Trump reafirma que há diálogo com Irã e que ‘eles concordaram em não ter armas nucleares’
Trump anuncia trégua de 5 dias com o Irã após ‘conversas muito boas’ sobre fim da guerra
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou nesta segunda-feira (23) que há um diálogo em curso entre seu governo e autoridades iranianas para o fim do conflito no Oriente Médio.
Mais cedo, agências de notícias estatais iranianas negaram haver negociações, como Trump disse nesta segunda-feira (22) ao anunciar uma pausa de 5 dias em ataques à infraestrutura energética do Irã (leia mais abaixo).
Em conversa com repórteres nesta manhã, Trump afirmou que as conversas supostamente em andamento trazem uma grande chance de acordo. Disse ainda que o Irã concordou em se comprometer a não desenvolver armas nucleares que foram autoridades iranianas que procuraram a Casa Branca para o diálogo.
“Eles que (nos) ligaram. Eu não liguei (para eles)”, disse Trump ao ser questionado sobre o suposto diálogo. Ele alegou que provavelmente há uma falta de comunicação interna no governo do Irã por conta dos recentes ataques dos EUA e de Israel.
O norte-americano disse ainda que a conversa não é tratada com o atual líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, escolhido para substituir seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, morto por um ataque de Israel. Trump afirmou não reconhecer Mojtaba Khamenei como novo líder e disse que as negociações tratarão de uma nova liderança para o Irã.
Agências iranianas negam que haja diálogo
A agência de notícias iraniana Fars, estatal da Guarda Revolucionária do Irã, afirmou nesta segunda-feira (23) que não há conversas em andamento entre autoridades de Teerã e dos EUA. Com base em fontes do governo iraniano, a Fars disse também que o presidente dos EUA, Donald Trump, recuou após ouvir as ameaças do Irã de atacar estações energéticas no Golfo.
Nesta manhã, Trump anunciou uma trégua de 5 dias em ataques à infraestrutura energética do Irã e afirmou ter tido “conversas muito boas” no fim de semana com lideranças iranianas.
A Tasmin, outra agência estatal iraniana, também desmentiu a fala de Trump, com base em fontes do governo do Irã.
“Não houve negociações e não haverá, e com esse tipo de guerra psicológica, nem o Estreito de Ormuz retornará às suas condições pré-guerra, nem haverá paz nos mercados de energia”, disse a Tasmim.
Não houve negociações e não haverá, e com esse tipo de guerra psicológica, nem o Estreito de Ormuz retornará às suas condições pré-guerra, nem haverá paz nos mercados de energia.
Segundo a agência de notícias Mehr, o ministro das Relações Exteriores do Irã disse que a declaração de Trump é uma tentativa de fazer com que os preços do petróleo e gás, que dispararam após a guerra, voltem a cair.
Em post na rede Truth Social, Trump afirmou que representantes dos dois países tiveram “conversas muito boas e produtivas” no fim de semana e que ordenou o adiamento de qualquer ataque contra a infraestrutura energética iraniana.
“Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos e o Irã tiveram, nos últimos dois dias, conversas muito boas e produtivas a respeito de uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio. Com base no teor e no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento”, declarou.

Trump durante encontro com a primeira-ministra do Japão na Casa Branca. — Foto: Reuters/Evelyn Hockstein
Trump durante encontro com a primeira-ministra do Japão na Casa Branca. — Foto: Reuters/Evelyn Hockstein
Um ataque às instalações energéticas iranianas seria considerada uma escalada significativa na guerra que os dois países travam há mais de três semanas.
Trump dá ultimato para o regime dos aiatolás reabrir o estreito de Ormuz.
Em comunicado, a Guarda Revolucionária iraniana disse também que, em caso de ataque a essas instalações iranianas, eles irão:
- “Destruir completamente” empresas no Oriente Médio que tenham participação norte-americana;
- Considerar como “alvos legítimos” instalações de energia em países que abrigam bases dos EUA.
Antes da fala da Guarda Revolucionária, o governo iraniano já havia reagido por meio de outras autoridades à ameaça de Trump.

Navio atravessa o Estreito de Ormuz em 19 de março de 2026 — Foto: AP
Navio atravessa o Estreito de Ormuz em 19 de março de 2026 — Foto: AP
As Forças Armadas iranianas também afirmaram que o eventual indicado por Trump resultará em represálias contra todas as infraestruturas de energia pertencentes aos EUA na região serão alvo de uma eventual resposta de Teerã.




