Dólar opera em alta com mercado atento à ata do Fed; bolsa recua

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar opera em alta nesta quarta-feira (19), avançando 0,29% por volta das 10h31, para R$ 5,3330. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caía 0,41% no mesmo horário, aos 155.885 pontos.

Os investidores devem concentrar as atenções para os Estados Unidos, onde a divulgação da ata do banco central americano vai indicar os próximos passos da política monetária. Outros indicadores, tanto no mercado americano quanto no brasileiro, também entram no radar.

▶️ Nos EUA, a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed) será divulgada hoje e deve ajudar a avaliar os próximos passos da política monetária. Esse documento detalha como os dirigentes do BC americano enxergam a economia e costuma dar pistas sobre os próximos passos da política de juros no país — algo que influencia mercados no mundo inteiro, inclusive no Brasil.

▶️ Também está no radar o relatório oficial de empregos (payroll), que será divulgado amanhã. O dado mostra quantas vagas foram criadas no mês e é um dos termômetros mais fortes para entender se a economia americana está aquecida ou perdendo ritmo.

  • 🔎 Será o primeiro indicador publicado após o fim da paralisação parcial do governo americano (shutdown), que havia interrompido a divulgação de estatísticas.

▶️ No Brasil, a agenda começou com a divulgação do ICOMEX da FGV, indicador de comércio exterior referente a outubro. Depois, o IBGE apresentou dados adicionais sobre o mercado de trabalho, e às 14h, a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado publica o Relatório de Acompanhamento Fiscal.

▶️ Além disso, o Banco Central divulga às 14h30 o fluxo cambial da semana encerrada em 14 de novembro. Esse indicador mostra quanto dinheiro entrou e saiu do país em dólares ao longo do período — tanto em operações de comércio exterior quanto em investimentos.

Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: +0,40%;
  • Acumulado do mês: -1,15%;
  • Acumulado do ano: -13,95%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: -0,77%;
  • Acumulado do mês: +4,67%;
  • Acumulado do ano: +30,13%.

Agenda econômica

  • Indicador de Comércio Exterior (ICOMEX)

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7 bilhões em outubro, alta de US$ 2,9 bilhões em relação ao mesmo mês de 2024. Os dados fazem parte do relatório do Indicador de Comércio Exterior (ICOMEX), divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre).

  • As exportações cresceram 9,1%, enquanto as importações caíram 0,8%.
  • No acumulado do ano até outubro, o saldo é de US$ 52,4 bilhões, mas isso representa queda de US$ 10,4 bilhões frente ao mesmo período do ano passado.
  • Nesse intervalo, as exportações subiram 1,9% e as importações avançaram 7,1%.

Em termos de volume, as exportações aumentaram 11,3% em outubro, enquanto as importações recuaram 2,5%. No acumulado, os volumes cresceram 4,3% e 8%, respectivamente. A queda nos preços exportados foi maior que a das importações, com alta de preços nas compras externas de 1,9% no mês.

A redução do saldo total está ligada à menor diferença com a China, que caiu de US$ 30,4 bilhões para US$ 24,9 bilhões, e ao aumento do déficit com os EUA, que passou de US$ 1,4 bilhão para US$ 6,8 bilhões. Já a Argentina saiu de déficit de US$ 4,7 bilhões para superávit de US$ 5,1 bilhões, mas isso não compensou as perdas com China e EUA.

Entre os produtos, petróleo, minério de ferro e soja lideraram as exportações, com altas de 9%, 29,5% e 42,7% em valor. As commodities cresceram 13,5% em volume no mês, enquanto as não commodities avançaram 6,3%. A indústria extrativa foi destaque, com alta de 21,1% em outubro.

  • Características adicionais do mercado de trabalho

Em 2024, o Brasil tinha 101,3 milhões de pessoas ocupadas, e 8,9% delas (cerca de 9,1 milhões) eram associadas a sindicatos. As informações foram divulgadas hoje pelo IBGE e fazem parte do módulo Características adicionais do mercado de trabalho da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

Esse resultado interrompeu uma sequência de quedas que vinha desde 2014 no número de sindicalizados e desde 2016 na proporção. Em relação a 2023, houve aumento de 9,8%, o que representa mais 812 mil pessoas. No ano anterior, a taxa era de 8,4%, a menor da série histórica.

Apesar do avanço recente, a comparação com 2012 mostra queda em todos os setores. O grupo de Transporte, armazenagem e correios teve a maior redução, passando de 20,7% para 8,3% em 12 anos. A indústria geral também perdeu espaço, caindo de 21,3% para 11,4%.

Entre empregadores e trabalhadores por conta própria, que somam 29,8 milhões de pessoas, 10 milhões (33,6%) tinham registro no CNPJ em 2024, alta de 3,5 pontos percentuais frente a 2023. Entre os empregadores, a cobertura chega a 80%, enquanto entre os autônomos é de 25,7%.

Outro dado mostra que apenas 4,3% dessas pessoas estavam ligadas a cooperativas de trabalho ou produção, o menor percentual da série. A Região Sul lidera nesse quesito, com 8,2%.

Os números indicam uma recuperação na sindicalização, mas também revelam mudanças estruturais no mercado de trabalho, com maior formalização via CNPJ e baixa adesão a cooperativas.

Ata do Fed

A ata da reunião do Federal Reserve, o banco central americano, realizada em 28 e 29 de outubro será divulgada nesta quarta-feira e deve trazer mais detalhes sobre as divergências entre as autoridades do banco central americano.

O encontro ocorreu em um cenário atípico: falta de dados oficiais devido à paralisação do governo, sinais econômicos contraditórios e uma transição de liderança nos últimos meses do mandato do presidente do Fed, Jerome Powell.

Na reunião, houve discordâncias sobre o ritmo da política monetária. Por 10 votos a 2, o Fed decidiu reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%.

Powell reconheceu que havia “pontos de vista fortemente diferentes” e afirmou que “há um consenso crescente de que talvez devêssemos esperar pelo menos um ciclo” antes de novos cortes.

A falta de dados oficiais antes do encontro obrigou as autoridades a usar informações alternativas, o que aumentou a cautela.

Embora os dados do governo tenham voltado a ser divulgados, ainda não há clareza sobre quais estarão disponíveis para a próxima reunião, marcada para 9 e 10 de dezembro.

O relatório de emprego de setembro, por exemplo, só será publicado amanhã (20).

O debate no Fed gira em torno dos riscos para inflação e mercado de trabalho. Novos dados podem mudar essa avaliação, mas, por enquanto, os investidores veem cerca de 50% de chance de outro corte nos juros no próximo mês. A ata será divulgada às 16h (horário de Brasília).

Bolsas globais

Os mercados americanos abriram com alta nesta quarta-feira, após quedas recentes. Além da expectativa com a ata do Fed, em Wall Street o foco dos investidores está nos resultados da Nvidia.

Eles serão divulgados após o fechamento e são vistos como um teste para a valorização das ações ligadas à inteligência artificial. Inclusive, o desempenho pode definir se o movimento de alta do setor continua ou perde força.

Na abertura, o Dow Jones subia 0,10%, para 46.138,68 pontos. O S&P 500 ganhava 0,13%, a 6.625,84, enquanto o Nasdaq avançava 0,12%, para 22.459,265 pontos.

Já as bolsas europeias operavam de forma mista, também à espera do balanço da Nvidia, que influencia o sentimento global sobre tecnologia.

Também ficou no radar dos investidores europeus a inflação do Reino Unido, que caiu para 3,6% em outubro, reforçando expectativas de corte nos juros pelo Banco da Inglaterra antes do Natal.

Durante a manhã, o índice STOXX 600 subia 0,07%. Entre os principais mercados, Londres (FTSE 100) avançava 0,16%, Frankfurt (DAX) tinha leve alta de 0,03%, enquanto Paris (CAC 40) e Milão (FTSE MIB ) registravam quedas de 0,26% e 0,28%, respectivamente.

Enquanto isso, os mercados asiáticos fecharam com resultados mistos.

As ações em Hong Kong caíram pelo quarto dia seguido, pressionadas por tensões diplomáticas entre China e Japão e pelo clima de cautela após quedas em Wall Street.

Além disso, comentários da primeira-ministra japonesa sobre Taiwan aumentaram as preocupações geopolíticas, o que pode afetar a economia chinesa.

Em Tóquio, o Nikkei caiu 0,3%, a 43.537 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 0,38%, enquanto Xangai subiu 0,18% e o CSI300 avançou 0,44%. Seul e Taiwan tiveram quedas de 0,61% e 0,66%, respectivamente, enquanto Cingapura registrou leve alta de 0,09%.

Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025. — Foto: Tatan Syuflana/ AP

Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025. — Foto: Tatan Syuflana/ AP