
  • Ele declarou explicitamente que a troca de regime não era o objetivo da operação militar e que ele nunca disse que esse era o plano. O presidente afirmou, porém, que a troca de regime ocorreu de fato com a morte dos antigos líderes, e que a nova liderança é “menos radical e muito mais razoável”.
  • Trump também ameaçou atacar alvos da infraestrutura de energia iraniana, caso não haja um acordo com Teerã: “Vamos atacá-los com extrema força nas próximas duas ou três semanas. Vamos trazê-los de volta à Idade da Pedra, de onde vieram”.
  • Ao comentar sobre o Estreito de Ormuz, importante corredor que escoa o petróleo do Golfo Pérsico e fechado pelo Irã, Trump sugeriu que a reabertura interessa mais aos países europeus do que a Washington.

Lavou as mãos sobre Ormuz

Trump abordou o fechamento do Estreito de Ormuz durante seu discurso. Segundo ele, os EUA não dependem mais do petróleo do Oriente Médio que passa pelo canal marítimo.

O presidente norte-americano afirmou que seu país se tornou o maior produtor de petróleo e gás do mundo, especialmente com a ajuda da produção na Venezuela, e por isso “não precisa” da produção que vem do Oriente Médio.

“Os Estados Unidos praticamente não importam petróleo pelo Estreito de Ormuz, e não vamos importar nada no futuro. Não precisamos disso. Os países do mundo que recebem riqueza pelo Estreito de Ormuz devem cuidar dessa passagem”, disse o presidente americano.

Trump também voltou a instar outros países a tomarem ações para reabrir o estreito.

“Tenho uma sugestão. Primeiro, comprem petróleo dos Estados Unidos. Nós temos bastante. Temos muito. E segundo, criem um pouco de coragem, ainda que tardia. […] Vão até o estreito e simplesmente tomem conta dele, protejam-no e usem-no para vocês mesmos”.

Veja os vídeos que estão em alta no g1

Veja os vídeos que estão em alta no g1

Guerra impopular

Trump enfrenta um eleitor norte-americano cauteloso com a guerra e índices de aprovação em queda.

Em uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada de sexta-feira (27) a domingo (29), 60% dos eleitores disseram que desaprovavam a guerra, enquanto 35% a aprovavam. Cerca de 66% dos entrevistados disseram que os EUA deveriam trabalhar para encerrar rapidamente seu envolvimento na guerra, mesmo que isso signifique não atingir as metas estabelecidas pelo governo.

As pesquisas de opinião pública mostram que a guerra é amplamente impopular, principalmente entre os eleitores independentes, e aliados de Trump têm pedido que o governo apresente aos eleitores uma justificativa mais clara e consistente para o conflito.

Trump e seus assessores vêm oferecendo explicações e cronogramas variáveis para o conflito, agora em sua quinta semana.

Se ele convencer os eleitores de que a guerra tem prazo limitado e está perto do fim, isso poderá ajudar a aliviar as preocupações crescentes entre os norte-americanos, a maioria dos quais se opõe ao conflito e muitos dos quais estão frustrados com o aumento dos preços da gasolina devido a interrupções no fornecimento global de petróleo.

Criticas à OTAN

Em entrevista à Reuters mais cedo, Trump expressou seu descontentamento com a OTAN pelo que ele considera a falta de apoio da aliança aos objetivos dos EUA no Irã.

Um racha transatlântico durante o segundo mandato de Trump se aprofundou depois que os aliados europeus rejeitaram seu pedido para ajudar a manter a passagem segura do tráfego de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Ele disse que estava “absolutamente” considerando retirar os EUA da Otan, uma organização cujo tratado foi ratificado pelo Senado dos EUA em 1949.

Trump acrescentou que, embora os EUA saíssem do Irã “muito rapidamente”, os militares poderiam retornar para “ataques pontuais”, conforme necessário.