Alberto Fernández, ex-presidente da Argentina, chama Milei de ‘energúmeno’ após visita de mandatário ao Brasil

Alberto Fernández, e-presidente da Argentina — Foto: REUTERS/Tomas Cuesta

Alberto Fernández, e-presidente da Argentina — Foto: REUTERS/Tomas Cuesta

O ex-presidente da Argentina Alberto Fernández chamou de “energúmeno” o atual presidente do país e seu sucessor, Javier Milei, em suas redes sociais.

Em um texto postado na rede social X, Fernández responde a críticos sobre as comparações entre sua visita a Lula na prisão em Curitiba, em 2018, e à tentativa de Milei visitar Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

Bolsonaro não pôde receber o argentino por conta da proibição de receber visitas “político-eleitorais”, determinada no último dia 17 pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.

“Milei foi ao Brasil para gritar como um energúmeno, exigindo ver um golpista preso. Eu fui a Curitiba exigindo a liberdade de um inocente. Hoje Lula é Presidente do Brasil e Bolsonaro está preso por promover um golpe de Estado. Insultar o presidente de um país irmão e principal sócio comercial não tem perdão”, diz a mensagem de Fernández.

Ministro Mauro Vieira convoca embaixadores após falas de Javier Milei

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Moraes suspendeu visitas gerais a Bolsonaro por 30 dias, com exceção de visitas permanentes da equipe médica, fisioterapêutica e dos advogados. A medida foi determinada após Flávio Bolsonaro divulgar a carta intitulada “Carta aos brasileiros”, escrita pelo pai — no entendimento do ministro, a divulgação do documento violou as imposições da prisão domiciliar.

Segundo o ministro, a proibição decorre da perda dos direitos políticos de Bolsonaro em função da condenação no processo da trama golpista.

Fernández é kirchnerista, uma corrente política peronista de esquerda na Argentina, e tradicionalmente aliada de Lula no cenário internacional.

Milei no Brasil

A visita de Javier Milei ao Brasil no sábado (25) causou uma crise diplomática entre os dois maiores países da América do Sul.

Milei também associou a candidatura de Flávio ao que chamou de uma transformação política em curso na América Latina e chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “presidiário”.

🔎 Convocar o embaixador de outro país para uma conversa, por outro lado, é uma demonstração de insatisfação e de busca por explicações da outra nação.

Igualmente, chamar um embaixador brasileiro que está em missão no exterior para consultas, como fez o Brasil, é uma medida considerada dura nas relações internacionais. É uma sinalização de que o país quer ouvir esclarecimentos de seu diplomata a respeito de uma atitude considerada hostil feita pela outra nação.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores classificou o episódio como “sem precedentes” e “lamentável”.

“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, diz nota.

Em entrevista à TV Globo, o chanceler Mauro Vieira classificou as declarações de Milei de “ríspidas, grosseiras e inaceitáveis” e afirmou que a fala foi uma “interferência em assuntos domésticos”.

Vieira disse não conhecer precedentes recentes de um chefe de Estado estrangeiro se manifestando dessa forma em território brasileiro.

O chanceler descartou, neste momento, medidas diplomáticas mais duras, como a retirada da representação brasileira da Argentina. Segundo ele, o governo brasileiro pretende preservar os canais de diálogo e buscar esclarecimentos por vias diplomáticas.