Rússia diz estar pronta para ajudar Venezuela contra escalada de governo Trump

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, aplaude soldados das Forças Especiais durante cerimônia em Caracas, na Venezuela, em 28 de agosto de 2025. — Foto: Presidência da Venezuela via Reuters

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, aplaude soldados das Forças Especiais durante cerimônia em Caracas, na Venezuela, em 28 de agosto de 2025. — Foto: Presidência da Venezuela via Reuters

A Rússia está preparada para responder aos pedidos de ajuda da Venezuela na escalada de tensões do governo Trump contra o regime Maduro, afirmou nesta sexta-feira (7) a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova.

Zakharova, no entanto, não deu mais detalhes sobre o que a Rússia estaria preparada para fazer para ajudar a Venezuela —Maduro é um aliado de longa data do governo russo. Ao mesmo tempo, a porta-voz da chancelaria russa disse que Moscou busca evitar qualquer maior escalada de tensões na região da América Latina, que segundo ela não seria bom para ninguém.

“A Rússia demonstra solidariedade inabalável com a Venezuela e está preparada para responder de maneira adequada aos pedidos de Caracas, levando em conta tanto os desafios existentes quanto os potenciais. O mais importante agora é evitar qualquer escalada e promover soluções construtivas para os problemas existentes, com respeito ao direito internacional (…) No contexto da situação atual, mantemos contato contínuo e estreito com nossos amigos venezuelanos”, disse Zakharova.

O presidente venezuelano Nicolás Maduro solicitou apoio militar a Moscou, incluindo reparos em caças Sukhoi, de fabricação russa, atualizações em sistemas de radar e envio de sistemas de mísseis.

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Zakharova disse ainda que qualquer operação militar dos EUA contra a Venezuela levará apenas à escalada da situação, e não à resolução dos problemas existentes.

“Existem diferentes táticas e diferentes formas de conduzir os assuntos, mas é evidente — como dizem vários analistas, especialistas e representantes de diversas estruturas americanas — que uma agressão direta desse tipo só piorará a situação, em vez de resolver os problemas que podem perfeitamente ser solucionados por meios jurídicos e diplomáticos, dentro do campo legal”, afirmou a porta-voz.

O governo russo reiterou nesta semana que está em constante contato com o regime Maduro em relação à escalada militar de Trump no Caribe.

Tensões EUA x Venezuela

Imagem mostra o presidente dos EUA, Donald Trump (E), em Washington, DC, em 9 de julho de 2025, e o presidente venezuelano, Nicolás Maduro (D), em Caracas, em 31 de julho de 2024. — Foto: AFP/Jim Watson

Imagem mostra o presidente dos EUA, Donald Trump (E), em Washington, DC, em 9 de julho de 2025, e o presidente venezuelano, Nicolás Maduro (D), em Caracas, em 31 de julho de 2024. — Foto: AFP/Jim Watson

O governo Trump também acusou Maduro de chefiar o Cartel de Los Soles, dobrou a recompensa por sua captura para US$ 50 milhões e enviou dezenas de navios e aeronaves de guerra para o sul do Caribe, incluindo o maior porta-aviões do mundo —todas essas ações foram vistas por especialistas como instrumentos de pressão contra o presidente venezuelano.

Porta-aviões USS Gerald Ford, navio principal do grupo de ataque USS Gerald Ford da Marinha dos Estados Unidos. — Foto: Alyssa Joy/Marinha dos Estados Unidos

Porta-aviões USS Gerald Ford, navio principal do grupo de ataque USS Gerald Ford da Marinha dos Estados Unidos. — Foto: Alyssa Joy/Marinha dos Estados Unidos

Segundo especialistas entrevistados pelo g1, o motivo do conflito se dá por conta do interesse dos norte-americanos em tentar derrubar Maduro, e pela vontade dos EUA de acessar as reservas de petróleo e às riquezas minerais da Venezuela.

“O que os americanos estão planejando ainda não está claro, mas, sem dúvida, estamos na iminência de um ataque de larga escala. E, se isso acontecer, será a primeira vez que os Estados Unidos atacam militarmente um país da América do Sul”, declarou Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo Iuperj.

O governo dos Estados Unidos, no entanto, afirma que esses movimentos são somente ações de combate ao narcotráfico.