Venezuela soltou ‘menos de uma dúzia’ de presos políticos, denuncia entidade
Líder chavista Jorge Rodríguez anuncia libertação de prisioneiros na Venezuela
O Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos da Venezuela (CLIPPVE) denunciou, nesta sexta-feira (9), que a libertação de prisioneiros anunciada pelo regime chavista no dia anterior “não foi concretizado de forma plena, verificável, nem transparente”.
A entidade afirma que só foram confirmads um número reduzido de soltura de presos políticos, “que não chegam nem a uma dezena”.
Na quinta (8), o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, um dos líderes do chavismo, afirmou que “um número significativo de prisioneiros”, tanto estrangeiros quanto venezuelanos, seria libertado.
“Até o momento, apenas um pequeno número de presos políticos — nem mesmo uma dúzia — teve sua libertação confirmada, de um total de mais de 1.000 pessoas detidas por motivos políticos, enquanto centenas de famílias continuam à espera, muitas delas após anos de sofrimento, angústia e revitimização”, diz o CLIPPVE, em uma postagem na rede social X.
“A opacidade institucional, a repressão política, a falta de votações, a falta de comunicação e as decisões arbitrárias persistem, como o anúncio de visitas [nas prisões de] Rodeo I e Ramo Verde, enquanto estas foram suspensas em Tocorón sem qualquer explicação pública”, afirma a nota.
As libertações, uma reivindicação frequente da oposição do país, são um gesto de paz, disse Jorge Rodríguez na quinta, acrescentando que a ação foi unilateral e não foi acordada com nenhuma outra parte.
“O governo bolivariano, juntamente com as instituições estatais, decidiu libertar um número significativo de venezuelanos e estrangeiros, e esses processos de libertação estão ocorrendo neste exato momento”, disse Rodríguez.
Agradecimento a Lula
Em conversa com jornalistas, Rodríguez agradeceu aos esforços do ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao regime do Qatar, “que sempre estiveram ao lado do povo da Venezuela para defender o direito que temos à vida plena e à autodeterminação”.
Não está claro se as negociações para as libertações envolveram o presidente Lula, o governo brasileiro ou algum outro ator político mencionado.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/J/8/RQs4r8S2OVKOgoCMmbuQ/2026-01-08t171619z-1000018360-rc24xiai8cmj-rtrmadp-3-venezuela-assembly.jpg)
O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anuncia libertação de prisioneiros durante coletiva de imprensa em Caracas — Foto: Gaby Oraa/Reuters
O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anuncia libertação de prisioneiros durante coletiva de imprensa em Caracas — Foto: Gaby Oraa/Reuters
Perseguições
Com um decreto de estado de emergência em vigor, venezuelanos têm reportado um aumento no número de policiais e outros agentes de segurança nas ruas, incluindo os “colectivos”, milícias mascaradas que fazem rondas armadas.
Além disso, postos de controle foram estabelecidos em diferentes locais em todo o país, onde veículos são parados e agentes questionam seus ocupantes. Grupos de direitos humanos dizem que os policiais verificam os telefones em busca de indícios de oposição a Maduro ou ao chavismo.




