Irã diz que não abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz e direito de enriquecer urânio em acordo com EUA
Trump diz que acordo de paz está próximo e suspende ataques ao Irã; Teerã nega
O Irã declarou nesta sexta-feira (12), através de sua mídia estatal, que não abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz e do direito de enriquecer urânio.
Segundo a IRNA, nenhum acordo final com os Estados Unidos irá acontecer sem que esses dois pontos sejam mantidos.
“O Irã não assume, neste texto, nenhum compromisso de ceder a gestão do estreito, nem de restaurar as condições que existiam antes da agressão militar americana e israelense. O Irã negociará o programa nuclear exclusivamente dentro da estrutura dos princípios fundamentais da República Islâmica, e questões como o direito do Irã de enriquecer urânio e a retenção de material enriquecido… serão enfatizadas com vistas à sua inclusão no acordo final”, afirma a mídia iraniana.
De acordo com agências de notícias iranianas, a proposta de acordo de paz prevê a liberação de US$ 24 bilhões em ativos iranianos congelados; o fim da guerra, inclusive no Líbano; e 60 dias de negociações para um acordo nuclear.
A agência Mehr diz o memorando de entendimento entre os dois países deve:
- suspender as sanções dos EUA sobre o Irã
- retirar as forças militares norte-americanas das proximidades do país
- levantar o bloqueio naval a portos iranianos, com reabertura do Estreito de Ormuz
- interromper as hostilidades em todas as frentes da guerra
A proximidade de um acordo entre os dois países foi anunciada pelo próprio presidente dos EUA, Donald Trump.
Trump cancela ataques ao Irã e volta a falar em acordo de paz
O presidente norte-americano disse que um acordo definitivo com Teerã “talvez seja assinado no fim de semana”. A assinatura “provavelmente” ocorreria na Europa e contaria com a presença de seu vice, JD Vance, segundo Trump.
Trump disse que o “memorando de entendimento” já foi aprovado “por todo mundo no Irã”, inclusive o líder supremo do país, e que é um ótimo acordo, “pois o Irã jamais terá uma arma nuclear”.
Minutos após a fala de Trump, no entanto, o Irã afirmou que o país ainda não aprovou nenhum acordo. “Nenhum texto para o memorando de entendimento inicial com os Estados Unidos foi aprovado”, afirmou a agência estatal Fars.
Em uma publicação em sua rede social Truth Social, por onde fez o anúncio, ele afirmou apenas que mediadores “e outros” concordaram com os pontos.
Ele também voltou atrás em uma afirmação que fez mais cedo nesta quinta e disse que uma operação na ilha de Kharg, de onde o petróleo iraniano é exportado, “está fora da mesa”.
Na publicação, Trump disse que a “transação” das negociações foi finalizada e que “data e local” da assinatura serão anunciados em breve. Ele disse também que as conversas foram levadas “ao mais alto nível da liderança iraniana”.
“Considerando que as discussões com a República Islâmica do Irã foram levadas ao mais alto nível da liderança iraniana e aprovadas, eu, como Presidente dos Estados Unidos da América, cancelei os ataques e bombardeios programados contra o Irã para esta noite”, declarou Trump.
👉 O anúncio ocorreu minutos antes do início oficial da Copa do Mundo de 2026, com a cerimônia de abertura do México. Até a última atualização desta reportagem, ainda não havia informações de se o anúncio do Trump teve qualquer relação com o torneio de futebol. Os EUA são um dos três países que sediarão o evento, ao lado de México e Canadá, e a seleção iraniana disputará o campeonato.
Novos ataques
EUA e Irã retomam ataques no Golfo Pérsico
Desde terça-feira (9), Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques, mesmo sob um acordo de cessar-fogo assinado por ambas as partes.
Na mesma noite, os EUA bombardearam sistemas de defesa no território iraniano e radares em Ormuz. O Irã revidou com ataques a uma base norte-americana no Bahrein. Na quarta-feira (10), os EUA fizeram um novo ataque, respondido por Teerã com mísseis lançados novamente a países do Golfo Pérsico.
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Donald Trump, presidente dos EUA — Foto: Reuters/Evan Vucci
Donald Trump, presidente dos EUA — Foto: Reuters/Evan Vucci
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